Domingo, 31 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Monopólio da RBS em Santa Catarina

Por Rogélio Paulino Luetke em 23/01/2007 na edição 417

O artigo de Laura Schenkel, reproduzido do boletim e-Fórum nº 116, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (‘Formação de monopólio da RBS em SC será questionada‘), foi muito esclarecedor. Hoje cancelei a renovação de minha assinatura do jornal, do qual devo ser assinante há quase 15 anos. Escrevi um e-mail longo para justificar o porquê e, acessando alguns sites, cheguei ao Observatório da Imprensa. O jornal A Notícia, que era muito bom, começou a ficar ruim após a incorporação pela RBS. A seguir, o e-mail enviado. Parabéns ao Observatório da Imprensa.




Sou assinante do jornal A Notícia (mais de 10 ou 15 anos, nem lembro mais) e, em meados de dezembro de 2006, alguns dias antes de viajar com a família para o litoral, como sempre vinha fazendo nos anos anteriores, liguei para o jornal e solicitei que a entrega fosse transferida para a praia, temporariamente. Fui bem atendido por uma srta. que anotou cuidadosamente os dados, logo após que informei o número do telefone e o nome. Então foi combinado que, a partir do dia 27/12, o jornal deveria ser entregue na Avenida Santa Catarina (segunda principal e paralela a Av. Atlântica) no mesmo número que havia sido entregue no ano anterior. O retorno da entrega do jornal em meu domicílio de Joinville deveria acontecer no dia 10/01/07. Então fomos felizes curtir alguns dias de férias na praia.


No dia 27/12, o jornal não apareceu. Não dei muita importância, apesar de sentir falta do hábito da leitura diária. Então, lá pelas 9 horas, resolvi ligar (só consegui após oito tentativas, pois ou ninguém atendia ou estava sempre ocupado). Até que uma pessoa atendeu (tive que confirmar todos os dados novamente) e, após, a confirmação de que estava tudo ok com minha solicitação, me informou que naquele dia a entrega estava atrasada por causa da chuva. Pensei: ‘Tudo bem, afinal o entregador deve vir de moto e é bom ter cuidado na estrada com chuva’. Terminou a manhã e nada do jornal. Nem tampouco até o final do dia. Mas, que bobagem, estou de férias, e ficar sem ler o jornal um dia não teria importância.


No dia seguinte (28/12), assim que acordei (eta vício danado), fui procurar o bendito jornal. Nada de encontrá-lo. Aproveitei para passear e ver algumas pessoas tentando pescar de cima da Ponte Velha.


Comprei pães e leite, voltei para casa e tomamos o café. Aí pensei: ‘Tomara que não estejam entregando o jornal em Joinville, pois isso pode ser perigoso pelo fato dos transeuntes verificarem que não tem ninguém em casa’. Então, tentei ligar para o jornal novamente. Depois de mais de onze tentativas, novamente uma moça atende, pede para confirmar todos os dados de novo… e avisa que está tudo ok e que o jornal deverá ser entregue. Termina o dia e o jornal não aparece de novo. Como todas as coisas têm seu lado positivo e devemos vê-las assim, pensei: ‘Já consegui ficar dois dias sem ler o jornal’.


No dia seguinte (29/12), logo cedo, não resisti e fui tentar encontrar o jornal. Também não estava lá. Aí pensei: ‘Deve ter alguém levando o jornal antes de mim’. Mas perguntei e investiguei nos arredores e nada encontrei. Então comecei a ficar chateado, mas ficar ligando novamente para reclamar, nem pensar. Passou mais um dia e nada do jornal. ‘Puxa, consegui ficar três dias longe desse vício!’


Já no dia seguinte (30/12), não estava mais muito preocupado com o jornal, mas não resisti e logo que saí da cama fui procurá-lo. E ele estava lá. Finalmente. Num primeiro momento, tentei resistir e pensei ‘só de raiva não vou lê-lo’, mas não consegui.


Desse dia em diante, a entrega foi normal.


no dia 10/01/07, já em Joinville, acordei e fui buscar o jornal em frente de casa. Mas ele não estava lá. Pensei: ‘A julgar pelo que aconteceu, não havia porque ficar surpreso. Vou tentar me livrar desse vício de novo’. Nem pensar em ligar dezenas de vezes novamente e ouvir as mesmas desculpas. No entanto, minha esposa, que conhece um dos diretores atuais do jornal, já havia ligado e reclamado diretamente a ele. Porém, eu estava tranqüilo, supria meu vício lendo a revista IstoÉ e, como aproveitei na praia, lendo outros livros. Nos dias 11 e 12/1, também nada do jornal. No dia 13/1 (sábado) para minha surpresa, entro em casa após sair para comprar alguns materiais de construção e minha esposa me passa o telefone. Pergunto quem é. Ela diz que é do jornal A Notícia. A voz na linha tinha um sotaque gaúcho e disse se chamar Sabrina e que estava falando de Porto Alegre. Ficou justificando que com a incorporação do jornal pela RBS alguns arquivos foram perdidos. Me pediu paciência e que o problema em breve seria resolvido. Disse também que havia muitos casos iguais ao meu, em função dos registros perdidos!! Tentei e fui bem educado com ela, mas não deixei de demonstrar minha indignação.


Depois tive uma recaída e pensei: ‘Que bom, hoje é sábado e daqui a pouco alguém deve vir entregar o jornal. Pois ligaram diretamente de Porto Alegre, tchê! E amanhã é domingo, o dia que mais gosto de ler esse bendito jornal’.


Mas, passou o sábado, o domingo e estou aqui no dia 15 (segunda-feira) escrevendo tudo isso. Para encerrar, gostaria de agradecer a todos(as) que contribuiram para me libertar desse vício. Se essa mensagem chegar a algum diretor(a), por favor não pense em punir quem quer que seja da empresa. Pelo contrário, se eu lembrasse o nome de todas que me atenderam, levaria um chocolate como agradecimento, pois esse vício (do chocolate) não quero me livrar.


PS: No início de dezembro de 2006 uma moça ligou e acabou me convencendo a renovar por mais um ano a assinatura. Acabei cedendo (foi o vício). Informo que voltei atrás, não autorizo a renovação automática, assim como não autorizarei que o Bradesco aceite o débito automático do jornal.


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Na sexta-feira (12/1), das 13h, li no site do Terra notícia que abordava possível corrupção no TSE. O relato era impressionante, pois a Polícia Federal, após longo período de escutas telefônicas, havia identificado uma verdadeira gangue instalada na Corte Suprema do país. Os números eram estarrecedores. A compra de alguns pareceres chegaria ao valor de 600 mil reais.


Pois ao final da tarde a notícia havia sido retirada do site. O que houve ? Não li uma linha nos órgão da imprensa brasileira sobre o tema. Também não vi nem ouvi absolutamente nada sobre o assunto. Os senhores podem me explicar o que houve? Por que esse silêncio? Assinado, um cidadão que cumpre com as suas obrigações. (Djalmo Sanzi Souza, dentista, Porto Alegre, RS)


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Na quinta-feira (18/1), no Jornal da Bandeirantes, às 19h15, fiquei chocado com a forma como foi noticiado o episódio do assalto à ex-miss Brasil Leila Shults. O noticiário começou citando que mesmo com a Força Nacional de Segurança no Rio de Janeiro houve uma morte de uma mulher que foi esquartejada e jogada perto de um Rio; e, segundo o telejornal, o que ‘mais chamou a atenção’ foi o assalto à ex-miss Brasil, que teve três dedos cortados pelos criminosos. Sem juízo de valores, pergunto: o que mais chama atenção para a mídia? Três dedos cortados ou um corpo humano esquartejado? Aí me vem aquela imagem estressante da Rede Globo: será que a mulher esquartejada precisaria ser filha de alguém famoso para chamar a atenção? (Gilmar Santos, funcionário público, Divinópolis, MG)


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Queria deixar registrado minha estranheza pelo fato de a Veja ignorar a tragédia do metrô em São Paulo. Não deu uma chamada de capa e nem ‘politizou’ o assunto, como é de seu feitio. O que os colaboradores do site acham? (Daniel Cymbalista, fotógrafo, São Paulo, SP)

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Professor, Joinville, SC

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