Domingo, 12 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Jornalistas da EBC entram em greve

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 30/10/2008 na edição 509

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 30 de outubro de 2008


 


GREVE
Folha de S. Paulo


Jornalistas de órgão público fazem greve


‘Funcionários da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que inclui a TV Brasil, a Rádio Nacional e a Agência Brasil, decidiram ontem cruzar os braços até a próxima assembléia, na tarde de hoje.


Encabeçado pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, o comando de greve pede que, no plano de cargos e salários em elaboração pela empresa, os jornalistas tenham piso salarial de pelo menos R$ 3.000, por cinco horas diárias de trabalho.


A EBC disse que não negocia durante a greve e não informou o total de funcionários parados.’


 


 


TELEVISÃO
Painel do Leitor


TV


‘‘Em resposta à carta de Márcia da Costa Nunes Neto (‘Violência na TV’, ‘Painel do Leitor’, 29/10), é importante esclarecer que a Record cumpre as normas de classificação indicativa de horário recomendadas pelo órgão responsável.


O anseio da emissora é poder retratar uma sociedade 100% estável.


Infelizmente, a realidade atual não nos permite mostrar um país perfeito. A Record não é responsável pela criação dos fatos, apenas acompanha o desenvolvimento deles e os transforma em informação ao telespectador.’


RICARDO FROTA , gerente nacional de Comunicação da Rede Record (São Paulo, SP)’


 


 


Folha de S. Paulo


Projeto de lei quer assegurar oito canais


‘A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara aprovou ontem um projeto de lei que não precisa de aprovação em plenário e segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça antes de ir para o Senado. O projeto confirma a programação digital do Senado, Câmara, Supremo Tribunal Federal, Executivo Federal (um para a TV pública e outra para o próprio Palácio do Planalto), além de canais para Educação, Cultura e Cidadania.’


 


 


Fernanda Ezabella


‘Mothern’ retorna com novidades


‘As mães descoladas e seus filhos fofos do seriado ‘Mothern’ voltam hoje ao canal GNT para sua terceira temporada. ‘Mothern’, trocadilho de mother (mãe) com modern (moderno), segue a rotina de quatro amigas que se equilibram entre maternidade, trabalho e amores.


A nova temporada, com 13 episódios e direção-geral de Luca Paiva Mello, traz novidades no elenco infantil, como a atriz mirim Fernanda Cunha, estrelinha do primeiro capítulo. Ela faz Bel, filha de 7 anos da chef Mariana (Fernanda D’Umbra), que precisa encarar o primeiro dia na nova escola.


‘Será que o erro é meu?’, pergunta a mãe, ao ver a filha trocar novas amizades por um punhado de canetinhas coloridas com cheiro de morango.


O episódio de estréia (‘O Primeiro Passo’) fala ainda de outros desafios enfrentados pelas ‘motherns’, como quando o namorado de Mariana insiste em se mudar para sua casa. Ou quando todos insistem que o filho de Beatriz (Juliana Araripe) não tem nada a ver com ela, e sim com seu ex-marido.


A série começou a ser exibida em 2006, inspirada em blog do mesmo nome e que virou até livro. Em 2007, foi indicado ao International Emmy Awards e já passou em mais de cem países.


MOTHERN – 3ª TEMPORADA


Quando: estréia hoje, às 23h30


Onde: no GNT


Classificação: não informada’


 


 


Daniel Castro


Globo erra e repete 10 minutos de novela


‘Por um erro de transmissão, a Globo reprisou anteontem na Grande São Paulo uma seqüência de seis cenas exibidas no capítulo anterior da novela das sete, ‘Três Irmãs’. Telespectadores protestaram.


As cenas somavam pouco mais de dez minutos e foram mostradas na mesma ordem que no dia anterior. Na segunda, eram do quarto bloco. Na terça, entraram no terceiro.


Telespectadores que assistiam ao capítulo de terça estranharam que Cláudia Abreu apareceu visitando Maitê Proença num hospital e, no bloco seguinte, era aconselhada por Marcos Palmeira a fazer essa visita. A cena dela com Palmeira era da segunda.


Devido ao erro, a Grande São Paulo perdeu dez minutos de ‘Três Irmãs’. Até o início da tarde de ontem, a assessoria de imprensa da emissora não sabia informar como e se haveria apresentação das cenas. A Globo também não deu detalhes da falha. Disse apenas que ocorreu no transmissor de São Paulo.


Anteontem, novamente sem aviso prévio, a Globo voltou a atrasar a exibição de suas novelas de início de noite, que vão mal no Ibope. ‘Malhação’ entrou às 18h11, 35 mais tarde do que na semana passada. A novela das seis, anteriormente às 18h05 e às 18h20, passou às 18h39. ‘Três Irmãs’ entrou uma hora depois.


Os ajustes, atribuídos ao horário de verão, melhoram as audiências das novelas.


NO TELHADO 1


A Band ainda não bateu o martelo, mas tudo indica que irá cancelar a produção da versão brasileira da novela colombiana ‘Pasión de Gavilanes’, suspensa desde a semana passada, quando já estava em processo de escalação de elenco.


NO TELHADO 2


Marcelo Meira, vice-presidente da Band, diz que a indefinição não tem a ver com a crise. É artística e estratégica. ‘A gente ainda está analisando se é conveniente fazer essa novela. Em dez dias definiremos qual será a novela, qual dramaturgia a gente vai fazer’, esclarece.


SÃO TOMÉ


Profissionais do SBT acreditam (mas não muito) que ‘Revelação’, novela de Íris Abravanel prometida para maio, deve estrear em dezembro.


BURACO


A Record vive gritando seus feitos no Ibope, mas tem um sério problema na grade. ‘Programa da Tarde’ e a reprise de ‘Prova de Amor’, anteontem, deram apenas três e dois pontos, respectivamente. O pastor R.R. Soares, na Rede TV!, só não a alcançou porque o telejornal ‘SP Repórter’, popular, foi antecipado em 15 minutos.


REPÓRTERES DO BISPO


O ‘Fala que Eu Te Escuto’, programa da Igreja Universal, voltou ontem a atacar a Globo, sob a desculpa de discutir a isenção da mídia. Teve depoimentos exclusivos dos jornalistas Paulo Henrique Amorim, Adriana Araujo e Celso Freitas e reportagem de Lucio Sturm. Todos da Record, que diz que a Universal compra o horário.


AUTO-REFERÊNCIA


‘Toma Lá, Dá Cá’ fez anteontem merchandising de ‘Negócio da China’. Ambas são de Miguel Falabella.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


1% vs. 13,75%


‘O banco central americano foi ‘agressivo’, segundo a manchete on-line do ‘New York Times’, e cortou os juros para 1%, ‘empatando com a taxa mais baixa das últimas décadas’, na manchete on-line do ‘Financial Times’. A Reuters avisou que o corte deve ser ecoado pelos bancos centrais de Japão, Inglaterra e União Européia até o fim da semana que vem.


Por aqui, ao longo do dia, a Bloomberg até avisou que as ações estavam em alta pela ‘especulação de que o Banco Central não vai alterar sua taxa’. E assim foi, depois de não pouco suspense. Na manchete do UOL, ‘Copom mantém taxa de juros em 13,75%’. Mas nada de cortar, como o resto do mundo.


NOVA ORDEM CHINESA


Antes mesmo do Fed, às 10h no Brasil, o site do ‘China Daily’ anunciou que o banco central chinês havia cortado os juros para ‘estimular o crescimento’.


E a China quer mais, na reportagem da AP postada por ‘NYT’ e outros: ‘Quer mais voz na nova ordem financeira global que vai emergir da crise atual’.


Artigo no mesmo ‘China Daily’, ontem em papel, com repercussão por BBC e outros, cobrou ‘papel mais ativo’ para o país. Um dos maiores credores dos EUA, a China chegou a ser vetada na cúpula sobre a crise, dia 15. Mas Lula teria vencido a resistência americana.


NOVA ORDEM BRASILEIRA


Há duas semanas o ‘El País’ destaca, nas suas capas, a revolta da Espanha por não ter sido chamada à cúpula do dia 15. Ontem, curiosamente, o primeiro-ministro ‘espera convencer o presidente Lula para que o convide, depois da recusa dos EUA’. É o Brasil que preside o G20 financeiro, instituição que organiza o encontro.


Mais importante, quanto à inédita credibilidade do país na nova ordem, o Fed anunciou a linha de dólares para o Brasil -ontem no topo das buscas no Google News e, após a confirmação do BC, nos sites daqui.


AOS BANCOS CENTRAIS


A decisão do Fed ontem foi precedida por texto de George Soros, no ‘FT’, dizendo que os esforços de suporte aos emergentes não poderiam se limitar ao FMI. Deveriam abranger ‘amplas linhas de swap cambial dos bancos centrais [dos países ricos] aos bancos centrais de países que se qualificarem’. Cita, ‘por exemplo, o Brasil’.


Aliás, refere-se sem parar ao país. E às linhas, sabe-se agora, que foram acordadas na semana passada.


AOS BANCOS


A decisão do Fed também foi precedida por despacho da Bloomberg, de Nova York, sob o título ‘Unibanco cobra que Brasil conceda dinheiro aos bancos’, quer dizer, moeda externa para que voltem a financiar o comércio.


DERIVATIVOS, O FIM?


Ontem em manchete, o ‘Valor’ de papel garantiu que ‘as empresas brasileiras já desmontaram a maior parte das posições especulativas em dólar no mercado interno’.


O SOBERANO


O Radar On-line, ontem às 20h, sob o título ‘O Fundo Soberano começa a nascer’, deu que ‘a oposição armou obstrução, mas nem ela acredita que conseguirá derrotar o governo’ no projeto de criação do fundo.


O INVESTIMENTO


No topo das buscas no Yahoo News, a Bloomberg deu que ‘Investidores planejam a primeira refinaria brasileira não ligada à Petrobras em cinco décadas’. Com recursos britânicos, espanhóis e de fundos soberanos de três países do Golfo, a refinaria deve tomar cerca de US$ 3 bilhões. Já teria aprovação do ‘regulador brasileiro’ e a garantia de apoio fiscal do governo de Sergipe.


ETANOL SEM FIM


O ‘Washington Post’ voltou a dar o Brasil (acima) por modelo ao etanol americano. Do Texas à Califórnia, já se produz cana para uma usina americana, por enquanto única, de etanol. E o acordo de ambos para a produção global continua’


 


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Sérgio Dávila


Obama monopoliza horário nobre


‘Nadando em dinheiro, com mais de US$ 660 milhões arrecadados até agora, o candidato democrata Barack Obama exibiu ontem simultaneamente no horário nobre de sete emissoras americanas propaganda eleitoral de meia hora, com audiência potencial de dezenas de milhões de pessoas.


O ‘infomercial’ (comercial informativo) foi ao ar às 20h de Washington (22h de Brasília) e teve direção do filho do documentarista da campanha de Robert Kennedy em 1968. O valor total pago não foi divulgado, mas estima-se que tenha ficado entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões -Obama já gastou US$ 230 milhões só com propagandas de TV. Diferentemente do Brasil, não há horário eleitoral gratuito nos EUA.


Nele, o senador resume suas propostas, conta um pouco de sua vida e apresenta a história de quatro famílias de Estados-chave que representam um microcosmo de eleitores de que o democrata precisa para consolidar a liderança. Há o operário branco desempregado de uma montadora, o casal de aposentados de Ohio, a latina com filha excepcional e uma mãe de cinco lutando com as contas.


Os relatos foram intercalados com depoimentos de estrelas do partido, como os governadores Ted Strickland (Ohio) e Tim Kaine (Virgínia) e de simpatizantes famosos de Obama, como Eric Schmidt, CEO da Google. No fim, o senador entrou ao vivo da Flórida, ao lado de seu vice, Joe Biden.


O programa foi exibido em 3 dos 4 maiores canais abertos do país, CBS, NBC e Fox, além da noticiosa MSNBC, da hispânica Univisión e das voltadas ao público negro BET e TV One. A CNN se negou a vender espaço, a Fox News não foi procurada, e a ABC aceitou tarde demais.


É a primeira vez que isso acontece desde 1992, quando Ross Perot tomou iniciativa parecida. A situação de Obama, porém, é muito diferente da do azarão bilionário. À frente nas pesquisas, o candidato corre o risco de passar uma imagem de arrogância que acabaria por lhe custar votos. Se acontecer, não será a primeira vez.


Em seu discurso no fim da Convenção Democrata, o palco trazia falsas colunas greco-romanas que viraram motivo de chacota entre republicanos por dias. Em outra ocasião, ele falou num pódio com um selo que lembrava o da Casa Branca.


E, enquanto a campanha de John McCain prepara sua ‘festa da vitória’ num salão de hotel em Phoenix, no Arizona, a de Obama planeja reunir 1 milhão de pessoas num dos maiores parques de Chicago.


A reação republicana ao ‘infomercial’ veio logo. McCain colocou no ar na TV o que chamou de ‘pré-réplica’. ‘Atrás dos discursos pomposos, das promessas grandiosas e do especial de TV, está a verdade: em tempos de crises doméstica e no exterior, Obama não tem a experiência de que os EUA precisam’, diz o anúncio.


Em texto à imprensa, a campanha republicana diz que a investida do rival atrasou o jogo decisivo da liga de beisebol, versão que o candidato repisara anteontem. ‘Quando eu for presidente, ninguém atrasará a World Series com ‘infomerciais’, disse. Tanto a campanha de Obama como a Fox, que transmitiria o jogo, negam.


Na reta final, a campanha de Obama vem inundando o ar com 7.700 comerciais por dia, o dobro da de McCain.’


 


 


TELES
Elvira Lobato


Teles descartam sinal de crise no setor


‘O setor das telecomunicações ainda não incluiu a palavra crise no vocabulário. As grandes empresas do setor sustentam que não há sinais de recessão em seus horizontes e que manterão os investimentos que estão programados para o ano que vem.


Para João Cox, presidente da Claro, o setor de telecomunicações será um dos pilares do crescimento econômico no ano que vem, por causa das metas de universalização impostas pela Anatel (Agência Nacional der Telecomunicações) nos leilões de venda das licenças para a terceira geração da telefonia celular.


A Anatel fixou prazos para as empresas oferecerem banda larga sem fio, a partir da assinatura dos contratos de licença de 3G, no início deste ano: dois anos para o atendimento às capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes; quatro anos para as cidades com mais de 200 mil habitantes, até a cobertura de todos os municípios, em dez anos.


Evidência do otimismo que impera no setor é a previsão de ingresso de 20 milhões de novos assinantes de telefonia celular em 2009, o que equivale a uma expansão anual de 16% da base de assinantes instalada. Há expectativa, também, de que o conjunto das teles (fixas e móveis) invistam R$ 19 bilhões no ano que vem, o que corresponde à média dos investimentos anuais verificada nos últimos dez anos, desde a privatização da Telebrás.


O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, diz que a empresa investirá na expansão de sua rede, em 2009, o mesmo patamar deste ano, de cerca de R$ 4,2 bilhões, sem considerar as aquisições das licenças de 3G e a compra da Brasil Telecom. Só nesta última, o investimento total projetado é de cerca de R$ 12 bilhões.


‘A crise de Wall Street leva muito mais tempo para chegar ao assinante do pré-pago do que ao exportador’, brincou Falco. Ele disse que também não vislumbra redução de contratos por parte de clientes corporativos, que, segundo ele, enxergam as telecomunicações como um instrumento de geração de negócios.


O presidente da Vivo, Roberto Lima, mantém o mesmo tom dos concorrentes, de que os investimentos serão mantidos. Segundo ele, a Vivo conseguiu captar R$ 550 milhões através da emissão de notas promissórias, depois de iniciada a crise global. A captação, segundo ele, foi para rolagem de dívidas que vencem em novembro.


Apesar do otimismo demonstrado, os executivos admitem que a alta do dólar pode produzir algum impacto nas vendas de celulares para o Natal, porque 95% do custo dos aparelhos celulares são atrelados ao dólar. A desvalorização do real, segundo Cox, será repassada para o preço dos aparelhos, se a cotação do câmbio não refluir.


A Claro anunciou ontem que chegou ao final do terceiro trimestre com 35,677 milhões de assinantes, o que a coloca na posição de segunda maior operadora de telefonia celular do país, com 25,3% do mercado, atrás da Vivo. A receita no trimestre foi de R$ 2,9 bilhões.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 30 de outubro de 2008


 


GREVE
Tânia Monteiro e Leonencio Nossa


Funcionários da TV pública entram em greve


‘Funcionários concursados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a antiga Radiobrás, entraram em greve na tarde de ontem por reajuste salarial. O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal estima que 200 dos 1.200 empregados da empresa participam da paralisação, incluindo pessoal do programa de rádio Voz do Brasil, da Agência Brasil e de telejornais. Houve piquete na portaria da sede da empresa, em Brasília. A coordenação do movimento esperava a adesão dos funcionários de São Paulo e do Rio.


Os grevistas reclamam que, durante o processo de criação da TV Pública, em 2007 e neste ano, a direção da empresa discriminou setores da antiga Radiobrás, garantindo a apenas uma parte melhores condições salariais e de trabalho.


O movimento recrudesceu ontem à tarde, segundo funcionários, quando a direção da EBC divulgou internamente comunicado alertando os grevistas de possíveis sanções, como determinam o estatuto da empresa e as leis trabalhistas. ‘No entender desta presidência, a greve é intempestiva e intransigente, por ter sido decretada em meio às negociações do novo Plano de Cargos e Salários e da data-base das categorias’, diz o texto, assinado por Tereza Cruvinel, diretora-presidente. ‘Esta presidência reforça aos diretores, gerentes-executivos, gerentes, coordenadores e chefes de unidades que o trabalho deve seguir normalmente.’


A direção afirma que não teve a oportunidade de encaminhar aos sindicatos uma contraproposta definitiva. A EBC argumenta que havia concordado em conceder reajuste mínimo de 7,1% a todos os funcionários e a prorrogação do atual acordo coletivo de trabalho. Os funcionários querem equiparação salarial de jornalista ao piso dos técnicos, que é de R$ 2.500. A EBC aceita pagar R$ 2.100.


No final da tarde, a empresa divulgou uma nota em termos mais brandos. ‘Houve intransigência e incompreensão do relato sobre a reunião ocorrida hoje (ontem) entre os sindicatos e a direção da empresa, na qual foi assegurado que, com a implantação do plano de carreira não ficaria um só funcionário sem a garantia mínima de reposição de 7,1%, além dos demais benefícios oferecidos pelo novo plano de carreira, que traz incremento de até 42% nos pisos salariais.’


A direção disse esperar uma reconsideração para que as negociações prossigam nas próximas horas e seja possível concluir o acordo em curso.’


 


 


MANIFESTO
Alexandre Rodrigues


Internautas protestam por Gabeira


‘Simpatizantes do deputado Fernando Gabeira, candidato derrotado do PV à Prefeitura do Rio, estão usando a internet, instrumento estimulado por ele durante a campanha, para organizar um protesto contra o resultado da eleição. Gabeira perdeu para Eduardo Paes (PMDB) por apenas 55 mil votos, num segundo turno marcado pela campanha negativa de panfletos apócrifos e flagrantes de boca-de-urna.


Logo após a apuração, no domingo, amigos criaram uma página no site de relacionamentos Orkut para discutir casos de boca-de-urna – atividade irregular – no segundo turno, que favoreciam Paes em sua maioria. Em três dias, a comunidade já contava 10 mil adeptos. Um manifesto intitulado ‘Movimento Pró-Democracia’ se espalhou pela internet em blogs e correntes de e-mails.


Panfletos virtuais convocam ‘indignados’ para uma passeata no Centro do Rio amanhã. Vestindo preto, os jovens que tem trocado mensagens freneticamente nos últimos dias pretendem se concentrar na Cinelândia e seguir até a sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), para pressionar a Justiça a investigar denúncias de propaganda negativa contra Gabeira.


Embora não escondam que são eleitores de Gabeira, os envolvidos definem o movimento como ‘apartidário, pacífico, espontâneo e democrático’.


A manifestação está sendo planejada seguindo as linhas da campanha do verde, como uso intensivo da internet, material artesanal e cidade limpa. Cada grupo tem de evitar que panfletos sejam jogados no chão durante a caminhada.


Os organizadores pedem que os manifestantes levem câmera para registrar tudo no YouTube. São vetadas alusões a partidos ou candidatos – até mesmo a Gabeira. Já narizes de palhaço, cornetas e ‘pinturas no corpo’ são bem-vindos.


‘Cogitamos entrar em contato com o Gabeira, mas percebemos que isso iria contra um dos ideais do movimento, o apartidarismo’, disse Matheus Tavares, de apenas 17 anos, autor do manifesto que deu origem ao movimento. Ele conversou com o Estado pelo Messenger, ferramenta de comunicação instantânea pela internet.


Embora alguns membros da comunidade defendam a anulação do pleito, Matheus afirma que não é esse o objetivo. ‘Não queremos ser tachados de eleitores chorões do Gabeira. Queremos que o TRE investigue os crimes. Anular as eleições, ou não, é com o TRE’, argumenta.


Matheus tirou o título de eleitor em janeiro, mas se diz decepcionado com a guerra suja na eleição em que estreou nas urnas. Ele ficou surpreso com a grande adesão à comunidade criada por seus amigos sem grandes pretensões, mas a considera um reflexo de que a maior parte dos jovens rejeita a política feita nos moldes tradicionais.


Gabeira considerou a mobilização de jovens pela internet um dos principais legados de sua campanha. ‘Fico muito feliz de ter chegado aos jovens, até a crianças que ainda não votam. Isso envolve o futuro. A resposta a uma aliança diferente, com a sociedade. É uma mensagem que vai ser levada para os políticos em geral.’


O coordenador da fiscalização da propaganda eleitoral, Luiz Fernando Santa Brígida, informou que foram flagrados cabos eleitorais fazendo boca-de-urna para os dois candidatos. No entanto, a maioria era ligada a Paes. Ele está finalizando um relatório que será entregue aos juízes e ao Ministério Público Eleitoral, que poderão estabelecer punições.’


 


 


ELEIÇÕES NOS EUA
AP e Reuters


Obama monopoliza mídia na reta final


‘A campanha do democrata Barack Obama concentrou ontem suas apostas em uma nova ofensiva midiática para tentar consolidar sua liderança na corrida presidencial americana. Além do comercial de 30 minutos do candidato – que foi ao ar em rede nacional no horário nobre -, Obama ainda deu entrevistas para importantes programas de TV e participaria de um comício com o ex-presidente Bill Clinton na Flórida, Estado crucial para a votação de terça-feira.


De olho nos indecisos a menos de uma semana da eleição, o democrata foi entrevistado na Carolina do Norte pela rede ABC. Mais tarde, Obama participou do programa The Daily Show, de Jon Stewart, direto da Flórida – no qual admitiu que, se eleito, seu gabinete seria composto também por republicanos.


As entrevistas foram concedidas antes e depois do programa especial de campanha veiculado por três grandes redes nacionais – CBS, NBC e Fox. Cada uma delas recebeu cerca de US$ 1 milhão para divulgar a propaganda. A Univision, de língua espanhola; a Bet, que tem os negros como público-alvo; a MSNBC e a TV One também veicularam a propaganda.


O anúncio, que teve a economia como tema principal, incluiu uma entrada ao vivo de Obama (mais informações nesta página) a partir da Flórida. Foi a primeira vez em 16 anos que um candidato presidencial comprou um espaço de 30 minutos no horário nobre para explicar suas propostas. ‘Queremos nos assegurar de que cada eleitor votará sabendo exatamente o que Obama fará para conseguir uma mudança fundamental como presidente’, afirmou um porta-voz de campanha.


A compra de espaço no horário nobre das maiores redes de TV dos EUA ressalta a discrepância financeira entre as campanhas de Obama e do republicano John McCain. Segundo dados da TNS Media, Obama gastou mais de US$ 205 milhões em anúncios na TV, enquanto McCain destinou US$ 119 milhões de sua verba para esse fim. A estratégia do democrata foi duramente criticada por McCain, que lançou ontem uma propaganda atacando a decisão de Obama de comprar espaço no horário nobre.


‘Por trás de discursos luxuosos, grandes promessas e especiais de TV, está a verdade: com crises em casa e fora do país, Barack Obama não tem a experiência que a América precisa’, afirma o spot. McCain também criticou Obama por seus anúncios terem atrasado um jogo do campeonato de beisebol.


O senador republicano tem tentado também tachar Obama de ‘socialista’, alegando que ele pretende ‘distribuir a reiqueza’. ‘Minha proposta é para produzir riqueza’, disse McCain. Respondendo aos ataques, Obama disse: ‘Até o fim da semana, ele (McCain) estará me acusando de ser um agente secreto comunista por eu ter dividido meus brinquedos no jardim da infância.’


CAMPANHA NA FLÓRIDA


No fim da noite, Obama ainda participou de um comício com Clinton em Kissimmee, na Flórida. A cidade é de grande importância para a vitória no Estado e a presença do ex-presidente pode ajudar Obama a conquistar o voto dos brancos da classe operária que apoiaram Hillary Clinton nas primárias. Esse será o primeiro evento de campanha no qual Obama e Clinton apareceram juntos desde junho. McCain também está na Flórida, onde se reuniu com assessores para discutir segurança nacional. Ele também deveria participar na noite de ontem do programa Larry King Live, da CNN.’


 


 


AP e Reuters


Na TV, histórias e cenas da vida americana


‘No programa de ontem à noite, Barack Obama prometeu um alívio fiscal para a classe média e honestidade em seu governo. ‘Não serei um presidente perfeito, mas prometo que sempre direi a vocês o que penso’, disse o democrata. O programa de meia hora, que custou cerca de US$ 4 milhões, foi transmitido em horário nobre pelas principais redes de TV do país.


As imagens do programa mostraram cenas da vida do candidato filmadas por Davis Guggenheim, cujo pai foi o documentarista da campanha de Robert F. Kennedy. Em um determinado momento, quando surgiram flashes de bairros residenciais, Obama apareceu sentado à mesa de uma cozinha com um grupo de eleitores brancos operários.


‘Nos últimos oito anos, vimos até que ponto as decisões de um presidente podem influenciar o curso da história e a vida dos americanos. Em grande parte, o que está errado no país começou até mesmo muito antes disso.’


Então, apresentando-se de terno, de pé diante de uma escrivaninha imponente e uma bandeira dos EUA, ele afirmou. ‘Falamos há décadas dos mesmos problemas e nada foi feito para resolvê-los.’


AO VIVO


O programa exibiu em seguida um curta-metragem com a história de quatro famílias americanas e seus problemas. As histórias mostraram os desafios que as pessoas enfrentam e o que devem fazer para tentar solucioná-los. No fim, o programa mostrou o discurso que Obama estava fazendo, ao vivo, na Flórida, acompanhado de seu vice-presidente, Joe Biden.


Obama também mostrou a história de sua mãe, que morreu de câncer de mama, explicando ‘as dificuldades que ela teve com o plano de saúde, para ajudar os telespectadores a compreender por que o programa de reforma da saúde que ele apresenta é tão importante’.


Ross Perot, o último candidato à presidência que apresentou programação semelhante, usou oito programas desse tipo com um audiência média de 13 milhões de espectadores, sendo que um deles alcançou 16,5 milhões de espectadores.


Os assessores de John McCain consideraram a idéia exagerada, e o republicano criticou a possibilidade de que a propaganda se sobrepusesse à rodada de beisebol da World Series, exibido pelo canal Fox, por 15 minutos. ‘Ninguém atrasará a World Series com um comercial quando eu for presidente’, afirmou em Hershey, Pensilvânia.


Executivos da Fox disseram que foram eles, e não a campanha de Obama, que pediram à federação de beisebol que transferisse o início do jogo de ontem à noite, marcado para as 20h20, para as 20h35, a fim de permitir a transmissão de sua propaganda. Mas, disseram, de todo modo o atraso não seria necessário: o jogo que começou mais cedo teve início às 20h30. Por sua vez, os assessores de Obama afirmaram não estar preocupados com a possibilidade de perder telespectadores.’


 


 


TELES
Renato Cruz


Oi já admite renegociar acordo de compra da BrT


‘O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, admitiu ontem, pela primeira vez, a possibilidade de mudar o contrato de compra da Brasil Telecom (BrT). Ele disse que é ‘muito difícil, mas não impossível’ que isso aconteça. ‘Não vejo essa hipótese nesse momento’, disse o executivo. O contrato prevê que, se a aquisição não for aprovada pela Anatel até 21 de dezembro, a Oi terá de pagar uma multa de R$ 490 milhões aos controladores da BrT. ‘Se não for aprovado até o dia 21, vai voar um cheque’, acrescentou Falco.


Há algumas semanas, analistas disseram que, por causa da mudança do mercado e da queda das ações das empresas na Bolsa, a Oi poderia tentar renegociar as condições do acordo. A operadora, porém, negou que estivesse estudando qualquer alteração. Além disso, a empresa não contava com a demora na aprovação do Plano Geral de Outorgas (PGO), um decreto presidencial que vai permitir a fusão entre as empresas, hoje proibida. Apesar de o negócio ter sido anunciado em abril, apenas este mês o novo PGO foi aprovado pelo conselho diretor da Anatel. Mas ainda tem de passar pelo crivo do conselho consultivo da própria Anatel e do Ministério das Comunicações, para, só depois, seguir para sanção presidencial.


Falco reclamou também, durante o evento Futurecom, em São Paulo, das contrapartidas que podem ser exigidas à empresa para a aprovação da compra da BrT. Segundo ele, dependendo das imposições da Anatel, elas poderiam ‘acabar matando’ a nova empresa, por aumentar os custos ou inibir investimentos a ponto de inviabilizar a operação. O executivo explicou ainda que essa ameaça depende mais da dosagem que do tipo de contrapartida exigida.


Na segunda-feira, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que a proposta de PGO aprovada pela Anatel ainda tinha umas ‘gordurinhas’. Ele não enumerou quais, mas, segundo fontes, uma delas é a exigência de que as operadoras sejam mantidas como empresas de capital aberto, o que atrapalha os planos da Oi, que pretende comprar todas as ações com direito a voto da BrT, tendo 100% do controle. Segundo Falco, como a BrT será incorporada pela Oi e a Oi continuará com capital aberto, o regulador poderia considerar que a aquisição obedece às regras propostas.’


 


 


INTERNET
O Estado de S. Paulo


Yahoo e AOL negociam fusão


‘O Yahoo e a America Online (AOL), do grupo Time Warner, estão levando a cabo ‘significativas’ análises contábeis sobre uma possível fusão, mas um acordo não é iminente, disse uma pessoa familiarizada às conversas. As conversas entre os dois lados avançaram nas ‘últimas semanas’ e estão atualmente focadas em determinar como seria uma empresa fruto da fusão e onde poderia haver corte de custos, disse a fonte, que não estava autorizada a falar publicamente.’


 


 


FOFOCA
Tutty Vasquez


Dado o que falar


‘Num dia, ela escreve em seu blog: ‘Me livrei duma roubada. Ia me casar com alguém que não conhecia’. Noutro, ele choraminga nos jornais: ‘Estou triste, quero pedir desculpas, reatar’. Na véspera, o barraco de Luana Piovani e Dado Dolabella havia desabado sobre a camareira da atriz, jogada longe pelo ator, que partia pra cima da namorada em briga de casal numa boate do Rio de Janeiro.


A agressão está sendo apurada no 16ª DP, o resto da fofoca chega hoje em detalhes às bancas de revistas de celebridades e, cá entre nós, a vida íntima de dois seres humanos exposta desse jeito levanta aquela velha questão: isso é invasão ou evasão de privacidade? Seja como for, o fato de Luana Piovani estar em cartaz nua da cintura pra cima no Teatro Leblon é, de tudo, o menos pornográfico.’


 


 


TELEVISÃO
Gustavo Miller


MTV lança site apenas de videoclipes


‘Para os saudosistas daquela MTV que exibia quase 24 horas diárias de videoclipes, um site lançado pela rede americana no começo desta semana dá um gostinho de como era a Music Television em seus primeiros anos de vida.


Apropriando-se do clássico slogan de 1981 (‘I want my MTV’), o MTV Music (www.mtvmusic.com) é um grande depósito dos clipes musicais que marcaram a história do canal. Para se ter uma idéia, já são 22 mil vídeos na página.


Há material fresquinho, como os novos clipes de Britney Spears, Beyoncé e Maroon Five, mas o filé mesmo é o material da década de 1980.


Entre os clipes mais vistos do MTV Music estão os clássicos Video Killed the Radio Star, do The Buggles (o primeiro videoclipe a ser exibido no canal); Money For Nothing, do Dire Straits – o primeiro a passar na MTV Europa -; e o premiadíssimo Sledgehammer, de Peter Gabriel.


Outra: até os vídeos mais antigos estão com boa resolução e cada videoclipe tem as suas informações básicas – quem o dirigiu, por exemplo. Só por esses dois quesitos, o MTV Music já fica muito à frente do YouTube, apesar do arquivo menor.’


 


 


 


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