Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Se fosse Palocci, a notícia era outra…

Por Paulo Henrique Rodrigues em 12/12/2006 na edição 315

Os ambientalistas – ‘carrascos do desenvolvimento’ – torcem, rezam e até plantam bananeiras para que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, vença a queda-de-braço contra a colega da Casa Civil, Dilma Rousseff. Infelizmente, Marina não contará com o mesmo amparo por parte da imprensa, que parece optar por uma imparcialidade suspeita ou pela defesa de uma ‘flexibilização’ da nossa Lei Ambiental, a mais avançada do mundo, que o presidente Lula transformou em ‘bode expiatório’ do desenvolvimento pífio.

É surpreendente a simpatia de alguns formadores de opinião em relação a Dilma. Em recente debate entre ela e o então titular da Fazenda, Antonio Palocci, grande parte da imprensa se postou ao lado do ex-prefeito de Ribeirão Preto, criticando as propostas macroeconômicas ‘irresponsáveis’ da ministra. Exigirei menos da sua memória, caro leitor: Lula reeleito, o ministro Tarso Genro foi desautorizado pelo presidente da República – quase que a pedido da imprensa – por ter dito que a ‘Era Palocci’ chegara ao fim. Há quem defenda Palocci – e sua política econômica – mesmo depois do escândalo sobre supostas festas abrigadas numa maldita mansão de Brasília. Mas não há quem gaste saliva, tinta e papel para defender a ministra Marina Silva.

Solução

É um exemplo de uma ambigüidade da imprensa bastante visível. Na defesa da política econômica austera, usam-se argumentos convincentes: a importância da estabilidade da moeda, a garantia da poupança, a necessidade de corte de gasto público para que sobre dinheiro para o investimento. O óbvio. Mas, do ponto de vista ambiental, é impressionante como verdades já comprovadas cientificamente – como o efeito estufa e a necessidade do uso sustentável de recursos naturais – ainda são tratados com muita timidez e/ou – o que é mais grave – ‘versão’ por parte da imprensa.

Beira o ridículo a comparação de crescimento entre países emergentes, principalmente os chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), que se tornou um lugar-comum nas editorias de Economia. Todo mundo sabe que o crescimento chinês é insustentável, nada exemplar, muitos menos modelo para o Brasil. Mesmo assim, insistem nessas comparações absurdas, que acabam alimentando frases como a do presidente Lula.

Eu não sei quais são os entraves para o desenvolvimento brasileiro, mas qualquer pessoa com um mínimo de bom senso sabe que meio ambiente é solução. Se o Brasil fosse um país pobre em recursos naturais, deveríamos nos preocupar. Mas não é o caso. O governo acaba de dizer que o país tem condições de triplicar a produção agrícola sem derrubar sequer uma árvore, tamanha a quantidade de terras desmatadas abandonadas. Se isso é verdade, esta é a notícia! Não os supostos obstáculos criados pelo movimento ambiental. A própria Lei de Gestão de Florestas – que é vista de soslaio por alguns ambientalistas – é prova do esforço da ministra Marina Silva em contribuir para o desenvolvimento de maneira responsável. Quando à ministra Dilma, preferia quando apontava sua artilharia para a Fazenda e o Banco Central…

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Jornalista, Rio de Janeiro

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