Quinta-feira, 09 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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IMPRENSA EM QUESTãO >

O que publicam os jornais

Por Luciano Martins Costa em 17/05/2010 na edição 589

Os jornais do fim de semana ofereceram uma variedade de temas nos seus principais espaços de reportagem, mas nenhum deles promete uma seqüência de grande fôlego.


O endividamento do Brasil no governo Lula é abordado pelo Globo com manchete ruidosa, que o texto da reportagem não justifica. O Estado de S.Paulo requenta material sobre a presença, na fronteira amazônica, de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que atuam ali como traficantes de drogas e contrabandistas de armas há pelo menos dez anos. A Folha de S.Paulo aposta num estudo sobre como os programas sociais de transferência de renda podem desestimular o crescimento do emprego formal na zona rural do Nordeste.


Na segunda-feira (17/5), os jornais anunciam que, ao contrário de todas as previsões publicadas por eles mesmos durante toda a semana anterior, o governo brasileiro foi bem sucedido na tentativa de um acordo com o Irã na questão nuclear.


Episódio marcante


A Folha de S.Paulo cita o chanceler brasileiro Celso Amorim como fonte da informação, observando que uma declaração oficial seria feita na segunda-feira. O Globo e o Estado de S.Paulo usam como fonte o chanceler turco, que também participou do acordo, mas de forma geral toda a imprensa, inclusive as agências internacionais e portais de publicações européias e americanas, aceita como verdadeiro o fato de que o Brasil conseguiu convencer o governo iraniano a enriquecer urânio em território da Turquia, sob supervisão internacional.


Se confirmado, trata-se de um dos acontecimentos mais relevantes deste começo de século, mas a leitura dos diários não permite uma avaliação abrangente desse acordo. Não ocorreu às redações preparar edições especiais para o caso de a reunião ser bem sucedida. Certamente os plantonistas de domingo não estavam autorizados a aumentar o número de páginas para dar algo a mais aos leitores.


Não deixa de instigar a curiosidade pensar como a imprensa brasileira vai analisar o acontecimento, e comparar suas edições com as publicações internacionais de maior prestígio. Afinal, esse pode ser o episódio mais marcante da diplomacia brasileira desde o Barão do Rio Branco.

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