Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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JORNAL DE DEBATES >

Imprensa britânica vai fazer de conta que ignora ‘carta real’

Por Roy Greenslade em 05/11/2013 na edição 771

E agora vem o tiroteio. O Parlamento versus a imprensa. Westminster versus os jornais. David Cameron, Ed Miliband e Nick Clegg versus Rupert Murdoch, Paul Dacre e Guy Black.

Será esse o resultado inevitável da ação fracassada movida pelos publishers de jornais e revistas para tentar impedir que a “carta real”, apoiada por todos os partidos, fosse enviada pelo conselho de assessores do governo para aprovação da rainha.

A imprensa fará de conta que ignora a existência da “carta real”. Em lugar disso, criará seu próprio sistema, já tendo adiantado planos concretos para a criação de um novo organismo regulador, a Organização Independente de Padrões da Imprensa.

Como acontece nos melhores tiroteios do cinema, haverá um período de gritaria antes de os combatentes de cada lado se darem ao trabalho de procurar suas armas.

Sem vencedor

Existem dois gatilhos possíveis. Um seria uma ação judicial bem-sucedida contra um veículo de imprensa –por exemplo, por difamação ou invasão de privacidade– em que se pedisse ao juiz que determinasse o pagamento de indenização exemplar. Outro seria um frenesi de mídia do tipo sofrido por vítimas anteriores, como Chris Jefferies (suspeito de assassinato pela polícia).

Se um ou outro cenário se concretizar, o tiroteio começará. Mas qual será o efeito? Os políticos podem se indignar, mas as chances de legislarem contra a imprensa são virtualmente inexistentes.

Então, o que eles farão para proteger o próximo grupo de vítimas da imprensa?

Quanto aos veículos de imprensa, quem serão seus alvos se os juízes os castigarem? Eles se insurgirão contra o Judiciário e com certeza farão críticas amargas aos políticos. Mas a lei é a lei.

É claro que, se um juiz determinar o pagamento de indenização exemplar por danos, os jornais apelarão, e o caso inevitavelmente irá a Estrasburgo (sede do Parlamento europeu).

Em outras palavras, este é um enfrentamento no qual não haverá vencedor inequívoco. Pode haver feridos pelo caminho. E é provável que o tiroteio nunca acabe.

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Roy Greenslade, do The Guardian

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