Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Lucidez ou provocação?

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 11/01/2011 na edição 624

Não faz muito tempo (04/01) que Ruy Castro, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, fez um pequeno comentário ao canal Bandnews sobre o microblog Twitter que merece reflexão: o jornalista, que também é biógrafo e escritor (além de viciado em notícias), disse que não via sentido em comparar os enormes e crescentes números de usuários do Twitter (175 milhões até agora…), com a decrescente circulação dos jornais tradicionais. O mero cotejo de números levaria, segundo ele, a um grande equívoco. Um desenho equivocado da realidade. Lembre-se, caro leitor, que Castro, além das qualificações acima citadas, é também um grande provocador…

Usando o New York Times como exemplo (o terceiro mais lido nos Estados Unidos, atrás do USA Today e do Wall Street Journal, e o 23º no ‘ranking‘ mundial….), o nosso mais famoso biógrafo da atualidade afirmou que o Twitter não pode produzir conteúdo como faz um periódico convencional. Não pode aprofundar temas, fazer investigações e pesquisas, produzir editoriais ou publicar artigos mais longos, tantas e tantas vezes necessários… Até onde podemos ir, com apenas 140 palavras ou menos? Em 26 de julho de 2009, o escritor José Saramago, em entrevista por e-mail ao ‘O Globo-Blogs’, comentou:

‘Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.’

A crítica é justa e certeira: há pensadores sérios que acreditam que estamos diante da possibilidade de um futuro de gerações iletradas. Mas passemos adiante. Mesmo perdendo receita e leitores, o papel social de um grande jornal ainda tem grande relevância na formação da opinião pública. Mesmo neste momento, quando a produção desta passa necessariamente por uma interlocução entre o jornalismo histórico tradicional, e o material veiculado diretamente pelo público nas redes sociais, blogs e outros meios digitais.

Que os ares límpidos do terraço continuem a inspirar o Ruy Castro. Numa época confusa como a que vivemos, precisamos de jornalistas de verdade, profissionais apuradores de fatos, pesquisadores da realidade com experiência e maturidade, para que não sejamos lançados no imediatismo digital.

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Consultor de Urbanismo, professor e tradutor

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