Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Nelson de Sá

03/11/2005 na edição 353

‘Para Sérgio Dávila, comentarista do ‘SBT Brasil’, George W. Bush vem aí ‘cuidar melhor de seu quintal’. Embarca hoje para a Argentina e sábado chega ao Brasil.


Lá e cá, segurança como nunca. Segundo a Globo, é ‘um dos maiores esquemas já montados no Brasil’. Também em destaque na emissora, ‘em entrevista, Bush disse que conta com o apoio de Lula para consolidar a democracia’.


Foram várias versões da mesma entrevista. A agência Reuters destacou que o presidente americano admitiu que ‘a Alca está parada, no momento’, mas que contrapôs os esforços pelo livre comércio mundial.


O argentino ‘La Nación’ deu na manchete a frase ‘Estou feliz de ajudar a Argentina’.


No brasileiro ‘O Estado de S. Paulo’, também em manchete, ‘Empenho de Lula é vital para a democracia, diz Bush’.


Foram tantos elogios a Lula que conseguiram espaço até na edição argentina da entrevista. Algumas das declarações do amigo americano:


– Temos de fato uma boa relação e acho que isso surpreendeu muita gente. As pessoas tinham essa visão de que eu era de um jeito e Lula, de outro, e não haveria maneira de encontrarmos terreno comum. Sinto que isso veio de parte da imprensa na América do Sul. No entanto, nosso primeiro encontro no Salão Oval foi caloroso.


Sobre comércio:


– O Brasil é um ator muito importante em Doha e inspira o respeito não apenas dos EUA, mas da União Européia e de outros países.


Sobre Hugo Chávez, Evo Morales e outros assim:


– Não é papel dos EUA ou meu dar ao presidente Lula uma lista de amigos, ‘o senhor não pode falar com este ou aquele’… Ao mesmo tempo é útil, à vezes, telefonar ao presidente Lula e dizer que tenho preocupação com este ou aquele e perguntar, ‘o senhor se importaria em dar uma olhada nisso?’.


Que ninguém se engane, a pressão pela Alca e tudo mais continua. De Peter Hakim, presidente do influente Inter-American Dialogue, de Washington, no ‘Miami Herald’:


– Nada será alcançado se as nações latino-americanas não estiverem prontas para um sério compromisso de reconstrução da cooperação hemisférica. Nenhum compromisso é mais vital do que o do Brasil, que, mais que qualquer outra nação latino-americana, define a agenda regional e o sucesso da política dos EUA no hemisfério.


Alucinação


Sob crise, sem força no Congresso, George W. Bush indicou um extremista à Suprema Corte. E o ‘Los Angeles Times’ deu ontem que o Santo Daime pode ser a primeira vítima de uma onda conservadora dos novos juízes. A corte iniciou o debate que vai decidir se uma ‘pequena congregação do Novo México, de uma igreja sediada no Brasil, União do Vegetal’, pode usar o ‘chá alucinógeno’.


Contas


Alastra-se pela blogosfera ‘o duto baiano’, no enunciado de Josias de Souza, ontem -as 200 páginas do Tribunal de Contas sobre a suposta ‘conta bancária não-registrada’ da Bahiatursa. O Blue Bus, de Júlio Hungria, trouxe até resposta da agência baiana Propeg, questionando a falta de ‘outro lado’. E agora já tem blogueiro, no Novae, achando que Cuba só apareceu para ‘esconder a notícia’.


A LIBERTAÇÃO


Boff num santuário


Bento 16 foi protagonista do Dia de Finados, ontem na Globo, e alvo de inesperados elogios da igreja brasileira.


No site Adital, de Frei Betto e outros, Luís Corrêa Lima, jesuíta, saudou o ‘encontro importante’ entre o papa e o teólogo Hans Kung, semanas atrás. Kung ‘saiu maravilhado’. Lima lembrou que Bento 16 ‘foi teólogo avançado no Concílio’.


Em longa entrevista ao espanhol ‘El País’, o teólogo brasileiro Leonardo Boff foi na mesma linha, ontem, saudando que ‘o papa faz bem ao retomar o Concílio Vaticano 2º, que significa abrir a igreja ao mundo e aceitar a existência de muitas igrejas locais’.’



PLAMEGATE


Luis Fernando Verissimo


‘Disse que disse’, copyright O Globo, 3/11/05


‘Como é mesmo aquela história da ausência de um cravo que derrubou um império? Por falta do cravo a ferradura caiu, o cavalo mancou, o rei foi ao chão, o exército ficou sem comando, a batalha foi perdida e o império ruiu. A história está se repetindo nos Estados Unidos. O império americano não está prestes a ruir mas a fortaleza que protegia o governo Bush de qualquer ataque sério à sua credibilidade e à sua empáfia acaba de mostrar a primeira rachadura – causada por um pequeno detalhe. O cravo, no caso, são as mentiras ditas pelo governo para encobrir um crime, não o da sua responsabilidade pelo desastre no Iraque, mas o de ter revelado a identidade secreta de uma agente da CIA. O tal assistente do vice-presidente Dick Cheney foi indiciado porque disse que não disse o que aparentemente disse a repórteres sobre a mulher, casada com um crítico da guerra no Iraque que o governo queria desacreditar. O principal conselheiro político do presidente Bush também pode ser indiciado pela mesma indiscrição. No julgamento que virá, o pequeno detalhe fatalmente se transformará na primeira cobrança para valer, judicial, das ações e enganações do governo que levaram à invasão do Iraque. Para explicar as pequenas mentiras o governo terá que explicar sua grande mentira. A que já matou mais de dois mil soldados americanos e incontáveis (literalmente) iraquianos.


Joe Wilson, o marido que o governo Bush tentou desmoralizar com as revelações sobre sua mulher, que o teria indicado à CIA para a missão, foi à África verificar se Saddam Hussein estava mesmo comprando urânio de Niger para suas armas nucleares. Não estava, mas o relatório de Wilson foi ignorado e a falsa notícia da compra de urânio e das armas nucleares continuou sendo usada por Bush para justificar a guerra. Wilson escreveu um artigo para ‘The New York Times’ denunciando este engodo, entre outros. Começou a campanha para desacreditá-lo, liderada por Cheney. As indiscrições planejadas sobre a mulher de Wilson chegaram a Robert Novak, um colunista ultraconservador, que as publicou sem dizer quem disse. Cheney, o secretário da Defesa Rumsfeld e a ‘cabala’ (o termo é de um crítico recente da guerra, republicano como eles) neoconservadora que cerca Bush criaram a ficção que justificou a guerra. Todos podem ser convocados para se explicar. O pedido de investigação do caso partiu da CIA, que não quer levar a culpa pela farsa. Enfim, vem meleca por aí. Saudável meleca, só possível numa democracia em funcionamento, com um judiciário exemplarmente independente e uma imprensa que começa a se redimir de ter engolido os engodos. E porque a fortaleza de Bush não era, afinal, à prova de realidade. Principalmente a realidade de mais de dois mil americanos mortos por uma mentira.’



TIME WARNER NO AZUL


O Globo


‘Lucro trimestral da Time Warner cresce 80%’, copyright O Globo, 3/11/05


‘A gigante de mídia Time Warner registrou um salto de 80% em seus lucros no terceiro trimestre, graças à expansão da base de assinantes da TV a cabo e da internet de alta velocidade. O grupo lucrou US$ 897 milhões, frente a US$ 499 milhões no mesmo período de 2004.


A maior empresa de mídia do mundo, que abrange os estúdios de cinema Warner Bros., os canais a cabo HBO e CNN e a revista ‘Time’, entre outros, informou que sua receita cresceu 6,1% no terceiro trimestre: de US$ 9,94 bilhões para US$ 10,5 bilhões.


O faturamento das operações por cabo – que inclui TV e acesso à internet de alta velocidade – cresceu 13%, puxado por um aumento de 24% no faturamento com assinantes de banda larga. O número de assinaturas básicas aumentou em 18 mil, para 10,9 milhões. A receita também foi ajudada pela venda de programas da HBO, como o seriado ‘Sex and the City’, para outros países.


Embora o faturamento da AOL tenha caído 5%, principalmente por causa da queda no número de assinantes por conexão discada, o faturamento da publicidade online subiu 29%, em razão da compra da Advertising.com no ano passado. A divisão perdeu 678 mil assinantes no trimestre, ficando com 20,1 milhões.


Produções cinematográficas fizeram receita subir 6%


A AOL era vista como um peso morto para a Time Warner, devido ao declínio nas operações de acesso discado, mas nos últimos meses a divisão conseguiu se reestruturar, concentrando-se na venda de publicidade online, a exemplo das bem-sucedidas Google Inc. e Yahoo! Inc. A AOL agora está sendo alvo de propostas de compra de suas rivais. Enquanto isso, a Time Warner está tentando convencer Microsoft, Google e Comcast a venderem suas participações minoritárias na AOL.


Recentes sucessos de bilheteria, como ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’ e ‘Batman Begins’, ajudaram a receita do estúdio de cinema a subir 6%. A divisão editorial – que abrange revistas e livros – teve alta de 9% nos lucros e de 3% na receita.


As ações da Time Warner subiram 1,88% ontem e contribuíram para a alta em Wall Street. O índice Dow Jones subiu 0,63% e o Nasdaq, 1,43%.


A empresa também informou que vai ampliar seu programa de recompra de ações, de US$ 5 bilhões para US$ 12,5 bilhões. O objetivo é retirar papéis do mercado para elevar seu valor.


– A duplicação do valor da recompra vai animar os investidores – disse o analista Richard Greenfield, da consultoria Fulcrum Global Partners.


Acionistas querem vender divisão de TV a cabo


Os acionistas da Time Warner têm se queixado da queda no valor das ações, que estão 75% abaixo do patamar de cinco anos atrás, quando a empresa foi comprada pela AOL.


O acordo, na ocasião, foi duramente criticado pelos acionistas minoritários. O milionário Carl Icahn lidera um grupo de acionistas que tem pressionado por medidas para valorizar os papéis. Eles defendem a venda da divisão de TV a cabo e recompra de US$ 20 bilhões em ações.


A Time Warner disse que deve vender apenas 16% da divisão de TV a cabo e que sua atual prioridade é a AOL.’



TV & TELEFONIA


O Globo


‘Gigantes de TV lançam celular nos EUA’, copyright O Globo, 3/11/05


‘Quatro das maiores empresas de TV a cabo dos Estados Unidos anunciaram ontem uma parceria para oferecer seu próprio serviço de telefonia celular. Com investimento total de US$ 200 milhões – metade pago pelos grupos de TV e metade pela Sprint Nextel, operadora de telefonia que será a parceira no negócio – as empresas vão vender quatro serviços de comunicação num mesmo pacote: TV por assinatura, internet rápida, telefone fixo e móvel e transmissão de dados sem fio.


É uma tentativa de frear o avanço das companhias telefônicas que, cada vez mais, têm oferecido serviços de vídeo e TV. A investida reúne quatro gigantes da mídia americana: a Comcast Corp, a divisão de cabo da Time Warner, a Cox Communications e a Advance/Newhouse.


Serviços de convergência serão o foco do negócio


O objetivo é alcançar 75 milhões de lares nos EUA e inovar nos serviços de convergência entre telefonia e televisão. Os clientes poderão, por exemplo, programar uma gravação digital de TV pelo telefone celular, ou usar o mesmo correio de voz para o celular e a linha fixa. Ou ainda assistir a programas de TV pelo aparelho de celular.


Os produtos e serviços levarão a marca da Sprint e da TV a cabo da região. O objetivo é que um mesmo cliente possa ser atendido em qualquer lugar dos Estados Unidos e que pague por todos os serviços numa conta única. Mas os preços vão variar de acordo com a localidade em que esteja o usuário.


O projeto, que será lançado em 2006, era aguardado há mais de um ano pelo mercado. O anúncio levou a uma alta nas ações. Os papéis da Time Warner subiram 1,88% e os da Sprint, 3,7%, na Bolsa de Nova York. As ações da Comcast tiveram alta de 2,6% na Nasdaq.


A parceria, com validade de 20 anos, prevê exclusividade mútua entre as operadoras de TV e a Sprint nos primeiros três anos de vigência.’


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