Sexta-feira, 29 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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A mídia e a revolta do povo

Por Francela Pinheiro em 08/02/2011 na edição 628

A revolta do povo egípcio, expressada por protestos desde o dia 25 de janeiro contra o ditador Hosni Mubarak, no poder a trinta anos, chama a atenção do mundo. Ora pela globalização espantosa da comunicação, pela qual as informações chegam à velocidade da luz, ora pela proporção do movimento motivado por um povo que grita, bravamente, por liberdade! Se estudarmos a história das revoluções vamos perceber que foi a partir de mobilizações e de povos heroicos que foram às ruas, com armas ou não, que mudanças importantes ocorreram para que pudéssemos ser como somos hoje e desfrutarmos de tantas liberdades como desfrutamos.

Contudo, segundo determinados conceitos, um movimento só pode ser denominado Revolução quando gera transformações sociais, políticas e econômicas. Assim, importantes movimentos revolucionários, que tiveram o povo como principal força, mudaram o curso da história política, social e econômica de gerações e gerações. Para ratificar, portanto, por que não citar um das mais importantes da História, a Revolução Francesa? Movimento que rompeu, radicalmente, com as instituições feudais do Antigo Regime, assumindo formas democráticas que, logo, ficaram como legados para a construção e formação das sociedades contemporâneas. Foi numa França estamentada, que sustentava hierarquias, o anúncio ao mundo dos imprescindíveis princípios de liberdade, igualdade e fraternidade; um país palco de uma revolução liderada por um povo corajoso, sofrido e, acima de tudo, cansado de ser base sustentadora de luxos e mordomias. Embora esses pobres coitados fossem apenas instrumentos para os verdadeiros interessados pelo movimento, a Revolução Francesa é prova de que a voz do povo é a voz de Deus.

Não podemos ser ‘rebeldes sem causa’

Além de 1789, quantas outras revoluções aconteceram graças à vontade de mudar de um povo? Por meio de greves, revoltas ou protestos, monarquias históricas caíram, hierarquias antigas foram derrubadas e novas estruturas foram implantadas. Pois, como na velha Rússia czarista, na qual trabalhadores sem alimentos, sem trabalho, sem dignos salários e, além disso, sem democracia, sustentando uma guerra (Primeira Grande Guerra) que só trazia pobreza ao país, fizeram greves, mobilizaram e tiraram do poder um dos reis mais conhecidos da História – Nicolau II. Como também foi por meio de uma rebelião de gente escravizada que o Haiti de 1791 foi liberto da escravidão e tornou-se uma nação independente.

Sem falar de revolucionários que transformaram sociedades, influenciando gerações, como Fidel Castro e Che Guevara, em Cuba, e Mahatma Gandhi, na Índia, um líder iluminado que libertou um povo inteiro do poderio inglês por meio de um movimento pacífico, sem guerra, sem violência.

E por que não citar os ‘caras pintadas’? Apesar de o povo brasileiro ter assistido imobilizado à independência e à proclamação da República, foi aqui, no Brasil dos anos noventa, uma admirável mobilização, pela qual inúmeros jovens pintaram suas caras de verde e amarelo e saíram as ruas em protesto ao presidente da República que naquela época era denunciado pelo próprio irmão por corrupção. O desfecho foi a renúncia de Fernando Collor.

Essa revolta no Egito – a qual ainda não se pode chamar revolução – que acompanhamos pelos jornais, pela mídia, é um modelo de como todo cidadão deveria exercer sua cidadania, mobilizando. Não com violência, mas protestando, pacificamente, pelos seus direitos, pelos seus ideais democráticos, sociais e políticos. Não podemos ser ‘rebeldes sem causa’, como já nos classificam alguns estudiosos.

Esse espírito revolucionário, que já foi tão importante durante toda a história e que paira sobre Cairo, sobre o povo egípcio, deveria contagiar os americanos, de norte a sul! Vivenciamos uma Era Bush devastadora…Vivenciamos mandatos políticos cheios de corrupção escrupulosas… E tudo num silêncio venenoso.

Pensemos nisso.

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Estudante de Jornalismo, PUC-Campinas, SP

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