Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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A pesquisa e o lapso freudiano

Por Alberto Dines em 14/05/2010 na edição 589

A pesquisa do Datafolha sobre as escolhas de Dunga para a seleção parece desmentir a crença de que o Brasil é um país com 190 milhões de técnicos de futebol. Pelo menos em São Paulo, onde a pesquisa foi realizada em seguida ao anúncio dos 23 nomes que vão à África do Sul.


Se 57% dos entrevistados aprovaram a lista de Dunga, significa que o brasileiro deixou de ter opinião própria e vai na onda de um técnico severamente questionado pelos reis da crônica desportiva? Então os entrevistados não lêem jornal e não acreditam no que se diz nas páginas da editoria de Esporte?


A pesquisa oferece outro desdobramento no tocante ao trabalho da mídia: quanto mais interesse têm os entrevistados por futebol, menor é a aprovação das escolhas de Dunga.


Ora, imaginando-se que aquele que efetivamente se interessa por futebol deveria – em tese – guiar-se pelo que dizem os catedráticos, pode-se supor que estes que se interessam por futebol não acreditam no que diz a mídia.


Futebol e eleição


Outra conclusão que se pode extrair da pesquisa do Datafolha relaciona-se com os 66% que acham que o Brasil vencerá a Copa.


Levando em conta que Dunga fez um candente pronunciamento em favor do patriotismo e do comprometimento, estes 66% de otimistas seriam antes de tudo patriotas não muito entendidos nas teorias sobre futebol?


E se a pesquisa fosse realizada na quinta-feira (13/5), depois de o presidente Lula dizer ‘Tuma’ quando deveria dizer ‘Dunga’, os resultados seriam os mesmos?


Tudo é possível. Até agora, os colunistas políticos imaginavam que a Copa não se misturaria com as eleições, mas o lapso freudiano do presidente pode sugerir o contrário.

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