Sábado, 04 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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FEITOS & DESFEITAS >

Relacionamento conflituoso com a fonte

Por Alcy Belizário de Souza em 01/06/2010 na edição 592

No século 17 surgiu o jornalismo que exaltava principalmente o discurso do Estado e da Igreja. Em 1609, os primeiros jornais veiculavam somente as idéias da burguesia, relatando fatos corriqueiros e outros de interesse geral. No Brasil, este publicismo difundia a chegada e partida de navios, propagandas e divulgação de escravos fugitivos.

Já no século 19, surge um novo modelo de reportagem, com mais técnica, para leitores ávidos de notícias em estilos espetaculares e sentimentalismo, formatando assim um costume próprio e capitalista, por causa das variáveis e infundadas informações colhidas nas ruas e junto aos setores governamentais.

Hoje, o relacionamento entre a mídia, população e o estado continua conflitante por causa da exigência das notícias. Gerando assim informações para preencher tempo e espaço voltados também ao capitalismo, o que compromete a apuração dos fatos conforme as regras impostas pela ética profissional do jornalismo, contidas em seu Código de Ética, aprovado em congresso da categoria, que registra em seu artigo 6º que […] é uma atividade de natureza social, e de finalidade pública […] e no artigo 7º consta que o jornalista deve ter o compromisso com a verdade.

O quadro clínico

Segundo José Luiz Alcântara, as fontes de controle social e as pessoas em conflito com a lei não são contatos confiáveis para apurar informações, declaração registrada no livro Mídia e violência: tendências na cobertura de criminalidade e segurança no Brasil (2007), justificando assim uma apuração jornalística diversificada, como foi o caso da notícia ‘Sargento é baleado na saída de supermercado’, fato ocorrido na última sexta-feira (21/5) em Campo Grande, Cariacica (ES), ocasião em que foi registrado erradamente o nome do militar como sendo ‘Belizário’, veiculado tanto na mídia escrita quanto na televisiva do estado do Espírito Santo.

Por causa deste relato contraditório, entre a ‘mídia e a fonte’, o nobre que lhes escreve e a família receberam várias ligações para saber qual era o quadro clínico do ‘Belizário’, meu nome conhecido nos artigos publicados e na academia (Faesa).

Após ler a notícia, o verdadeiro ‘Belizário’, imediatamente informou a mídia capixaba do equívoco ocorrido e que a vítima do fato era o sargento N. J. F. S.

Obstrução da coleta de informações

A confiabilidade do repórter e a fonte é o conceito forjado por interesses, aludindo que ele está sempre nos locais inacessíveis ao leitor, ouvinte ou espectador. Função de controle social delegada pelo público que autoriza a mídia a ser os ouvidos e olhos, selecionando o que pode ser interessante ou não para o povo, e não para o privado, ocultando às vezes a verdade.

A relação de amor e ódio ocorrida no Espírito Santo entre a mídia, as instituições governamentais e a população foi marcada pela apuração dos fatos do ‘Caso Aracelli’, ano de 1973, registrado no documentário Caso Aracelli: A cobertura da Imprensa, trabalho de conclusão de curso de Rádio e TV/Faesa/2005, de Diego Herzog e Tatiana Beling, que identificou vários problemas éticos na divulgação dos fatos, fazendo assim uma ligação com o ‘populismo’ exposto pela mídia dominante no século 17, quando a classe menos favorecida em conformidade com atualidade era impedida de ter acesso à informação de qualidade em virtude do gerenciamento e interatividade da imprensa com a fonte oficial e não oficial, as quais sempre resistem na obstrução da ação de coleta de informações, o que ocasiona a apresentação da realidade em formato de retalhos.

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Bacharel em Comunicação Social, funcionário público estadual e especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública

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