Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Hassan Fattah

01/11/2005 na edição 353

‘A batalha por corações e mentes muçulmanos é hoje travada em telas de TV e monitores de computador, e as massas que alternam jejum e banquetes no Ramadã oferecem uma audiência sempre disposta a assistir.


Pelo menos duas séries de TV inovadoras se concentram nos danos que o extremismo vem causando no mundo muçulmano, enquanto uma organização de mídia estreitamente associada à Al Qaeda deu início a um programa de videonotícias pela internet para contrabalançar o que caracteriza como ‘mentiras e propaganda’ difundidas até mesmo por canais árabes de notícias via satélite, como a Al Jazira, que já sofreu acusações de subestimar o grau de atividade da Al Qaeda.


As duas minisséries são uma pequena parte da vasta programação de comédias, dramas de época e histórias de amor veiculada no Ramadã por mais de cem canais via satélite neste ano. Cerca de dois terços da programação original árabe produzida durante o ano são transmitidos no nono mês do calendário islâmico, durante o qual as famílias se reúnem à noite para quebrar o jejum que observam de dia, e os anunciantes investem mais da metade de suas verbas nesse período. Mas as duas minisséries representam algo novo para as audiências árabes.


‘É a primeira vez, nos dramas árabes, que vemos pessoas que acreditam no Alcorão e ainda assim fazem o mal’, disse Ali al Ahmed, diretor da Abu Dhabi TV.


Toda noite, às 23h30, horário nobre na Arábia Saudita durante o Ramadã, o canal que ele dirige exibe ‘A Estrada Difícil’, que conta a história de um correspondente fictício de TV envolvido na produção de um documentário sobre os mujahidin do Afeganistão, o qual termina por descobrir corrupção e oportunismo na causa dos combatentes islâmicos.


Às 23h, a saudita Middle East Broadcasting Company exibe ‘As Belas Virgens’, baseada frouxamente na história real de um ataque de militantes a um complexo residencial que abriga estrangeiros na Arábia Saudita e causou 17 mortes em 2004. Produzida na Síria, a história começa logo após o ataque, com uma mulher ferida narrando sua história ao repórter, e acompanha as vidas das vítimas e dos agressores e sua perturbadora causa, enfatizando a crueldade e a corrupção da Al Qaeda.


A exibição da série é introduzida por uma dedicatória ‘à memória das vítimas inocentes de ataques terroristas’ e começa com uma citação: ‘Silenciar diante do crime também é crime’.


O programa noticioso na internet também procura atrair as massas que o Ramadã torna disponíveis. Os jovens árabes correm aos computadores depois das festividade noturnas, causando queda na velocidade de download.


Pouco antes do Ramadã, a Frente Mundial de Mídia Islâmica, grupo que muitos consideram porta-voz da Al Qaeda, divulgou uma proclamação em diversos fóruns de mensagens na internet e conclamou muçulmanos a colaborar com seus conhecimentos de produção e edição de vídeo.


Em setembro, ela começou a transmitir um programa noticioso de meia hora, ‘A Voz do Califado’, exibido em sites cujos endereços são regularmente alterados.


‘Trata-se de uma guerra na mídia entre a Al Qaeda e seus oponentes’, disse Montasser al Zayat, advogado e ex-porta-voz de um grupo militante egípcio. Ele disse que Ayman al Zawahiri, o número dois da Al Qaeda, estava ‘ávido por transmitir vídeos porque desejava passar a mensagem de que a estrutura organizacional do grupo ainda existe e dizer aos americanos que ele continua lá’. Tradução de Paulo Migliacci’




ARGENTINA
Janaína Figueiredo


‘Argentina: Doze Militares Têm Prisão Decretada’, copyright O Globo, 27/10/2005


‘A Justiça argentina ordenou ontem a detenção de 12 militares da reserva acusados de terem participado do assassinato do jornalista Rodolfo Walsh, em 1977. A decisão do juiz federal Sergio Torres – encarregado de vários casos de violações dos direitos humanos durante a ditadura (1976-1983) – envolve militares de Exército, Marinha e outras forças de segurança.


O caso Walsh, como outros que estão sendo investigados pela Justiça argentina, foi beneficiado pela anulação das leis de Obediência Devida e Ponto Final, as chamadas leis do perdão, aprovadas durante o governo de Raúl Alfonsín (1983-1989). Em meados deste ano, o Supremo Tribunal as declarou inconstitucionais, abrindo o caminho para o julgamento de centenas de militares acusados de violação dos diretos humanos durante o governo militar.


Walsh foi um dos jornalistas argentinos mais importantes do século passado, autor de vários livros, entre eles ‘Operação massacre’. A lista de acusados por sua morte inclui figuras sinistras da ditadura, como o ex-capitão da Marinha Alfredo Astiz, o Anjo Louro. O juiz também pediu à Polícia Federal a prisão de cinco ex-policiais.


Segundo as investigações, na tarde de 25 de março de 1977 Walsh foi cercado por militares e policiais no centro de Buenos Aires e, no momento em que tentou se defender, foi assassinado.’




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‘Justiça Argentina Ordena A Prisão De 295 Militares’, copyright O Globo, 28/10/2005


‘A Justiça argentina está fechando o cerco aos militares envolvidos com a ditadura. Um dia depois de o juiz Sérgio Torres ter ordenado a prisão de 12 militares da reserva acusados pelo assassinato do jornalista Rodolfo Walsh, em 1977, o promotor federal Raúl Taiano solicitou a detenção de 295 militares da reserva e ex-policiais supostamente envolvidos em crimes da ditadura (1976-1983). Caso o pedido seja aceito por Torres, os militares serão detidos nos próximos dias.


Sobreviventes teriam visto desaparecidos na Esma


Todos os acusados teriam atuado no âmbito da Escola de Mecânica da Marinha (Esma), principal centro clandestino de tortura do governo militar, por onde estima-se que passaram mais de cinco mil presos políticos, dos quais apenas 200 sobreviveram. ‘Estamos falando de delitos contra a Humanidade, por isso todos (os envolvidos no caso) devem ser presos’, afirmou o promotor argentino ao jornal ‘La Nación’. Taiano responsabilizou os 295 acusados pelo seqüestro e assassinato de 614 pessoas vistas na Esma, segundo relataram à Justiça sobreviventes do centro de tortura.


O processo pelos crimes na Esma foi aberto em 1985, mas a Justiça teve de arquivá-lo, após a aprovação das leis de Obediência Devida e Ponto Final, que anistiaram militares. Este ano, as leis do perdão foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal de Justiça, permitindo que todos os processos abertos após a redemocratização sejam retomados.’




LE MONDE
Comunique-se


‘EFE: Le Monde aumenta capitalização em 65 milhões de euros’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 31/10/05


‘O processo de capitalização do jornal francês Le Monde, que passa por dificuldades financeiras, terminou com um aumento de capital de 65 milhões de euros e a entrada em seu conjunto de acionistas da espanhola Prisa, da francesa Lagardere e do italiano Stampa.


A assembléia geral do Le Monde aprovou ontem o aumento do capital, que representa a conclusão ‘com sucesso’ do plano de reestruturação econômica e financeira que foi lançada no ano passado, informou hoje o jornal em comunicado.


A Prisa, editora do jornal espanhol El País, pagou 25 milhões de euros à ampliação, a mesma quantia que a Lagardere – acionista da EADS e proprietário de meios de comunicação. Já o grupo Stampa – editora do jornal de mesmo nome – pagou 2,5 milhões de euros.


Os antigos acionistas do Le Monde contribuíram para a capitalização com 10 milhões de euros.


Lagardere terá participação de 17% no Le Monde, Prisa terá 17,69% e Stampa, 3%. O resto será mantido pelos antigos acionistas reunidos na Société de Le Monde et Partenaires Associés (LMPA). A editora espanhola afirmou que sua participação pode ser diluída, mas ‘não cairá, em qualquer caso, abaixo de 13,97% do capital’.


Além da mudança do conjunto de acionistas, a assembléia geral do jornal francês nomeou como membros de seu conselho três novos representantes da Lagardere, dois da Prisa e um do Stampa.


A LMPA, estrutura de controle do grupo, manterá 12 dos 18 membros do conselho de vigilância.


No ano passado, o Le Monde teve 11 milhões de euros de prejuízo, resultado semelhante ao de 2003. Com os custos de reestruturação, o resultado líquido negativo chegou a 54,26 milhões de euros em 2004.


Os resultados ruins estavam ligados à perda de leitores. As vendas caíram em torno de 4% em 2004, após a queda de 4,5% no período anterior. Também pesou o mau comportamento do mercado publicitário.


Para contornar a situação, a empresa chegou a aplicar um plano de redução da equipe com demissões voluntárias, que se juntaria à reestruturação do capital.’




O Estado de S. Paulo


‘Chega ao fim processo de capitalização do ‘Le Monde’’, copyright O Estado de S. Paulo, 31/10/05


‘O processo de capitalização do jornal francês Le Monde, que passa por dificuldades financeiras, chegou ao fim, com um aumento de capital de 65 milhões e a entrada em seu conjunto de acionistas da espanhola Prisa, da francesa Lagardère e do grupo italiano Stampa. A Prisa, editora do jornal El País, entrou com 25 milhões, a mesma quantia da Lagardère. Ambos ficarão com cerca de 17% do jornal. Já o Stampa pagou 2,5 milhões, e terá 3% do Le Monde.’




CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS
Renato Cruz


‘À espera da morte do telefone fixo’, copyright O Estado de S. Paulo, 30/10/05


‘A telefonia fixa como a conhecemos tem seus dias contados. Num mundo digital, com acesso rápido à internet e comunicações convergentes, deixa de ter sentido cobrar chamadas por critérios como duração ou distância entre os interlocutores. O custo das ligações tende a zero. Em muitos casos, como quando se liga de computador para computador, usando o Skype, já são de graça. O evento Futurecom, realizado na semana passada em Florianópolis, mostrou que as concessionárias brasileiras de telefonia fixa já sentiram o golpe, e se preparam para um cenário em que as receitas de seu negócio principal têm tendência declinante.


‘Os modelos precisam ser repensados, para enfrentar a competição num mundo convergente’, afirmou o ex-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Navarro Guerreiro. Sua empresa, a Guerreiro Teleconsult, desenvolveu um estudo com a Accenture sobre a situação do mercado de comunicações e as necessidades de ajuste à regulação.


Uma análise de seis mercados maduros (Austrália, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unido, Itália e Reino Unido) mostrou que, entre 2001 e 2004, a base de assinantes de telefonia fixa caiu em média 1,7% ao ano. Já a telefonia móvel cresceu 10% e a banda larga, 39%. A telefonia via protocolo de internet (IP, na sigla em inglês) avançou 371% de 2003 para 2004, chegando a 29 milhões de usuários. O número já equivale a 10% dos acessos convencionais de telefonia fixa, que estão em 295 milhões nesses países. A telefonia IP residencial funciona sobre conexões de banda larga. Quem tem acesso por tecnologias como a TV a cabo, pode até deixar de ser cliente da operadora de telecomunicações.


No Brasil, o impacto da telefonia IP ainda é pequeno, mas já obrigou as operadoras dominantes a se mexerem. A Brasil Telecom anunciou o lançamento de seu produto até o fim do ano, a Telefônica até o primeiro trimestre de 2006 e a Telemar já tem um produto formatado, ainda sem data de lançamento. E o principal temor não parecem ser as pequenas operadoras de voz sobre IP que atuam no mercado local, mas a Embratel, que planeja usar a rede de cabos da Net, da qual é acionista, para vender telefonia fixa, com tecnologia IP, até o fim do ano.


‘A voz fixa, um negócio inexoravelmente declinante, corresponde a mais de 70% de nossa receita’, disse Ricardo Knoepfelmacher, presidente da Brasil Telecom, ao anunciar o VoIP Fone. O diretor geral da Telefônica São Paulo, Manoel Amorim, apresentou dois gráficos sobre as receitas de voz durante um evento: uma linha ascendente até 2004 e outra descendente de 2005 em diante. ‘A voz sobre IP ganha popularidade, o que é um cenário muito desafiador.’


Ele enumerou alguns temas considerados prioritários para compensar a queda de receita: assistência em domicílio (para rede interna), novos canais de vendas, integração fixo-móvel e IPTV, tecnologia em que o sinal de televisão chega pelo telefone.


No Brasil, a perda de clientes acontece no topo e na base. ‘O assinante mais pobre opta pelo celular pré-pago e o mais rico consolida linhas e passa a usar serviços IP’, explicou o gerente de Telecomunicações e Internet da HP, Cláudio Rangel. De 2002 para 2004, a presença da telefonia fixa nas residências da classe C caiu de 77% para 72%. Nas classes D e E, a queda foi de 46% para 38%. No mesmo período, o total de pré-pagos passou de 35,3 milhões para 52,7 milhões, crescimento de 49%.’




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‘Chineses mostram 18 toneladas de tecnologia’, copyright O Estado de S. Paulo, 30/10/05


‘A Huawei, fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações, demonstrou durante a Futurecom a telefonia celular de terceira geração (3G), na tecnologia Wideband Code Division Multiple Access (WCDMA), adotada na Europa e na Ásia e ainda não disponível no Brasil. A Vivo tem aqui outro tipo de 3G. A Huawei levou a Florianópolis um contêiner de 18 toneladas com a demonstração do sistema, que chegou ao País em Salvador, para o evento ITU Americas, no começo do mês, passou pelo Rio de Janeiro e agora vem para São Paulo. ‘A vídeochamada é a ‘killer app’ ‘, afirmou Marcelo Fernandes, gerente de Marketing da Huawei para a América Latina. ‘Killer app’ (contração de application), ou ‘aplicação matadora’, é a que convence o consumidor a adotar uma tecnologia. Na vídeochamada, o dono do celular vê seu interlocutor na tela do aparelho.


O WCDMA alcança velocidade de 384 quilobits por segundo (kbps), próxima de uma conexão banda larga fixa comum no Brasil e suficiente para ter vídeo de qualidade no celular. A Huawei demonstrou outro sistema, chamado High-Speed Downlink Packet Access (HSDPA), também conhecido como 3,5G, que chega até a 14,4 megabits por segundo (Mbps). Ou seja, 37 vezes o WCDMA. A Huawei ainda não tem celulares HSDPA, somente placas para notebooks.’




WEBJORNALISMO
Mario Lima Cavalcanti


‘¡Viva la interacíon!’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 25/10/05


‘Nesta terça-feira, 25 de outubro, a Espanha está celebrando pela primeira vez seu ‘Dia da Internet’. A data foi proposta pela Associação Espanhola de Usuários de Internet (AUI) com a finalidade de, segundo a própria entidade, dar aos espanhóis como um todo (incluindo os analfabetos digitais e os portadores de deficiência) a oportunidade de conhecer e experimentar a Internet como uma ferramenta para melhorar a qualidade de vida. Em poucas palavras, a data objetiva, entre outras coisas, a promoção do uso da Internet em diversos sentidos e campos.


Como era de se esperar em um programa organizado, muitas instituições estão abraçando o dia. Com a mídia local não seria diferente. Entre jornadas sócio-culturais, demonstrações de jogos eletrônicos em rede, seminários sobre a ‘Sociedade da Informação’ e eventos em prol da Internet gratuita e da alfabetização digital, alguns representantes da mídia online espanhola, como os jornais El Mundo e El País, decidiram criar páginas especiais interativas para celebrar a data.


Talvez influenciado pelo momento colaborativo pelo qual o a mídia digital está passando, o El Mundo está dando aos leitores a possibilidade de serem jornalistas por um dia. O veículo colocou no ar uma página de notícias feitas pelos leitores. Já o El País montou um especial que, entre atrativos, lançou um concurso de relatos onde celebridades e leitores revelam como a Internet mudou suas vidas.


Outros veículos optaram por fazer reportagens sobre o cenário digital. O Finanzas.com – publicação sobre economia pertencente à rede de sites Ya.com -, por exemplo, apesar de não ter apostado na interatividade, fez um balanço da cena econômica online no país, preocupando-se em explicar para o leitor como funciona o setor, exibindo ainda previsões e publicando uma entrevista com Juan Domínguez, vice-presidente de comércio eletrônico e conteúdo do Ya.com.


Mais que simplesmente criar páginas especiais, jornais como o 20 Minutos, o El Mundo e o El País estão definitivamente se entregando ao conceito de trabalhar em conjunto com o público, de dar mais voz ao leitor. Para os diários virtuais que estão na constante busca de se tornarem mais críveis, nada melhor que comemorar um determinado evento com um belo especial digital interativo. E para investigadores da área, nada como analisar as formas de interação utilizadas em tais especiais.


Em tempo, o site oficial do Dia da Internet na Espanha (aliás, muito bem organizado) fez uma boa lista de eventos que irão acontecer e publicará nos próximos dias notícias e balanços sobre a data festiva. Vale a pena ficar de olho, pois lá estão sendo feitos inúmeros eventos, principalmente ações sociais.’

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