Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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FEITOS & DESFEITAS >

Um jornal antidemocrático

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 22/06/2010 na edição 595

Por várias vezes venho criticando a postura do jornal O Povo, que circula na cidade de Fortaleza, mas que pode chegar a todos lugares do mundo através da rede web mostrando assim o poder da comunicação. Um dos problemas mais gritantes do jornal hoje é a mudança de postura quanto à sua linha editorial e o quesito de atendimento do leitor, que é precário, sem interatividade e completamente antidemocrático devido à forma pela qual os jornalistas responsáveis pela redação se recusam a receber as pessoas na portaria do jornal alegando estar ocupados, quando sabidamente não o estão. Tal fato é reforçado na comunicação via e-mail, que certamente não é lido pelos jornalistas nem respondido, o que denota falta de respeito com quem se comunica, com quem procura divulgar uma informação.

Atualmente, a opinião do leitor está sendo pouco divulgada, pois há uma preferência que é extremamente falha, onde são publicados comentários feitos no portal que já são publicizados na internet e certamente não teriam necessidade de ser publicados no jornal impresso. Outra questão deprimente é o fato do jornal não acolher denúncias contra a prefeitura de Fortaleza ou contra o governo do estado, talvez por serem seus grandes anunciadores ou por preferências ideológicas de seus jornalistas. Tal situação vem sendo denunciada ao ouvidor do jornal, que acolhe as questões porém não há providências convincentes para os que reclamam, pois os jornalistas dos diversos núcleos do jornal não aceitam questionamentos dos leitores que forem de encontro ao Código de Ética publicado nas páginas online do jornal.

Diz o Código que ‘a informação será sempre passada ao leitor de maneira precisa, exata, substantiva, respeitando-se os limites da privacidade e do bom senso. Adotaremos uma atitude crítica e fiscalizadora dos atos das pessoas, empresas, instituições e poderes públicos, sendo tal postura aplicável a particulares e à empresa privada, quando se configurar, clara e continuadamente, agressão aos direitos individuais, à comunidade e ao interesse público’. Vemos claramente nas atitudes dos jornalistas que tais propostas não condizem com a realidade posta em prática nos diversos núcleos do jornal, o que abala sua credibilidade e seu papel maior: informar com isenção e credibilidade.

Um bom jornal começa pela portaria

Mais na frente, o mesmo Código de Ética preconiza que ‘fiscalizaremos a ação dos poderes públicos na defesa do interesse comunitário e da cidadania, na busca do equilíbrio político e no fortalecimento das instituições e liberdades democráticas’, o que mais uma vez não é verdade, pois muitos leitores enviam denúncias de problemas referentes à prefeitura de Fortaleza e estes artigos são refutados sem motivo aparente ou razão de sua não-publicação.

Desse modo, sugerimos urgência na mudança do modo de ser dos jornalistas que fazem parte do grupo editorial do jornal, pois a postura que hoje praticam não se coaduna com a de uma imprensa livre e independente e dá a impressão que o jornal está mais a serviço dos interesses dos que fazem o Poder do que da população em geral, o que é triste neste momento em que se propaga a necessidade firme de ética e cidadania em todos os sentidos.

Sugerimos também que o ombudsman seja respeitado e que não se transforme em psicoterapeuta que apenas ouve queixas que infelizmente não são levadas em conta pelo grupo editorial da instituição. Infelizmente, fazer jornalismo é uma tarefa árdua, porém quando feita com sinceridade e seriedade flui com maior respeito a todos e todas. A situação do jornal hoje é muito séria e precisa ser repensada para que haja credibilidade e mais conquista de público. Vale ressaltar que o concorrente do jornal é hoje bem mais aberto e flexível ante os questionamentos do Poder.

Enfim, sugerimos mais respeito ao leitor onde não haja escolha de matérias de acordo com os interesses que deixam dúvida na isenção do jornal. É preciso uma revisão urgente no modus operandi do jornal em todos os setores e em todas as ações. É uma pena que um jornal com mais de oitenta anos esteja dessa forma, o que acaba prejudicando o verdadeiro sentido da comunicação.

P S : Um bom jornal começa pela portaria, com atendentes respeitosas, simpáticas e disponíveis para atendimento, o que não acontece hoje na portaria do referido jornal e é uma pena e uma tristeza para a comunicação de nosso povo.

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Vice-presidente da Associação dos Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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