Domingo, 27 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Google planeja expansão no mercado chinês

Por lgarcia em 18/01/2012 na edição 677

 

O Google, que retirou seu sistema de busca da China há dois anos depois de um confronto com autoridades locais por ser obrigado a censurar resultados, renovou sua tentativa de expansão no país, considerado um dos maiores mercados de internet do mundo, noticiam Amir Efrati e Loretta Chao [The Wall Street Journal, 12/1/12]. Na época, o cofundador Sergey Brin disse que os esforços para censurar a web e suprimir os dissidentes o lembravam do “totalitarismo” da União Soviética, onde nasceu. “Acho isto, pessoalmente, muito problemático”, afirmou. Sua atitude anticensura foi contrária a do então executivo-chefe Eric Schmidt, que inicialmente achou que o Google deveria seguir na China.

Entretanto, desde que o Google abriu seu primeiro escritório na China, em 2005, ele nunca abandonou o país de fato: ainda mantém mais de 500 empregados lá, incluindo 300 engenheiros. Em 2009, eram 700. Agora, a empresa está contratando mais engenheiros, profissionais de vendas e gerentes de produtos na China e trabalhando para lançar novos serviços para consumidores chineses, segundo informou Daniel Alegre, executivo da gigante de buscas na Ásia. Em especial, o Google quer capitalizar no sistema operacional Android para aparelhos portáveis (presente em 60% dos celulares na China), serviços de anúncios online e busca de produtos. “Um objetivo é lançar o Android Market, que oferece milhares de aplicativos para usuários de smartphones e tablets com Android, mas que não está disponível na China”, disse Alegre, em entrevista. Além disso, a empresa quer conquistar os consumidores com serviços que não passam pela censura oficial, como o Shihui, que foi lançado em setembro para ajudar na busca de descontos nas lojas locais entre sites chineses.

Espionagem

A briga do Google com o governo da China começou depois que a empresa sofreu, em 2009, um ciberataque oriundo de hackers chineses, que teriam roubado códigos computacionais e tentado espionar as contas de email Gmail de dissidentes políticos do país. Autoridades chinesas negaram qualquer ligação com o incidente. Depois disso, o Google parou de oferecer a ferramenta de busca em seu principal site na China, o Google.cn, e direcionava as pessoas para o site com base em Hong Kong, que não passa pelos mesmos requerimentos de censura do governo. Entretanto, usuários da ferramenta de busca em Hong Kong são alvo de frequentes interrupções do serviço, por conta do sistema governamental de filtros da web.

Em setembro do ano passado, a China já tinha mais de 500 milhões de usuários de internet. Os EUA tinham, em novembro, 220 milhões. A China é responsável atualmente por não mais do que 2% da receita total do Google, que deve chegar a mais de US$ 40 bilhões em 2011. A parte do Google no mercado de busca chinês caiu 17,2% no terceiro trimestre de 2011, em parte por conta do rival Baidu. Ainda assim, o número de buscas pelo Google aumentou nos últimos dois anos. “As pessoas tendem a pensar que o Google abandonou a China, mas a China não abandonou o Google”, disse Duncan Clark, presidente da empresa de consultoria BDA China Ltd.

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