Sexta-feira, 29 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Celulares são olhos e ouvidos do mundo

Por Jennifer Preston e Brian Stelter em 22/02/2011 na edição 630

Para alguns dos manifestantes em Bahrein que enfrentaram as forças fortemente armadas na Pearl Square, na cidade de Manama, a arma mais poderosa contra fuzis e bombas de gás lacrimogêneo foi a pequena câmera dentro de seus celulares.


Ao fazer a transferência das imagens de violência desta semana na capital Manama para sites da internet, como YouTube e yFrog, e ainda compartilhá-las no Facebook e Twitter, os manifestantes chamaram a atenção do mundo para seus protestos.


Considerada uma novidade há menos de uma década, as câmeras de celulares se tornaram ferramenta essencial para documentar a resposta do governo à agitação que se espalhou pelo Oriente Médio e norte da África.


Reconhecendo o poder desta documentação, grupos de direitos humanos têm publicado guias e treinamentos sobre como utilizar as câmeras com eficácia.


– É finalmente uma tecnologia de vídeo que pode caber na palma da mão e que a pessoa pode carregar pelo mundo todo – disse James E. Katz, diretor do ‘Rutgers Center for Mobile Communication Studies’. – Este é o punhal na garganta dos regimes velhos e decadentes que, com a manipulação de velhas tecnologias, foram capazes de abafar a voz do público.


O desafio da autenticação


Na Tunísia, os celulares foram usados para filmar os primeiros protestos em Sidi Bouzid, em dezembro, o que ajudou a espalhar a manifestação para outras partes do país. As imagens também levaram os produtores a al Jazeera, rede de televisão árabe, a destacar a revolta que derrubou o governo da Tunísia, em meados de janeiro, e preparou o palco para as manifestações no Egito.


Apesar dos celulares com câmera começarem a ser vendidos nos anos 90, foi somente após o tsunami que atingiu o Sudeste Asiático, em 26 de dezembro de 2004, e os atentados no metrô de Londres, em julho do ano seguinte, que os meios de comunicação passaram a levar a sério as imagens de fotos e vídeos não-profissionais. Notavelmente, em junho de 2009, vídeos de celular com o assassinato de uma jovem em Teerã, conhecida como Neda, e baixados no YouTube, galvanizaram a oposição iraniana e circularam por todo o mundo.


Agora, as organizações de notícias frequentemente buscam, filtram e publicam essas imagens. Autenticá-las é um desafio, pois as fotos podem ser facilmente alteradas por computadores e vídeos antigos podem ressurgir como se fossem novos. YouTube, por exemplo, está usando Storyful, um programa que ajuda a gerenciar as dezenas de milhares de vídeos que foram enviados do Oriente Médio.

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Do New York Times

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