Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

A torcida e a liturgia do cargo

Por Alberto Dines em 14/06/2010 na edição 593

‘Fechado pela Copa’ (‘Cerrado por fútbol’). Esta é a placa que Eduardo Galeano prende na porta da sua casa cada vez que começa um campeonato mundial de futebol. O escritor uruguaio não veste camisas, não torce por ninguém, torce pelo jogo e não quer saber de outra coisa – conforme publicou no sábado (12/6) o diário espanhol El País. Autor do celebrado Veias abertas da América Latina e outros 40 títulos, o escritor é tão fanático que até já escreveu um livro sobre o esporte-rei – O futebol ao sol e à sombra.


Galeano e alguns privilegiados podem permitir-se ao luxo de não torcer, apenas vibrar: ‘Cada vez me importam menos as camisas dos jogadores, estou interessado no jogo bem jogado’ disse.


O grande público discorda, durante a Copa todos querem que a imprensa vista a camisa, tome partido, mostre suas preferências. E, sobretudo, torça.


Como se sabe, isto não é complicado. O que não se pode é misturar os canais: na cobertura do Mundial vale o vale-tudo mas nas outras coberturas é preciso obedecer à estrita neutralidade. Foi isso que o presidente Lula cobrou na manhã de domingo (13) no lançamento oficial da chapa Dilma Roussef-Michel Temer.


Alto nível


Galeano tem razão no seu desengajamento em favor do futebol-arte e Lula teria toda a razão ao reclamar da parcialidade da mídia em favor da oposição se ele, como chefe do governo, mantivesse um certo distanciamento no período eleitoral. Além das cinco multas que lhe foram aplicadas pela Justiça Eleitoral – um recorde – é discutível a alegação de que num domingo pela manhã o presidente é pessoa física e pode torcer para quem quiser.


O recente acordo nuclear com o Irã aconteceu num domingo, em Teerã, mas quem o assinou foi o presidente da República, função full-time, em tempo integral. De qualquer forma é mais do que bem-vindo o apelo para que a campanha eleitoral seja mantida em alto nível como um belo espetáculo. Exatamente como querem Eduardo Galeano e todos nós.

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