Sábado, 04 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Morre o escritor Arthur C. Clarke

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 19/03/2008 na edição 477

Leia abaixo a segunda parte da seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 19 de março de 2008


OBITUÁRIO
Folha de S. Paulo


Escritor Arthur C. Clarke morre aos 90


‘O inglês Sir Arthur C. Clarke, autor do clássico da ficção científica ‘2001: Uma Odisséia no Espaço’, morreu ontem, aos 90 anos, vítima de problemas cardiorrespiratórios, informou seu assistente Rohan de Silva.


Autor de mais de uma centena de livros sobre o espaço, a ciência e o futuro, Clarke morreu por volta das 17h30 de ontem, no horário de Brasília -1h30 da madrugada de quarta no Sri Lanka, onde residia.


Ele lutava contra uma debilitante síndrome pós-pólio desde a década de 1960 e, nos últimos anos, usava na maior parte do tempo uma cadeira de rodas.


Além de sua obra mais famosa, que rendeu o filme homônimo dirigido por Stanley Kubrick em 1968, o britânico também ficou célebre por suas previsões -a ele é creditada a criação do conceito de satélites de comunicação em 1945, décadas antes de se tornarem realidade.


As órbitas geoestacionárias, que mantêm os satélites em posições fixas em relação ao solo, são conhecidas hoje como órbitas de Clarke.


Durante a evolução de sua descoberta, Clarke trabalhou com cientistas e engenheiros dos EUA para desenvolver espaçonaves e sistemas de lançamento, e fez um pronunciamento na sede das Nações Unidas durante as deliberações para o uso pacífico do espaço.


Após o pouso do homem na Lua em 1969, o governo norte-americano disse que Clarke ‘forneceu o impulso intelectual que nos levou à Lua’.


Em 1989, duas décadas depois do pouso lunar pioneiro da Apollo-11, Clarke escreveu: ‘2001 foi escrito em uma era que hoje está aquém de um dos grandes divisores de águas da história humana; nós nos separamos dela para sempre no momento em que Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram no mar da Tranqüilidade. Agora a história e a ficção se tornaram inexoravelmente entremeadas’.


Em 1998, recebeu o título de cavaleiro da rainha, pelo conjunto de sua obra. Em dezembro passado, ao completar sua ‘90ª órbita do sol’, o autor listou três desejos: que os extraterrestres entrassem em contato, que a humanidade deixasse a dependência do petróleo e que o Sri Lanka tivesse paz.


Arthur Charles Clarke nasceu em 16 de dezembro de 1917, filho de uma família de fazendeiros em Minehead (Somerset), na Inglaterra.


Mudou-se para Londres em 1936 e, já interessado por ciência espacial, entrou para a Sociedade Interplanetária Britânica, em que começou a contribuir com o boletim informativo e a escrever ficção científica.


Durante a Segunda Guerra, trabalhou com radares para a Força Aérea Britânica. Ao seu término, estudou matemática e física no londrino King’s College e, depois, se dedicou integralmente à profissão de escritor, ainda nos anos 1940.


Suas descrições detalhadas de naves espaciais, supercomputadores (como o HAL 9000, de ‘2001’) e sistemas de comunicação atraíram milhões de leitores no mundo todo.


Em 1948 ele escreveu o conto ‘The Sentinel’, que serviria de base para ‘2001’. Tanto o livro quanto o filme teriam uma continuação -em 1982 Clarke escreveria ‘2010: Odisséia 2’, que daria origem a um filme em 1984 (‘2010: o Ano em que Faremos Contato’).


Sua mudança para o Sri Lanka aconteceu após um casamento fracassado, em 1956.


Entre as motivações para a mudança estavam os mergulhos marinhos que Clarke gostava de fazer, pois ele os considerava o mais próximo que poderia chegar da sensação de flutuar no espaço.


Previsões futuristas


Clarke começou a listar suas previsões científicas em 1958, com uma série de ensaios futurísticos em diversas revistas, que em 1962 seriam reunidos no livro ‘Perfis do Futuro’.


A obra trazia uma linha do tempo que ia até o ano 2100, descrevendo invenções e idéias como a de uma ‘biblioteca global’ em 2005, a existência de um presidente comum em todo o planeta em 2010.


No mesmo livro estavam suas famosas ‘Três Leis’: 1) quando um respeitado, mas idoso cientista diz que algo é possível, ele está, quase certamente, correto. Quando ele diz que algo é impossível, ele está, muito provavelmente, errado; 2) A única maneira de descobrir os limites do possível é se aventurar um pouco além deles e penetrar o impossível; e 3) qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia.


Com agências internacionais’


 


Ronaldo Rogério de Freitas Mourão


Clarke batizou dino e asteróide


‘Desde jovem Arthur C. Clarke mostrou uma fascinação pela astronomia, a ponto de utilizar um telescópio caseiro para desenhar um mapa da Lua. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu na Força Aérea Real como especialista em radares, envolvendo-se no desenvolvimento de um sistema de defesa por radar, sendo uma peça importante do êxito na batalha da Inglaterra. Depois, estudou Física e Matemática no King’s College de Londres. Foi um dos fundadores da Sociedade Interplanetária Britânica, que presidiu durante dois períodos. Nessa época escreveu ‘Interplanetary Flight’ (1950) e ‘The Exploration of Space’ (1951), obras fundamentais de divulgação dos vôos espaciais.


Talvez sua contribuição de maior importância seja o conceito de satélite de telecomunicações, ao conceber a idéia da órbita geoestacionária também conhecida como órbita de Clarke. Ele propôs essa idéia em um artigo científico intitulado ‘Can rocket stations give worldwide radio coverage?’, publicado na revista ‘Wireless World’ em outubro de 1945.


Desde 1956, fixou residência em Colombo, no Sri Lanka (Ceilão), em virtude do seu interesse por fotografia e exploração submarina, onde permaneceu até a sua morte em 2008. Ficou famoso não só pelos seus romances de ficção científica mas principalmente por dois deles levados ao cinema, ‘2001: Uma Odisséia no Espaço’ (1968) e ‘2010: O Ano em que Faremos Contato’ (1984), sendo o primeiro considerado um ícone tão importante da ficção científica que especialistas lhe atribuem forte influência sobre a maioria dos filmes do gênero que lhe sucederam.


Com Carl Sagan, Paul Newman e Isaac Asimov, Arthur participou da criação da Sociedade Planetária -uma entidade direcionada para a exploração do espaço, com associados em todo o mundo- que, além de editar uma revista bimestral (‘Planetary Report’), estimula doações aos programas espaciais que, com esse objetivo, vêm realizando pesquisas na procura de sinais de vida extraterrestre.


Em reconhecimento, o asteróide 4923 foi batizado com o nome de Clark, assim como uma espécie de dinossauro herbívoro, o Serendipaceratops arthurclarkei, descoberto em Inverloch, Austrália. Arthur Clarke -o mago da ficção científica e homem da ciência- traduziu a grandiosidade das descobertas espaciais na frase dirigida aos membros da Sociedade Interplanetária Britânica, 1946, e mais tarde reproduzida no ‘The Challenge of the Spaceships’ de, 1955: ‘Nossa civilização não é mais do que a soma de todos os sonhos das idades anteriores. E tem de ser assim, pois, se os homens deixarem de sonhar, se voltarem as costas às maravilhas do Universo, acabará a história da nossa raça’.


Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo e autor de mais de 85 livros, entre eles ‘Nas Fronteiras da Intolerância’’


 


CRISE
Clóvis Rossi


A fé e o cassino


‘SÃO PAULO – Se quiser entender a crise financeira global, esqueça todo o jargão dos economistas, todos os nomes e apelidos que entraram em circulação com a turbulência (‘subprime’, Bear Stearns etc.) e volte ao velho e bom latim, como fez ontem, no jornal britânico ‘Financial Times’, sua colunista Gillian Tett.


Ela lembrou que crédito (o epicentro da crise) vem do latim ‘credere’, acreditar, confiar, ter fé. É disso que se trata, ‘de uma perda de confiança em todo o estilo da moderna finança, com todos os seus complexos fatiamentos e redistribuição de risco em formatos cada vez mais opacos’.


Aproveito para tirar uma casquinha e fazer autopropaganda: algum leitor, um pelo menos, certamente se lembrará de que cansei, neste espaço, de apontar que o predomínio das finanças no capitalismo moderno o transformaria em um cassino.


Lendo conceito parecido em inglês, e em um jornal insuspeito de abrigar figuras exóticas, como é o caso do ‘FT’, me sinto menos extraterrestre. Gillian não está sozinha em colocar ‘credere’ no centro da crise.


Carter Dougherty (‘New York Times’) escreve que ‘a crise financeira vinculada ao mercado norte-americano de hipotecas se transformou em aguda crise de confiança no sistema bancário global’. Corolário: ‘Se a confiança entra em colapso, o processo de conceder crédito para a economia e para transacionar ações, papéis, moeda estrangeira pode entrar também em colapso’, diz Robert J. Samuelson (‘The Washington Post’).


Os banqueiros centrais estão fazendo o diabo para restaurar um mínimo de confiança, mas o fazem de forma a premiar -ou, no mínimo, não punir devidamente- ‘a moderna finança’, que é responsável direto pelo imbróglio.


O que ninguém ousa é defender regras para enquadrar o cassino, já que fechá-lo parece impossível.’


 


GUINÉ-BISSAU
Ruy Castro


Guerra perdida


‘RIO DE JANEIRO – Em 1973, eu estava morando em Portugal, no auge da guerra de libertação de suas colônias africanas, que já vinha de mais de dez anos. Os jornais portugueses, controlados pela censura, não refletiam nem sombra do que se passava em Angola, em Moçambique e na Guiné-Bissau, mas nós, os jornalistas estrangeiros, sabíamos mais ou menos o que acontecia. Morriam dezenas por dia e atrocidades eram cometidas de lado a lado.


Nas duas primeiras colônias, as mais ricas e prósperas, havia um empate técnico. Mas a guerra na paupérrima Guiné já estava mais do que perdida para Portugal. Os guerrilheiros do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde) dispunham de mísseis terra-ar que, dizia-se, lhes tinham sido mandados pela China de Mao Tsé-tung. Cada avião militar português que levantava vôo na selva era logo abatido.


Em Lisboa, os poucos jovens que se viam nas ruas eram os retornados da África -fardados, de muletas, com uma ou duas pernas a menos, vítimas de minas e granadas. Não havia como Portugal continuar sustentando aquela guerra, mas o regime salazarista, embora já sem Salazar, não pensava assim.


Em setembro daquele ano, a Guiné-Bissau declarou-se independente, mas a guerra continuou. Por causa dela fez-se em Portugal, em 1974, a Revolução dos Cravos, liderada pelos jovens oficiais que haviam lutado principalmente na Guiné, e só aí as coisas sossegaram.


Isso já tem 34 anos. A Guiné-Bissau continua muito pobre, o grau de corrupção é altíssimo e o país é acusado de estar se transformando no primeiro narcoestado africano -uma espécie de trampolim de traficantes colombianos para chegar ao mercado europeu. Não foi para isso que os patriotas da Guiné e os soldados portugueses deram a vida.’


 


CORINTHIANS


Folha de S. Paulo


Petista ganha rádio para acompanhar jogos


‘Lula assinou contratos que prevêem o repasse de R$ 57 milhões para obras em Campo Grande, mas isso não o livrou de se tornar alvo de uma provocação do prefeito Nelson Trad (PMDB). Torcedor do Corinthians, rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, o presidente ganhou um rádio a pilha. ‘Sei que terá dificuldades para acompanhar os jogos do seu time pela TV.’’


 


CULTURA
Folha de S. Paulo


Atores de teatro querem um órgão exclusivo no ministério


‘A criação de uma Secretaria Nacional de Teatro foi motivo de polêmica ontem em sessão da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. Atores, como Regina Duarte, e produtores teatrais, como Eduardo Barata, defenderam na audiência mais agilidade na aprovação de captação de recursos financeiros da Lei Rouanet e um órgão exclusivo para a área dentro do MinC (Ministério da Cultura).


Representando a pasta, o presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes), Celso Frateschi, rejeitou a idéia, por considerar que a fundação que dirige já cumpre tal tarefa.


O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), presidente da comissão, defende a posição dos artistas. ‘Não dá para o MinC ficar com servidores 110 dias em greve [no ano passado] e não aprovar incentivos. É um descaso.’


‘Não queremos duplicidade de funções. A antiga Secretaria de Artes Cênicas foi extinta justamente pelo ministro Gilberto Gil no início da gestão para que a Funarte cuidasse do assunto sozinha e melhor’, disse Frateschi.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


O relançamento


‘O espanhol ‘El País’ apontou, em longo artigo de especialista em América Latina, ‘A peculiar adaptação asiática do Brasil’. Em suma, no subtítulo, ‘No segundo mandato do presidente Lula, optou-se por uma política que visa compatibilizar estabilidade com o relançamento do desenvolvimento e um forte impulso de investimento’. Cita Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa, Luciano Coutinho, Luiz Belluzzo.


No dia sem crise, a Reuters tratou dos bancos dos emergentes, notando que ‘o sistema bancário do Brasil nunca esteve tão bem’. Por outro lado, o editor de investimento do ‘Financial Times’ focou os sinais de ‘recolamento’ dos Brics à economia dos EUA, a começar de decisões dos bancos centrais de China e Índia. Sobre Brasil e Rússia, avaliou que só eles ainda evitam um ‘colapso’ no índice Bric, de ações.


GUERRA FRIA ON-LINE


Na capa do ‘NYT’, ontem, ‘EUA adaptam idéia da Guerra Fria para combater terroristas’. Passaram a realizar operações ocultas para ‘silenciar a mensagem da Al Qaeda’ e ‘amplificar seus erros sempre que possível’. Enquanto na Guerra Fria a prioridade eram publicações e instituições, agora ‘o foco maior se tornou o cyberspace’, com e-mails e posts. Além, como antes, do estímulo à dissidência.


Pelo texto, as ações se restringem ao Oriente Médio.


URIBE E O LATIFÚNDIO


O francês ‘Le Monde’, com tradução no UOL, fez longo e agressivo perfil do presidente Alvaro Uribe. No título, ‘Messiânico e populista, Uribe administra Colômbia como se fosse um latifúndio’. A ‘influência decisiva na popularidade presidencial’ é dada pelas Farc, que o tornaram imune, ‘teflon’, inclusive ao escândalo dos paramilitares.


‘DEATH SQUADS’


Já o ‘Washington Post’ abordou os ‘esquadrões da morte’ no Brasil. Em longa reportagem desde Recife, que fala em ‘envolvimento policial’, o jornal dá atenção sobretudo à criação de uma força-tarefa para agir em Pernambuco, ‘o Estado mais mortal do Brasil’ em homicídios. Diz o ‘WP’ que já haveria ‘percepção’ de avanço.


TV, POLÍTICA E PIADA


Primeiro esforço aberto de reproduzir no país o ‘telejornalismo’ de humor político que domina hoje os EUA e a Argentina, com programas na linha ‘Daily Show’ e ‘Caiga Quien Caiga’, o ‘Custe o Que Custar’ estreou com feito na Band.


Como seu modelo argentino, levou o presidente a vestir os óculos que são o símbolo do programa. Mas a única piada que tirou da cena foi imitação de Lula, voz rouca, ‘estou vendo que a coisa está preta mesmo’. De resto, o humor rendeu mais quando voltado ao âncora Marcelo Tas.


Como nos EUA, em horas o ‘CQC’ já estava on-line.


HDTV, MAS NO YOUTUBE


Mais YouTube. Saiu em fóruns e blogs de mídia dos EUA que já está ativa, em muitas das páginas do site de compartilhamento, a opção por uma segunda versão do vídeo, em alta definição, HD. Começou em segredo, mas já é oficial. É o caso do ‘buldogue skatista’, célebre por comercial do iPhone. Por enquanto, é opção rara, que abrange só vídeos postados originalmente em HD.


Já na TV, voltou a polêmica sobre o padrão japonês.’


 


EL TIEMPO


Folha de S. Paulo


Jornal pede desculpas a ministro por erro


‘O jornal colombiano ‘El Tiempo’ pediu desculpas ao ministro equatoriano Gustavo Larrea por tê-lo identificado, erroneamente, em foto ao lado do guerrilheiro Raúl Reyes. ‘Um erro lamentável, […] além de ‘El Tiempo’, afeta a credibilidade da causa colombiana no debate da OEA’. A imagem provocou tensão na reunião nos EUA.’


 


TELES
Elvira Lobato


Procurador questiona nomeação na Anatel


‘O procurador da República Duciran Marcen Farena, da Paraíba, coordenador do grupo de trabalho do setor de telefonia do Ministério Público Federal, abriu processo administrativo sobre a nomeação do sindicalista José Zunga Alves de Lima para o Conselho Consultivo da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Ele e mais quatro conselheiros tomaram posse ontem nos cargos.


Sindicalista, fundador do PT e da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e amigo do presidente Lula, Zunga ocupará a vaga de representante da sociedade no conselho da Anatel. Sua nomeação é questionada por ele ser gerente de Relações Não-Governamentais da companhia Brasil Telecom.


Segundo Farena, Zunga não poderia ser conselheiro do órgão regulador, na condição de representante da sociedade civil, sendo funcionário da empresa de telefonia. Na avaliação do procurador, ele não teria independência para opinar sobre a mudança nas regras do setor para permitir a aquisição da BrT pela O (ex-Telemar).


Em 2002, o Ministério Público Federal de Pernambuco abriu processo semelhante contra a nomeação do então presidente da Telemar, José Fernandes Pauletti, para o Conselho Consultivo da Anatel, também na vaga destinada a representante da sociedade civil. Também foi questionado, na mesma ocasião, o ex-presidente da Associação Telebrasil (representante de empresas do setor de telecom), Cleofas Uchoa, para a vaga dos consumidores. Os dois se demitiram para não serem afastados pela Justiça.


José Zunga é presidente do Instituto Observatório Social de Telecomunicações e ex-presidente da Fittel (Federação Interestadual de Trabalhadores em Telecomunicações). Seu mandato no conselho vai até fevereiro de 2011.


O conselho não tem poder de decisão na Anatel e funciona como órgão de assessoramento do conselho diretor. Ele será ouvido sobre a mudança do PGO (Plano Geral de Outorgas) da telefonia fixa para permitir a compra da BrT pela Oi.


A Abrafix (entidade representante das operadoras de telefonia fixa) pediu formalmente à Anatel a alteração do PGO para permitir a compra da Brasil Telecom pela Oi. O pedido está em fase de análise técnica no órgão regulador.


O procurador Duciran Farena entende que funcionários de companhias telefônicas não podem ocupar vagas destinadas à sociedade ou a consumidores porque as empresas já têm representantes próprios no conselho. Além de Zunga, assumiram Igor Vilas Boas, diretor de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações (representando o Executivo), Amadeu de Castro (representante do Senado), Israel Bayma (representante da Câmara) e Ricardo Sanches, presidente da Associação Brasileira de Pequenos Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrappit), em uma das vagas destinadas a empresas. Restarão mais quatro vagas a serem preenchidas.


Outro lado


Zunga nega que vá representar interesses da Brasil Telecom. Ele diz que foi empregado da Telebrasília (ex-estatal do Sistema Telebras) por 18 anos, antes de ela ser incorporada à BrT e privatizada, em 1998. Desde então, é funcionário da BrT. ‘O fato de ter vínculo empregatício com a empresa não me anula como cidadão’, diz Zunga, que é diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Goiás.’


 


Humberto Medina


Agência deverá mudar lei para permitir compra da BrT pela Oi


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) deverá propor a mudança na legislação do setor que permitirá a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar). A proposta de modificação deverá ser colocada em consulta pública pelo órgão regulador até o fim do mês.


A alteração já havia sido proposta pela entidade que representa as operadoras de telefonia fixa e, depois, pelo próprio Ministério das Comunicações.


De acordo com o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, o conselho diretor da agência irá analisar, na terça ou na quinta-feira da semana que vem, o texto que irá à consulta pública. O documento sugerido pela Anatel já conterá a posição inicial da agência, que deverá decidir a questão seguindo as orientações passadas pelo ministério. ‘A reação é essencialmente favorável ao que o ministério pediu. Sinto um clima favorável’, disse Sardenberg.


A princípio, a Anatel deverá propor mudanças no PGO (Plano Geral de Outorgas), que trata especificamente de telefonia fixa. O PGO é definido por meio de decreto do presidente da República e é o documento legal que divide o país nas áreas onde cada operadora atua (Telefônica em São Paulo, Brasil Telecom no Sul, parte do Norte e Centro-Oeste e Oi no Sudeste, no Nordeste e no Norte).


Recomendações


O texto atual do decreto impede que uma mesma empresa atue em duas áreas diferentes. Isso é um impeditivo legal para a compra da Brasil Telecom pela Oi. No dia 13 do mês passado, no entanto, após pedido das empresas, o ministério enviou duas recomendações à agência.


Uma delas foi suprimir do PGO os artigos (7º e 14 do decreto 2.534/98) que impedem que uma mesma empresa atue em áreas diferentes. A modificação atende aos interesses envolvidos na compra da Brasil Telecom pela Oi.


A outra recomendação foi mais genérica. Foi pedida ‘revisão de restrições regulatórias constantes em outros atos normativos’, com o objetivo de ‘permitir a consolidação da operação de múltiplos serviços, viabilizando a plena integração de diferentes infra-estruturas de rede e a convergência digital em voz, vídeo e dados’. Esse pedido abre espaço para análise de movimentos de consolidação no setor de telefonia móvel.


Ainda de acordo com o presidente da agência reguladora, a modificação que vier a ser feita valerá para qualquer caso de compra envolvendo empresas do setor, e não apenas para atender especificamente à operação Oi-Brasil Telecom.’


 


CHINA
Marcelo Ninio


COI ignora protesto de tibetanos


‘De nada adiantou o protesto feito ontem por cerca de 600 tibetanos em frente ao COI (Comitê Olímpico Internacional).


Os manifestantes entregaram uma carta à entidade, pedindo que ela condene a repressão do governo chinês no Tibete e cancele a passagem da tocha olímpica pela região, como já havia sido programado.


Em um comunicado oficial, o COI afirmou que não haverá mudanças no trajeto da tocha, que deverá passar por Lhasa, capital do Tibete, em junho.


A entidade se limitou a manifestar esperança de que haja uma ‘resolução pacífica’ para as tensões na região, onde cerca de cem pessoas já morreram vítimas da repressão chinesa desde a semana passada, segundo ativistas tibetanos no exílio.


‘Com essa atitude, o COI envia a mensagem de que não importa o que a China faça, mesmo com toda a repressão. Nada vai atrapalhar a Olimpíada’, afirmou à Folha Wangpo Tethong, presidente do Comitê Olímpico Tibetano, órgão que não é reconhecido pelo COI.


Tethong foi o encarregado de entregar a carta à entidade presidida pelo belga Jacques Rogge em nome de 150 organizações tibetanas. Ele ficou decepcionado com a resposta obtida.


‘O COI pode fazer muito para pressionar o governo chinês a mudar de atitude. Mas está preferindo enviar a mensagem errada’, comentou Tethong.


Ele acrescentou que estava renunciando ao pedido de que o Tibete participe da Olimpíada de Pequim como entidade independente.


‘Não queremos ter parte em jogos sujos de sangue’, disse Tethong, que reivindicava o mesmo status concedido aos palestinos, que podem participar da Olimpíada apesar de não terem um Estado constituído.


Uma das faixas estendidas pelos manifestantes, entre eles quatro competidores tibetanos exilados na Suíça, dizia: ‘Senhor Rogge, seu silêncio está matando os tibetanos’. Outra perguntava: ‘COI, como aceitar o derramamento de sangue no Tibete?’.


A organização que representa o ideal olímpico, entretanto, decidiu que seus rituais devem ficar acima dos conflitos políticos. ‘A tocha é um poderoso símbolo que inspira pessoas do mundo inteiro a superar suas diferenças’, diz o comunicado.


A escalada de violência levou o dalai-lama, líder político e espiritual dos tibetanos, a considerar a possibilidade de renunciar ao cargo caso a situação na região não apresente melhora nos próximos meses.


‘Isso seria um desastre, tanto para nós como para a China’, disse Tethong. ‘O dalai-lama sempre pregou uma solução pacífica para o conflito. Sua renúncia seria um fracasso para todos’, completou ele.’


 


***


Abertura vira novo alvo para boicote


‘Se depender do discurso de políticos e dirigentes, a Olimpíada na China não sofrerá boicotes esportivos expressivos, como em Moscou-80 e Los Angeles-84.


Porém uma idéia, se tiver adesões expressivas, irá prejudicar a ambição chinesa de obter legitimidade em nível mundial com a Olimpíada.


A ONG Repórteres Sem Fronteira conclamou os líderes políticos a boicotarem a cerimônia de abertura dos Jogos em protesto pela China não ter cumprido promessas de melhoria na questão dos direitos humanos.


A proposta foi bem recebida por Bernard Kouchner, ministro das Relações Exteriores da França. ‘Estamos considerando isso’, disse.


Kouchner afirmou que irá se reunir com os ministros das 27 nações da União Européia para discutir o assunto na semana que vem.


No mês passado, Jacques Rogge, presidente do COI, divulgou que esperava a presença na festa de líderes políticos, como o presidente dos EUA, George W. Bush, e da França, Nicolas Sarkozy.


Taiwan é o único país que pode promover boicote esportivo. A ilha, considerada Província rebelde pela China, terá eleições no sábado. Ma Yong-Jeou, do Kuomintang (Partido Nacionalista), favorito das pesquisas, não descartou a possibilidade de não enviar equipe em represália à repressão no Tibete.


Os EUA, porém, descartaram a iniciativa. ‘Além de punir desnecessariamente os atletas, o boicote olímpico não serve para nada’, disse Darryl Seibel, porta-voz do Comitê Olímpico dos EUA.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Governo propõe fim do futebol exclusivo


‘O atual modelo de negociação de transmissão do futebol na TV aberta, em que a Globo detém exclusividade, pode estar com seus dias contados.


Relatório do governo federal enviado anteontem ao Clube dos 13 e a emissoras propõe o fim da cláusula de exclusividade, que permite que uma única TV compre os direitos, e também da cláusula de preferência, que permite que essa mesma TV cubra proposta eventualmente maior de concorrente.


O relatório, de 121 páginas, é o resultado de mais de dez anos de investigação sobre suspeitas de cartelização. Foi produzido pela SDE (Secretaria de Direito Econômico) e instruirá julgamento do Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico). O documento ainda é preliminar. Versão definitiva deve ser divulgada em um mês.


‘Mesmo considerando que venda com exclusividade pode eventualmente gerar maiores receitas para os clubes, entende-se preliminarmente que os seus efeitos anticoncorrenciais não justificam essa prática na TV aberta, devendo-se pensar num modelo alternativo’, diz o relatório. A SDE defende que a exclusividade deve ser mantida na TV paga, por ser ‘um mercado ainda pouco desenvolvido’.


Para o órgão, a cláusula de preferência é ‘também passível de gerar efeitos anticompetitivos’. A SDE também é contra a forma como a Globo repassa o futebol a outras TVs, obrigando-as a exibir os mesmos jogos.


CELESTIAL 1 Globo e Record embarcaram na última sexta jornalistas no mesmo avião que traria de Nova York a brasileira Andréia Schwartz, que teria sido informante no caso que derrubou o governador Eliot Spitzer. Ambas perderam a viagem.


CELESTIAL 2 No sábado, novamente a Record embarcou outro profissional, na primeira classe. Enquanto isso, o ‘Jornal Nacional’ negociava entrevista exclusiva com a mulher, exibida anteontem. A Record diz que seus jornalistas viajaram por outros compromissos.


PACOTE A MTV Brasil já vendeu todas as cotas de patrocínio do VMB de 2008, previsto para outubro. O RockGol, em maio, também já foi todo vendido.


POUCA GRAÇA Deu dois pontos a estréia do ‘Custe o que Custar’, anteontem na Band. O programa é um ‘Pânico’ limpinho, bem produzido. Alguns quadros são absolutamente sem graça. Outros (um entrevistador ‘desinformado’ e um ranking de gafes na TV) têm futuro.


ÁGUA FRIA Vice-presidente artístico da Record, o bispo Honorilton Gonçalves acabou com o oba-oba de convenção da área comercial da emissora no último final de semana. Último a discursar, disse que as vendas vão bem, mas poderiam ser melhores. E pediu mais empenho.


NOVA FEBRE A nova versão de ‘Chiquititas’, que estreou anteontem no SBT, já fechou licenciamento com seis empresas.


SETE PALMOS Silvio Santos voltou ontem a tirar o ‘Fantasia’ e o ‘Charme’ do ar. No lugar do ‘Fantasia’, à tarde, foi exibido o filme ‘Mortal Kombat’. Na vaga do programa de Adriane Galisteu, na madrugada, entrariam séries _amanhã, providencialmente, está previsto ‘A Sete Palmos’.’


 


Alan de Faria


‘Grassroots’ analisa vida no Camboja


‘Auto-estima, confiança e solidariedade. É justamente a recuperação desses sentimentos pela juventude do Camboja que o diretor brasileiro Andre Ferezini procura mostrar no documentário ‘Grassroots’ (2007), que o Canal Brasil exibe hoje.


Gravada em fevereiro de 2005, a produção acompanha um pouco do cotidiano de Pov Rithy, 23, Uy Nousereimony (Tom), 25, Raj Ridvan Singh, 25, e Thoeurn Sedate, 18, todos envolvidos com a ONG LCDI (Instituto de Desenvolvimento de Liderança e Caráter, em português).


O objetivo da organização é oferecer educação para jovens das áreas rurais do país, que ainda sofre com as conseqüências do regime ditatorial de Pol Pot (do partido comunista Khmer Vermelho).


Durante os anos 1970, entre outros crimes, o governo foi responsável pela execução da intelectualidade cambojana.


‘Os recursos humanos para o desenvolvimento do país foram assassinados’, afirma Tom, professor de inglês na LCDI, no documentário.


‘Grassroots’ retrata ainda as características culturais do Camboja (casamento, músicas religiosas), a vida urbana (bicicletas e carros velhos que se misturam em avenidas sem placas) e a realidade das províncias rurais -como na seqüência que mostra o encontro entre Sedate e sua mãe.


GRASSROOTS


Onde: Canal Brasil


Quando: hoje, às 14h30′


 


LITERATURA
Folha de S. Paulo


Editora portuguesa promove concurso para romances


‘Maior empresa editorial de Portugal, a Leya promove prêmio que dará 100 mil euros (cerca de R$ 271 mil) para o melhor romance inédito escrito em português. Além da obra ganhadora, o júri poderá recomendar prêmios de 25 mil euros (R$ 68 mil) para um ou mais finalistas.


O resultado será divulgado na próxima edição da Feira de Frankfurt (Alemanha), que acontece em outubro.


Os romances premiados serão publicados por uma das editoras do grupo e vendidos em todos os países de língua portuguesa.


Para participar, os interessados devem enviar o original da obra até o próximo dia 15 de junho. O regulamento está no site www.leya.com.


Uma seleção prévia será feita por uma comissão. Depois, o júri, que será presidido pelo poeta português Manuel Alegre, analisará as obras sem conhecer a identidade dos autores.


No corpo de jurados, estão o escritor angolano Pepetela e o escritor e colunista da Folha Carlos Heitor Cony, entre outros.’


 


***


Primeira edição de ‘O Hobbit’ tem venda recorde


‘Uma das primeiras edições do clássico ‘O Hobbit’, autografada pelo autor, J.R.R. Tolkien, foi vendida ontem em Londres por 60 mil libras (cerca de R$ 207 mil). O preço foi um novo recorde para a obra, publicada em 1937, com apenas 1.500 cópias na primeira edição. O livro é o precursor da trilogia ‘O Senhor dos Anéis’.’


 


CINEMA
Folha de S. Paulo


Minghella, de ‘O Paciente Inglês’, morre aos 54


‘O inglês Anthony Minghella, vencedor do Oscar de direção em 1997 com ‘O Paciente Inglês’, morreu na manhã de ontem em Londres, aos 54 anos, vítima de uma hemorragia, segundo sua agente.


O diretor havia se submetido a uma cirurgia no Charing Cross Hospital na semana passada, para retirada de um tumor no pescoço e nas amídalas.


‘A cirurgia tinha ido bem e eles estavam muito otimistas, mas ele [Minghella] desenvolveu uma hemorragia e não conseguiram contê-la’, disse a agente do diretor, Leslee Dart.


A última obra concluída de Minghella, ‘The Nº 1 Ladies Detective Agency’, tem previsão de estréia nesta Páscoa, no canal BBC 1 -é o piloto de uma série cômica que se passa em Botsuana, adaptada do romance de Alexander McCall Smith.


O diretor celebrizou-se com adaptações literárias -além de ‘O Paciente Inglês’ (1996), que venceu nove Oscars, também dirigiu o remake de ‘O Talentoso Ripley’ (1999), que teve cinco indicações ao Oscar, e ‘Cold Mountain’ (2003), que teve sete e levou o de atriz coadjuvante, com Renée Zellweger.


Seu último filme exibido nos cinemas foi o drama ‘Invasão de Domicílio’ (2006), que marcou sua terceira parceria com o ator Jude Law.


‘Foi o diretor com quem mais trabalhei; passei a valorizá-lo mais como amigo do que como colega de trabalho’, disse Law. ‘Ele era um diretor e roteirista brilhante, seus diálogos eram uma maravilha para interpretar e ele os colocava na tela de modo que sempre parecia sem esforço.’


Minghella também foi diretor do British Film Institute de 2003 até o começo deste mês e dirigiu uma versão de ‘Madame Butterfly’ para a English National Opera, em 2005.


Blair ‘chocado’


Anthony Minghella nasceu na Ilha de Wight, em uma família de descendência italiana.


Ele se formou na Universidade de Hull e trabalhou como roteirista para rádio e TV antes de estrear como diretor em 1990, com ‘Truly, Madly, Deeply’.


O ex-premiê britânico Tony Blair, que se tornou amigo de Minghella após este ter dirigido uma propaganda eleitoral para sua campanha, em 2005, disse estar ‘muito chocado e triste’.


‘Minghella era criativo e brilhante, mas ainda assim humilde e gentil. Todos nossos contatos, pessoais e profissionais, me fizeram admirá-lo completamente, como pessoa e como artista do mais alto calibre.’


O diretor tinha dois projetos em andamento: ‘New York, I Love You’ e o drama ‘The Ninth Life of Louis Drax’.


Com agências internacionais’


 


Pedro Butcher


‘Talentoso Ripley’ foi melhor filme


‘Como um homem da literatura e do teatro, apaixonado pela força da palavra e do ‘storytelling’, Anthony Minghella despontou na cena cinematográfica britânica dirigindo um roteiro de sua própria autoria. ‘Um Romance de Outro Mundo’ seria apenas mais um telefilme da BBC, mas o resultado agradou tanto os produtores que ele foi lançado nos cinemas, alcançando um inesperado sucesso de público.


Nessa delicada versão inglesa de ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’, Juliet Stevenson vive uma mulher que tenta superar a dor conversando com seu companheiro morto.


O imenso sucesso de seu terceiro longa-metragem, ‘O Paciente Inglês’, poética versão do livro de Michael Ondaatje, cristalizou o nome de Minghella como diretor ligado a adaptações literárias e filmes de época. No Oscar de 1997, seu filme foi consagrado com nove Oscars.


Seu melhor filme, no entanto, viria em seguida: a adaptação do livro de Patricia Highsmith ‘O Talentoso Ripley’, também indicada ao Oscar de melhor roteiro adaptado.


Quatro anos se passaram até que ele lançasse ‘Cold Mountain’, pesada versão do livro de Charles Frazier, com Nicole Kidman e Jude Law. Depois do fracasso desse filme, Minghella reconheceu que estava preso à fórmula das adaptações literárias e preferiu se voltar para uma história original.


Em ‘Invasão de Domicílio’, seu último longa-metragem, pintou um retrato multifacetado e um tanto pessimista de Londres após os retrocessos políticos provocados pelo ataque do 11 de Setembro.’


 


ENTREVISTA / LEONARD KLEINROCK


Rodolfo Lucena


Controlar o lado negro da rede é o grande desafio


‘Um dos pais da internet, o professor Leonard Kleinrock condena hoje o que chama de lado negro de sua criação: os vírus e a enxurrada de mensagens indesejadas que circulam na rede. De seu laboratório na Universidade da Califórnia em Los Angeles, onde há quase 40 anos foi feita a ligação inicial do que é hoje a internet, ele respondeu por e-mail a perguntas sobre a história e o futuro da tecnologia.


FOLHA – Quais os produtos e os serviços que definiram os últimos 25 anos da computação e da internet?


LEONARD KLEINROCK – Entre alguns dos eventos principais ocorridos no último quarto de século, podemos citar os seguintes: os PCs, criados no começo da década de 1980; o TCP/IP, que virou o padrão da internet em 1983; a WWW (sigla em inglês para rede mundial de computadores), que se tornou disponível em 1991; a oferta pública inicial da Netscape, de 1995, inicia o boom das pontocom; o padrão Wi-Fi estabelece-se em 1997; o Napster entra em cena em 1999; em 2001, o inglês deixa de ser a língua usada pela maioria dos internautas; em 2005, o Google passa a ser considerado o ‘queridinho’ da internet; o efeito das redes ponto a ponto começa a ser sentido.


FOLHA – Quais foram os principais acontecimentos inesperados?


KLEINROCK – Houve vários acontecimentos desse tipo, mas destaco os seguintes: a rápida penetração dos PCs; o lado negro da internet, que surgiu na forma de worm em 1988 e na de spam em 1994; o crescimento fenomenal do compartilhamento de arquivos de música; a explosão do YouTube; o interesse despertado pelas redes sociais; as mudanças de estilo de vida que a tecnologia provocou nas gerações mais jovens; a alta incidência de pirataria na rede; e o fato de a minha mãe usar a internet até os 99 anos de idade -ela morreu em agosto passado, dois meses antes de completar cem anos.


FOLHA – O que se esperava que ocorresse, mas não aconteceu?


KLEINROCK – A confiança e a honestidade no uso da internet deixaram de verificar-se quando o número de usuários atingiu a casa dos milhões; a adoção e a instalação da banda larga nos EUA deram-se de forma muito mais lenta do que o previsto; um grande número de pessoas acreditou na nova economia do boom das pontocom, mas essa bolha estourou em 2000; não ocorreu o desaparecimento dos jornais; ainda não há mecanismos eficientes para se reconhecer a confiabilidade das informações divulgadas na internet; os computadores maciçamente paralelos não conseguiram substituir os computadores de alta performance.


FOLHA – Quais os maiores desafios tecnológicos dos dias de hoje?


KLEINROCK – É difícil separar os desafios tecnológicos dos desafios sociais e econômicos. Os desafios que identifico são os seguintes: adaptar a tecnologia para atender às necessidades da sociedade, da economia, da educação; um verdadeiro aparelho portátil de comunicação e de geração de imagens (rendering), com vários usos e funções, dotado de conteúdo, aplicativos, serviços e dispositivos convergentes; encontrar caminhos para prorrogar a Lei de Moore [de Gordon Moore, co-fundador da Intel. Grosso modo, diz que, a cada dois anos, a capacidade dos microprocessadores dobra]; disponibilizar o acesso de banda larga a um número maior de pessoas; fornecer em todos os lugares produtos e serviços que consigam determinar sua localização geográfica; criar espaços inteligentes e instalar agentes inteligentes; fazer da internet um ambiente mais seguro.


FOLHA – E especificamente em relação à internet?


KLEINROCK – De longe, os dois maiores desafios são controlar o lado negro da internet e fornecer ao mundo subdesenvolvido serviços de internet a preços módicos e acesso à internet.


FOLHA – Que tipo de produto pode surgir nos próximos anos?


KLEINROCK – Espaços inteligentes (com sensores, atuadores, displays, aparelhos de reconhecimento sendo instalados nos ambientes pelos quais circulamos); dispositivos biomédicos implantados; computação quântica (ainda distante); displays de alta resolução flexíveis; tecnologias wireless altamente flexíveis; aparelhos de armazenagem de dados com pequenas dimensões e grande capacidade; dispositivos portáteis integrados; displays montados na lente de óculos.’


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Tecnologia muda os hábitos do público


‘A popularização das câmeras digitais foi a grande mudança na indústria fotográfica das últimas décadas.


‘A tecnologia digital mudou para sempre a maneira como as pessoas tiram, compartilham e guardam suas fotos’, diz Virgínia Ginestra, gerente de marketing e vendas da Olympus.


Há 20 anos, o consumidor pensava mais antes de efetuar qualquer disparo na câmera -uma foto mal tirada significava desperdício de filme.


Para tirar cópias, ele deixava o filme no laboratório fotográfico, que podia demorar dias para fazer as revelações. Porta-retratos e álbuns em formato de livro serviam para armazenar e exibir as fotos.


Hoje pode ser difícil entrar em um ambiente sem máquinas fotográficas -elas estão por toda parte, muitas embutidas em telefones celulares.


Qualquer evento pode ser motivo para flashes, e a imagem pode ser conferida na hora, na tela da câmera, impressa em casa e copiada com rapidez.


Com o mercado cada vez mais competitivo, um dos grandes desafios das empresas é oferecer produtos diferenciados, com recursos como detecção de faces, estabilização de imagem e redução de poeira nos sensores. Outro objetivo é facilitar a integração entre o usuário e a câmera.’


 


Marcelo Nóbrega


Redes sociais apontam futuro on-line


‘No começo era o portal. A experiência do internauta na rede se resumia à segurança dos grandes sites e de suas ofertas. Mas em 1999 tudo mudou. Serviços como o LiveJournal e o Blogger inauguraram a cultura dos blogs, e a web 2.0 nasceu, mudando a sociedade e definindo o futuro da internet.


‘Você já tentou escrever editando uma página em HTML? É terrível’, diz Marcelo Coutinho, diretor do Ibope Inteligência. ‘Antes da web 2.0, o conteúdo era o rei, e quem tivesse mais sob seu chapéu triunfaria. Hoje, cada internauta é um produtor de conteúdo e gerador de valor.’


A web 2.0 caiu nas graças dos usuários e do mercado. É definida pela transição do internauta de mero espectador e consumidor para criador, recriador de informação. A notícia apresentada pela mídia é retrabalhada e comentada nos blogs. O videoclipe é remixado e enviado para o YouTube, e fotos do mundo inteiro ganham sentido ao serem classificadas e qualificadas pelos internautas em álbuns como o Flickr.


Impacto das redes sociais


O Orkut é o site mais acessado no Brasil e semelhantes como MySpace, Facebook, Mixi, Friendster e Bebo fazem sucesso no resto do mundo.


Especialistas não se arriscam a prever o futuro da internet, mas concordam que as redes sociais estarão nele, com um papel até maior que o atual. ‘Quem imaginaria há cinco anos que o Orkut faria tanto sucesso?’, ilustra Coutinho.


O analista do Ibope afirma que o esvaziamento do espaço social nas grandes cidades, por questões como o custo do lazer e a violência, aproxima o cidadão do contato pela rede social.


‘As empresas já descobriram o potencial desse mercado, mas ainda pensam em controlá-lo, como fazem em outros meios. Quando uma empresa de mídia permitiria que seus leitores dessem notas para uma matéria?’, questiona.


A importância das redes sociais para a internet atual é tão grande que especialistas chegam a considerá-las concorrentes dos mecanismos de busca por oferecerem informações contextualizadas. Em vez de um site sugerir a compra de um certo automóvel, a dica vem do amigo ou conhecido numa comunidade especializada do Facebook, por exemplo.


‘Quando você combina redes sociais e serviços alimentados pelo internauta com resultados gerados por algoritmos e pela mídia, o resultado é maravilhoso’, explica Steve Rubel, SVP e diretor de Insights da Edelman Digital nos EUA.


Um exemplo é o Maha lo.com. O mecanismo de busca combina respostas de buscadores tradicionais com páginas especiais criadas por usuários.


As redes sociais também alteram o uso da internet. Cada vez mais usuários adotam os serviços como suas formas principais de comunicação, substituindo o e-mail e o mensageiro instantâneo.


Web 3.0


Rubel considera que o internauta já encara uma crise de atenção, que será uma questão essencial para o futuro da rede. ‘A quantidade de informação em busca do usuário ultrapassa a nossa capacidade de gerenciá-la. As pessoas terão que fazer escolhas sobre o que deixarão que entre em suas vidas. E a tecnologia vai ter que ajudar.’


Um dos auxílios previstos é o da web semântica, ou web 3.0. Nela, o conteúdo será contextualizado. Agentes tecnológicos em software se encarregarão de entregar informação ao internauta de acordo com suas preferências e com a mínima administração do usuário. Como muito dessa rede já está na ‘cloud’, ou nuvem informacional que compõe a internet, resta à tecnologia saber procurar.’


 


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Sem EUA, internet será global em 2009


‘A partir de 2009, a internet torna-se realmente global. Acaba a influência dos Estados Unidos sobre o Icann, organização que controla os servidores que nomeiam os sites da grande rede. Ao mesmo tempo, um fórum proposto pelas Nações Unidas debate como os países interconectados combaterão, juntos e cada vez melhor, as ameaças eletrônicas e os crimes transpostos do real para o virtual.


O Icann tem diretoria internacional, mas opera sob contrato com o Departamento de Comércio dos EUA, que ratifica decisões da organização -o que faz muitos temerem a influência americana na internet.


Para 2009, está previsto o fim da relação entre o Departamento de Comércio dos EUA e o Icann, abrindo caminho para a internacionalização da organização.


‘Empurrava-se para o Icann a conversa sobre spam, pedofilia e outros assuntos porque não havia outro espaço para isso. Agora, alguns querem debater o futuro do Icann no IGF (Fórum de Governança da Internet), mas, pessoalmente, não acho que seja o melhor lugar para resolver isso’, explica Markus Kummer, coordenador executivo do IGF, que reúne interessados de todos os setores para o nascimento de um sistema múltiplo, no qual todos têm palavra.


Embora o debate da governança passe por cibercrime, privacidade e liberdade de expressão na rede global, o papel do Icann ainda ocupa um espaço grande nos encontros do IGF. A instituição sem fins lucrativos controla os servidores do sistema de nomes de domínio, que atribui uma identificação única a cada computador conectado à internet. Sem eles, não haveria uma rede global.


Kummer defende a governança múltipla reforçada pelo IGF. ‘Alguns querem um tratado global, mas isso exige tempo e há muito que pode ser feito antes. No Reino Unido, sociedade, governo e empresas conseguiram reduzir os servidores locais que hospedavam pornografia infantil para zero.’


Para o diplomata, já há organizações que agem globalmente, como a União Internacional de Telecomunicações, o Conselho da Europa, a Unesco e órgãos que regulam direitos autorais e tratados comerciais. Não há a necessidade de criar outra organização. O poder do IGF é juntar esses debates.’


 


Daniela Arrais


Só 17% dos brasileiros têm acesso à internet em casa


‘Nem todo mundo está conectado. Pelo menos se a referência são os lares do Brasil. A pesquisa TIC Domicílios 2007, feita pelo Cetic.br a pedido do Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que apenas 24% dos domicílios brasileiros possuem computadores e só 17% dos habitantes têm acesso à internet em suas casas.


De 2006 para 2007, o aumento de micros nas residências brasileiras foi de quatro pontos percentuais, e o crescimento do acesso à internet em casa, de três pontos percentuais, o que representa 11 milhões e 7,8 milhões de domicílios, respectivamente.


No total, o número de usuários de computador chega a 52,9 milhões. O total de pessoas que acessaram a internet nos últimos três meses atingiu 44,9 milhões.


O estudo também mostra que o ano passado transformou locais pagos, como LAN houses e cibercafés, nos principais ponto de acesso à internet -esse tipo de acesso passou de 30% para 49%. O uso em casa permaneceu estável em 40%.


Ainda de acordo com a pesquisa, feita em 17 mil domicílios em zonas urbanas, as conexões de banda larga estão presentes em 50% dos lares que possuem acesso à internet -crescimento de dez pontos percentuais em relação ao ano anterior. Mas 42% dos brasileiros ainda usam a rede via telefone, que não permite alta velocidade de navegação.


O principal entrave para a posse de equipamentos nas residências é econômico: o custo elevado do computador (78%) e o do acesso à internet (58%). Os entrevistados afirmam, também, que a principal barreira para o uso da internet é a falta de habilidade (55%).’


 


China ultrapassa EUA e tem maior número de internautas


‘A China ultrapassou os Estados Unidos, tornando-se o país com o maior número de internautas do mundo: 220 milhões. A informação foi divulgada na última sexta-feira pela empresa chinesa de consultoria e pesquisa BDA.


Os números se referem a fevereiro último, quando a população on-line norte-americana somava 217 milhões de usuários.


O impulso no número de usuários de internet na China se deve ao aumento da banda larga e à popularidade de locais de acesso pago em cidades pequenas, segundo Liu Bin, analista da empresa.


Entre os chineses, o buscador local Baidu.com é líder -tem 60,1% de participação, contra 25,9% do Google, segundo a Analysys International. O site é processado por, supostamente, facilitar a pirataria.’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 19 de março de 2008


IMPRENSA NA JUSTIÇA
O Estado de S. Paulo


Eduardo Jorge ganha ação contra revista


‘O Superior Tribunal de Justiça condenou ontem a revista Veja a pagar R$ 150 mil ao ex-secretário da Presidência da República Eduardo Jorge por danos morais. A revista deverá ainda publicar a íntegra da decisão, que tem 20 páginas. Os ministros consideraram que as reportagens da revista, entre 2000 e 2002, foram ofensivas à sua honra. O Ministério Público denunciou à época que ele teria envolvimento no desvio de R$ 169 milhões da obra do Fórum Trabalhista da Barra Funda, em São Paulo. As acusações foram arquivadas depois por falta de provas contra Eduardo Jorge.’


 


ERRO
O Estado de S. Paulo


‘El Tiempo’ pede desculpa a Quito


‘O jornal colombiano El Tiempo pediu ontem desculpas ao governo do Equador por ter afirmado erroneamente que o homem que aparece numa foto com o líder guerrilheiro colombiano Raúl Reyes seria o ministro equatoriano da Segurança, Gustavo Larrea. ‘Este jornal falhou em seus procedimentos de verificação (…) e falhou ao não atribuir claramente a informação à sua fonte’, afirmou El Tiempo em editorial, no qual diz que a foto foi entregue pela Polícia Nacional. A polícia nega. Segundo o jornal, a foto foi encontrada no computador de Reyes depois que o ‘número 2’ do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi morto, no dia 1º.


Após a publicação da foto, na segunda-feira, Larrea negou que o homem ao lado de Reyes fosse ele, exigiu um pedido de desculpas e advertiu que Quito não vai retomar os laços diplomáticos com Bogotá enquanto a Colômbia não puser fim ao que chamou de ‘campanha midiática’ para vincular o Equador às Farc. O jornal pediu desculpas a Larrea e reconheceu que o homem na foto é o secretário-geral do Partido Comunista argentino, Patricio Echegaray.


Ontem, a dona de uma casa na Costa Rica onde foram encontrados US$ 480 mil num cofre confirmou que o dinheiro era das Farc. Segundo Cruz Prado Rojas, ela e o marido guardavam o cofre a pedido do guerrilheiro Rodrigo Granda, considerado o ‘chanceler’ das Farc.’Foi um favor que ele (Granda) nos pediu entre os anos de 1997 e 1998, durante negociações com os Estados Unidos. Não sabíamos o que havia no cofre’, afirmou Cruz.


AP, AFP, EFE E REUTERS’


 


IMPRENSA NOS EUA
Richard Pérez-Peña


New York Times terá ‘forasteiros’ em seu conselho


‘THE NEW YORK TIMES – A The New York Times Company fechou um acordo com dois fundos de investimentos que querem fazer uma reestruturação drástica na empresa, concedendo aos fundos dois assentos no conselho para evitar uma negociação direta com os acionistas, anunciaram os dois lados na segunda-feira.


É a primeira vez desde que a Times Company colocou suas ações na Bolsa, em 1967, que a empresa aceita diretores nomeados por pessoas de fora, por força do acordo com a Harbinger Capital Partners e com a Firebrand Partners, disseram executivos da Times Company.


O acordo também acomoda, por enquanto, a mais séria proposta que a empresa já enfrentou para afrouxar o controle do presidente do conselho, Arthur Sulzberger Jr., e sua família. Os fundos acumularam 19% das ações ordinárias da empresa, o que talvez seja a maior participação acionária que qualquer acionista que não seja da família já teve nos últimos 40 anos.


O novo acordo poderá resultar em algum desconforto na política interna, mas não se sabe se terá algum efeito sobre a direção da empresa. Uma estrutura de duas classes de ação dá à família Sulzberger o controle incontestável de uma maioria do conselho, e o grupo Harbinger-Firebrand disse que não pretende desafiar esse controle.


‘Tanto o conselho quanto a direção da empresa recebem de bom grado as perspectivas e visões dos nossos novos diretores propostos’, disse Sulzberger, numa declaração divulgada pela empresa. Na mesma declaração, Philip A. Falcone, diretor-administrativo sênior da Harbinger, disse: ‘Nossos indicados estão na expectativa de trabalhar com os outros conselheiros e a administração para construir e trazer valor para seus acionistas.’


Os fundos hedge têm argumentado que a empresa deve vender muitos de seus ativos – incluindo possivelmente seu prédio-sede em Manhattan, o jornal The Boston Globe, alguns jornais menores e uma participação acionária minoritária na equipe de beisebol Boston Red Sox – e investir agressivamente em empresas de internet. Mas os fundos também têm tido o cuidado de não criticar diretamente a administração e têm dito que, uma vez que estejam a par das informações internas, talvez mudem de opinião.


Uma pessoa próxima dos diretores dos fundos disse que a equipe formada pela Harbinger e pela Firebrand poderia ter vencido uma negociação direta com os acionistas, mas esse procedimento teria sido dispendioso e danoso para as relações com a administração.


Janet L. Robinson, a diretora-presidente da Times Company, disse que a empresa sempre esteve aberta à venda de ativos e à compra de empresas de internet. No ano passado, vendeu suas estações de televisão e nos últimos três anos comprou uma meia dúzia de empresas online, incluindo a About.com. Mas ela insiste que a empresa precisa agir com prudência, não vendendo apenas por vender nem comprando apenas por comprar.


Os fundos nomearam candidatos para todos os quatro assentos eleitos pelos detentores de ações Classe A. Segundo o acordo, a empresa comprometeu-se em nomear dois deles – Scott Galloway, um dos fundadores da Firebrand e o principal estrategista da proposta dos fundos, e James A. Kohlberg, presidente do conselho da Kohlberg & Company.


Um trust (cartel) da família Sulzberger possui quase 90% das ações Classe B da empresa, que não são cotadas em bolsa, e tem o poder exclusivo de votar na maioria dos assentos do conselho. Segundo a trégua estabelecida com os fundos, o número de diretores eleitos pelas ações Classe B subirá de nove para dez. O número de diretores de ações Classe A subirá de quatro para cinco. Até agora, a família e seus aliados no conselho vinham efetivamente controlando essas eleições. Mas, nos últimos anos, a queda no preço das ações, um drástico declínio na indústria jornalística e o crescente descontentamento dos acionistas reduziram esse controle como nunca antes.


Em 2006, 30% dos acionistas Classe A recusaram-se a votar para eleger a diretoria e, no passado, 42% fizeram o mesmo. O principal acionista que comandou a campanha, o Morgan Stanley Investment Management, desistiu de suas tentativas de obrigar a empresa a fazer mudanças e vendeu a participação que tinha na empresa.


As ações da Times Company, que atingiram seu pico de mais de US$ 50 em 2002, desde outubro último vêm sendo comercializadas por valores entre US$ 15 e US$ 20. Isso abriu a porta para a parceria Harbinger-Firebrand comprar mais do que o dobro do número de ações que a Morgan Stanley detinha.


A empresa registrou no ano passado um lucro de US$ 209 milhões, para uma receita de US$ 3,2 bilhões. Como a maioria das grandes empresas jornalísticas, sua receita com publicidade foi bem menor em 2007, e continua a cair em 2008. O setor vem sofrendo um duplo golpe – a transferência de longa data de leitores e anunciantes para a internet e a desaceleração geral da economia.


NÚMEROS


US$ 3,2 bilhões foi a receita da Times Company no ano passado


US$ 209 milhões foi o lucro da empresa em 2007′


 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Jurados de Cannes discutem tendências


‘Os publicitários brasileiros escolhidos para participar do júri da 55ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, que será realizado em junho, na França, se reuniram na segunda-feira em um evento promovido pelo Estado, representante oficial do festival no Brasil. O encontro serviu para os publicitários trocarem impressões e experiências sobre o papel que desempenharão em Cannes.


Este ano, serão 11 os jurados brasileiros em Cannes. O presidente da agência Salem Propaganda, Márcio Salem, será o único brasileiro a presidir um júri – o da categoria Marketing Direto. Além dele, também participam do festival Luiz Sanches, diretor de criação da AlmapBBDO (será jurado na categoria Anúncios Impressos); Frederico Gelli, presidente da Tátil Design (na categoria Design); Mentor Muniz Neto, sócio da agência Bullet (vai julgar Ações Promocionais); Sergio Mugnaini, diretor de criação da AlmapBBDO (Internet); Paulo Sanna, diretor de criação da McCann Erickson (Internet); Flavio Casarotti, vice-presidente de criação da Fischer America (Rádio); André Lima, diretor de criação da NBS (Outdoor); Eduardo Lima, diretor de criação da F/Nazca Saatchi & Saatchi (Filmes); Luiz Fernando Vieira, vice-presidente de mídia da Africa (Mídia); e Sergio Valente, presidente da DM9DDB (Titanium).


Luiz Sanches afirmou estar se preparando para a função desde o dia em que foi convidado. ‘Estou pesquisando os anuários de publicidade e buscando tudo o que existe sobre o tema para não ser surpreendido’, disse. Márcio Salem também disse estar empenhado. ‘Estou aperfeiçoando o meu inglês, com aulas todos os dias, e também pretendo entrar em contato com os ex-presidentes da categoria que vou presidir’, contou. Os dez júris, nas diferentes categorias, analisam e escolhem entre mais de 22 mil peças.’


 


FUTEBOL
Almir Leite


Marketing eleva receita dos clubes


‘O marketing está caminhando a passos largos para se tornar a principal fonte de receitas do futebol brasileiro. Levantamento feito num período de quatro anos, de 2003 a 2006, com base no balanço de 21 dos principais clubes do País, mostra que os ganhos com patrocínio e publicidade tiveram crescimento médio de 40% ao ano. Em contrapartida, o dinheiro das cotas de TV aumentou apenas 10%.


A ‘engorda’ dos valores auferidos com o marketing se dá por vários motivos. Nos últimos anos, esse campo tem sido mais bem explorado – embora na prática os clubes ainda engatinhem no setor. Um fator importante foi a adoção, pelo futebol brasileiro, do sistema de pontos corridos na Primeira e na Segunda divisões do Nacional. Isso contribuiu para que aumentasse o interesse de potenciais patrocinadores.


‘Com esse sistema, a credibilidade cresceu. Quem investe tem visibilidade??, analisa Amir Somoggi, da Casual Auditores Independentes, empresa que fez o estudo. ‘Há maior organização, o calendário é definido com antecedência, e cumprido. O futebol está mais transparente.??


O ano de 2003 foi o primeiro em que a divisão de elite do Brasileiro foi jogada em turno e returno. A análise abrange até 2006, porque os balanços referentes ao ano passado ainda não foram totalmente publicados – os clubes têm prazo até abril. As 21 agremiações escolhidas pelo trabalho são donas de mais de 80% das receitas dos clubes do País, que nos quatro anos abrangidos pelos estudos chegaram a R$ 3,5bilhões.


Em valores absolutos, o ganho com patrocínio e publicidade ainda está atrás do montante recebido com cotas de TV e transferência de atletas (veja gráfico). Mas o fortalecimento desse item é mais consistente. O dinheiro da televisão pulou de R$ 221 milhões para R$ 286 milhões entre 2003 e 2006. E os recursos provenientes da venda de atletas saltaram de R$ 169 milhões para R$ 227 milhões, crescimento médio anual de 16% (em 2005 chegou a R$ 330 milhões e depois caiu). A bilheteria subiu de R$ 46 milhões para R$ 79 milhões (20%, na média). Os ganhos com marketing, enquanto isso, passaram de R$ 58 milhões para R$ 168 milhões.


‘A transferência é algo sazonal??, explica Amir. ‘Em 2005, por exemplo, o peso aumentou porque ocorreram negociações com valores altos. A venda de Robinho do Santos para o Real Madrid, por exemplo (por cerca de R$ 70 milhões). Em 2006, as transações foram mais modestas.?? Com base nessa situação, o valor geral das transferências deve aumentar novamente em 2007, pois só Alexandre Pato foi do Inter para o Milan por cerca de R$ 56 milhões.


FLAMENGO NA FRENTE


O Flamengo continua sendo o clube que mais arrecada com patrocínio e publicidade. Em 2006, entraram nos cofres da Gávea R$ 24,436 milhões de verba de patrocínio e ações como licenciamento e venda dos mais variados produtos ligados ao clube, a começar pelas camisas. Mas o São Paulo, que surge em segundo lugar (R$ 21,297 milhões), mostra-se mais criativo.


O Tricolor tem apostado em itens como a loja instalada no Morumbi, lojas itinerantes e o licenciamento constante de produtos. ‘O São Paulo tem 3% do faturamento vindo de royalties. A média dos outros clubes fica em 0,5% e 1%??, diz o analista. O campeão brasileiro é, então, exemplo a ser seguido. ‘O São Paulo faz um trabalho de alto nível, mas o principal é que os clubes percebam a necessidade de profissionalizar totalmente seus departamentos de marketing??, comenta Somoggi.’


 


CHINA
Jamil Chade


Manifestantes são contra a tocha no Tibete


‘O percurso da tocha olímpica se transforma em uma disputa política. Ontem, mais de mil manifestantes protestaram em frente à sede do Comitê Olímpico Internacional (COI), pedindo que a tocha não passe pelo Tibete e que a entidade condene as atitudes de Pequim em relação às violações de direitos humanos. O protesto foi organizado por monges e entidades – também brasileiras – de apoio ao dalai lama diante da repressão sofrida pelos religiosos nos últimos dias pela polícia chinesa.


Os manifestantes ainda pediram que o COI firmasse posição diante da crise no país dos Jogos Olímpicos. Segundo os tibetanos, a passagem da tocha pelo Tibete será usada pela China como demonstração de soberania de Pequim sobre a área.


‘Nossas montanhas são sagradas e a tocha pode representar ameaça a nossas intenções de acabar com a invasão chinesa’, afirmou ao Estado um manifestante que preferiu não se identificar para evitar que sua família sofra retaliações na China. A tocha passará por Llasa, em junho.


Outra queixa dos tibetanos se fere às violações dos direitos humanos. ‘As tensões no Tibete se agravaram diante da política do COI de permitir que a China use a Olimpíada para promover sua imagem internacional e escapar de críticas sobre os direitos humanos e sua ocupação do Tibete’, dizia trecho de carta assinada por 150 entidades de todo o mundo e entregue ontem ao escritório do presidente do COI, Jacques Rogge.


O COI se recusou a comentar o assunto e apenas deixou claro que os Jogos Olímpicos ‘podem ser um catalisador que deixará à China um grande legado’. O COI ainda garantiu que é defensor da liberdade de opinião, mas assegurou que o percurso da tocha não será modificado.


Para os manifestantes, o silêncio de Rogge ‘somente pode ser considerado um incentivo para que as autoridades chinesas continuem os atos brutais, confiantes de que nada terá repercussão’. Cartazes e bandeiras afirmavam: ‘Rogge, seu silêncio mata tibetanos.’ Em um breve comunicado, o COI apenas considerou natural que os defensores dos direitos humanos se aproveitem do fato de a China estar sob os holofotes por causa dos Jogos de Pequim.’


 


CINEMA
Luiz Carlos Merten


A nova bonitinha


‘Nos 60, nos 80 e agora nos 2000. A cada 20 anos, o cinema brasileiro faz a revisão de Bonitinha, mas Ordinária. A peça famosa de Nelson Rodrigues foi filmada por J.P. Carvalho com Lia Rossi em 1964 e por Braz Chediak com Lucélia Santos em 1981. Moacyr Góes roda atualmente a terceira versão no Rio, com produção de Diler Trindade. O filme assinala a parceria da Diler com a empresa produtora e distribuidora Califórnia. João Miguel e Leandra Leal interpretam Edgard e Ritinha. Letícia Colin é Maria Cecília, a bonitinha.


Na melhor cena da versão de Braz Chediak, a mãe lava a cabeça de Edgard (José Wilker) enquanto conversam sobre a tentadora oferta. Edgard ama Ritinha, mas está sendo cooptado – o valor do cheque é tentador – a casar-se com Maria Cecília, vítima de estupro. A garota de boa família foi currada por cinco ‘negrões’ – com o perdão do preconceito, mas é para ser fiel ao texto -, um dos quais, o líder do grupo, chama-se Cadelão. Edgard hesita em aceitar o casamento (e o cheque). A mãe lhe diz – ‘Baixa a cabeça’. Ela está pedindo ao filho que baixe a cabeça porque quer enxaguar seus cabelos, retirando o excesso de espuma. Mas este ‘baixa a cabeça’ tem outro significado, metafórico, como se dissesse: ‘Aceite, não seja bobo.’


A cena não foi uma invenção de Braz Chediak. Ela está no texto de Nelson Rodrigues – e estará na versão de Moacyr Góes, quando a mãe lava a cabeça de Edgard no tanque. Há um universo suburbano muito rico, e denso, em Bonitinha, mas Ordinária. As versões anteriores privilegiaram o sensacionalismo, no limite do pornográfico – e causou sensação, há 27 anos, o grito de Maria Cecília/Lucélia, quando ela ordena que Cadelão faça o que faz. Pois a origem da peça está nesta dualidade. A bonitinha é ordinária. Ela não foi currada. Ela quis – exigiu – ser currada pelo grupo de Cadelão. Para Moacyr Góes, a história é outra. Ele já montou a peça no teatro e, se agora a verte para o cinema, é porque pretende fazer um comentário sobre o Brasil atual. ‘A discussão da ética é o mais importante’, ele conta para o repórter do Estado, num intervalo da filmagem de Bonitinha, mas Ordinária, num conjunto residencial do bairro de Laranjeiras, no Rio.


A cena filmada neste dia – quarta, dia 12, ainda na primeira das quatro semanas de rodagem – é simples: o encontro de Edgard e Ritinha. Ambos moram no mesmo conjunto, ele a come com os olhos, mas ainda não se falaram. Ritinha é professora, ou pelo menos usa a fachada de professora para encobrir a verdadeira atividade, prostituta, mas isso Edgard só descobre depois. Ele intercepta Ritinha na saída do prédio e lhe oferece carona. Ela hesita, mas termina cedendo. O carro, um velho jipe, enguiça e ele precisa descer para ajustar o motor. Tudo é filmado num único e prodigioso plano-seqüência, com câmera na mão, que o repórter acompanha pelo monitor de vídeo. Mas, pena, Moacyr filma detalhes para depois inserir na montagem – com o master, o plano-seqüência, o filme seria esteticamente mais ousado.


Ousado ele será, com sua vontade de usar um texto do começo dos anos 60 para discutir o Brasil dos anos 2000. ‘Edgard vive o mesmo dilema de milhões de brasileiros. Precisa mostrar a si mesmo que é honesto, num País habitado por Peixotos (NR – cunhado de Maria Cecília, que lhe oferece o cheque vultoso). A construção da ética é um tema fundamental no Brasil de hoje’, avalia o diretor.’


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


A volta da Diarista


‘Os cassetas vão ressuscitar A Diarista. Isso mesmo. Em sua participação no humorístico, Cláudia Rodrigues terá quadros com sua personagem de maior sucesso, a empregada doméstica Marinete.


A humorista, que substituirá Maria Paula durante sua licença maternidade, gravou sua primeira participação no Casseta & Planeta, Urgente! na segunda-feira, no quadro Cuidado! Tiozão na Área, com Beto Silva e Claudio Manoel.


Além de viver personagens que estão sendo criados especialmente para ela , Cláudia trará de volta alguns de seus sucessos. A Diarista, por exemplo, terá um quadro no Casseta batizado de Marinete no Olho da Rua. Outros personagens de Cláudia também podem ganhar espaço na atração.


A primeira aparição da humorista entre os cassetas será em abril, com o fim das férias da atração. Maria Paula deixa uma caixa no camarim para os colegas, que, ao abrirem, darão de cara com Cláudia, uma espécie de ‘Maria Paula Substitaitor Tabajara’.


Diferentemente dos outros cassetas, Cláudia não participará da produção de textos do programa.’


 


CULTURA
O Estado de S. Paulo


Produtores teatrais vão ao Senado


‘Ao discutir a proposta da Lei Geral do Teatro, o presidente da Associação dos Produtores de Teatro do Rio (APTR), Eduardo Barata, declarou: ‘Não queremos ficar dependentes do orçamento do governo, pois este a cada ano é modificado. Precisamos de um marco regulatório de Estado’, disse ele, que participou ontem de reunião no Senado Federal, em Brasília, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).


O presidente da Funarte, Celso Frateschi, questionou a idéia de que a produção teatral não pode ficar dependente do orçamento público. ‘Será uma solução ficar à mercê do orçamento da iniciativa privada?’, perguntou ele.


Barata e a atriz Regina Duarte, que também esteve na reunião, estão entre os que acusam o Ministério da Cultura de não dispensar tratamento correto aos produtores teatrais.


com Agência Senado’


 


OBITUÁRIO
Luiz Carlos Merten


Anthony Minghella morre em Londres, aos 54 anos


‘Anthony Minghella, diretor (premiado com o Oscar) de O Paciente Inglês, havia sido hospitalizado há duas semanas, em Londres, para remover um tumor maligno que já se alastrava das amídalas para o pescoço. Era uma cirurgia delicada, mas as chances de recuperação pareciam boas. Ainda surpresa com os acontecimentos, a agente do cineasta disse ontem que a cirurgia foi bem, os médicos estavam otimistas e já falavam até em dar alta para o paciente, mas na noite de segunda-feira ele teve uma hemorragia que não pôde ser contida. Minghella morreu na madrugada de terça, aos 54 anos. Nos últimos meses, ele trabalhava no roteiro do que seria seu próximo filme – uma adaptação do romance The Number 1 Ladies Detective Agency, de Alexander McCall Smith, para a BBC.


Minghella não havia impressionado muito os críticos com seus dois primeiros filmes, Um Romance do Outro Mundo e Um Amor de Verdade, mas aí ocorreu o fenômeno O Paciente Inglês. Decidido a adaptar o romance de Michael Ondaatje, ele bateu à porta de todas as grandes empresas produtoras de Hollywood. ‘Não parecia muito promissor – um filme europeu sobre um homem caçado por seu passado durante a guerra, com bons atores mas nenhuma estrela e ainda por cima assinado por um diretor sem muita experiência’, ele declarou numa entrevista. Depois de ouvir muitas negativas, Minghella ganhou o apoio dos irmãos Weinstein na empresa Miramax, e o resto é história.


O Paciente Inglês foi indicado para 12 Oscars, venceu nove em 1996, incluindo os de melhor filme, diretor e atriz coadjuvante (Juliette Binoche), e marcou o reconhecimento da Academia de Hollywood à produção independente. Já com o prestígio estabelecido, Minghella adaptou o livro de Patricia Highsmith e fez O Talentoso Ripley, com Matt Damon e Jude Law, baseado na mesma história que havia inspirado O Sol por Testemunha, de René Clément, com Alain Delon, em 1960. Para promover o filme, o cineasta esteve no Brasil. Entevistado pelo Estado, disse que sua prioridade era estimular o surgimento de novos talentos, como consultor de roteiros. Ele ainda dirigiu Cold Mountain, com Nicole Kidman, Jude Law e Renee Zellweger- que ganhou o Oscar de coadjuvante -, baseado no romance de James Frazier, com imagens impressionantes da Guerra Civil norte-americana. Anthony Minghella vivia cheio de projetos. Sua morte prematura interrompe uma carreira marcada, em seus melhores momentos, por filmes românticos e comoventes sobre anti-heróis individualistas.’


 


 


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