Segunda-feira, 01 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Protesto contra demissão de repórter

Por Marjorie da Silva Moura em 15/02/2011 na edição 629

A diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) protesta veementemente contra a demissão de Aguirre Peixoto, que já é alvo de ações judiciais, criminais e cíveis, por sua coragem em denunciar erros e atentados contra o meio ambiente na cidade de Salvador em reportagens publicadas sobre a construção do Centro Tecnológico do governo do estado na Avenida Luis Viana Neto (Paralela), numa forma de punição por enfrentar forças tão poderosas. Agora vem o golpe final, desferido justamente pelo jornal A Tarde, a empresa que inicialmente autorizou a publicação do material e que deveria protegê-lo de todas as formas para que não maculasse sua história quase centenária como representante dos interesses da sociedade baiana.

Fazer jornalismo é uma opção muito difícil na vida de qualquer pessoa, apesar de todo o glamour que cerca nossa profissão. É preciso ter uma paixão incrível pela vida, pelos indivíduos e principalmente pela verdade. E nem sempre a retorno é agradável e positivo, fazendo com que muitos desistam.

Passando pela prova de fogo

Nos últimos anos, a redação de A Tarde vem sofrendo todo tipo de pressão interna, como o objetivo de adequar a reportagem a interesses comerciais e de marketing. Nada poderia estar mais distante do que fazer o bom jornalismo, onde precisamos nos colocar ao lado dos reais interesses da sociedade. Nessa batalha, vimos muitos bons colegas serem retirados sob os mais variados argumentos. Mas, para a surpresa dos encarregados de comandar essa operação de aviltamento e acovardamento dos jornalistas, a cada nova leva de jovens contratados difícil é não encontrar quem não tenha em si o gérmen da busca constante pelo que é certo e pelo que atenda ao real interesse da sociedade.

Agora, retiram da redação um desses novos colegas, numa demonstração de que é preciso cortar rebentos cada vez mais novos, contaminados pelo bom fazer jornalístico, que inclui as palavras ética, coragem, profissionalismo. Ninguém abraça essa profissão para ter uma vida normal, mas sim, para fazer a diferença num mundo onde o individualismo pesa, mas onde nunca foi tão necessário combater as pressões comerciais e publicitárias que tentam modificar nosso jeito de viver, sem pesar as consequências para nosso futuro próximo.

Nosso colega Aguirre Peixoto está passando pela prova de fogo que todos nós, jornalistas, passamos em algum momento de nossas vidas, e sai vitorioso, preparado para as novas batalhas, que, como profissional competente que vem se mostrando, buscará a cada momento de sua trajetória profissional, que está apenas começando. (09/02/2011)

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Presidente do Sinjorba

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