Domingo, 20 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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JORNAL DE DEBATES >

Deputado nega alteração em filme anti-Islã

08/04/2008 na edição 480

O deputado holandês Geert Wilders, de extrema-direita, recebeu críticas por seu filme anti-Islã, Fitna, durante um debate no parlamento, na semana passada. Os parlamentares acusaram Wilders de mudar a versão original do curta, ‘suavizando’ sua mensagem. Segundo eles, o deputado tinha a intenção de incluir imagens de páginas do Corão sendo rasgadas e queimadas. Na versão do filme lançada na semana passada na internet, o livro sagrado do Islã não é rasgado nem incendiado. Wilders nega ter dado detalhes do filme com antecedência e nega tê-lo adaptado por pressão do governo.

O ministro da Justiça, Ernst Hirsch Ballin, aproveitou o debate para tornar públicas notas confidenciais feitas por ele em encontros com Wilders e com o ministro das Relações Interiores, Guusje ter Horst, em outubro e novembro do ano passado. As anotações mostram que o conteúdo exato do filme não era conhecido. Entretanto, Wilders teria dito, na época, que incluiria citações do Corão que incitam a violência, além de imagens de ataques terroristas – o que teria preocupado os dois ministros, que temiam as conseqüências que o curta poderia gerar.

Furioso com o debate no parlamento, Wilders acusou o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, de ter reagido exageradamente ao curta, exigindo dele um pedido formal de desculpas. ‘Como as pessoas podem passar esta informação, em nome de Deus? Não apenas está errada, como eu não disse isso’, desabafou, refutando ter alterado o filme por pressão.

Reações

Durante o debate, Wilders foi duramente criticado por alguns membros do Parlamento. ‘Seu filme é desnecessariamente ofensivo’, acusou Pieter van Geel. Para Femke Halsema, líder do partido de esquerda GroenLinks, o deputado, ao associar o Islã ao terrorismo, afirmaria que todos os muçulmanos são fascistas e terroristas em potencial.

Na Indonésia, o Conselho Ulema, mais importante do país, informou que pedirá um boicote a produtos holandeses se o governo da Holanda não proibir o filme. Cabe ao conselho decidir o que é permitido e autorizado pela lei islâmica em temas como vestimenta, comportamento e alimentação. Wilders já havia sido considerado persona non grata no país pelo presidente Susilo Bambang Yudhoyono, que proibiu o curta. Na semana passada, o consulado holandês em Sumatra foi atacado por dezenas de estudantes, que também teriam colocado fogo em uma bandeira da Holanda. Informações da Der Spiegel [2/4/08].

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