Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Cinquenta anos sem Kennedy

Por Marcelo Csettkey em 26/11/2013 na edição 774

A vitória do senador John Fitzgerald Kennedy foi uma surpresa para o sistema – ele venceu de Richard Nixon sem nenhum comprometimento com o complexo industrial-militar. Elegeu-se como uma incógnita para todos. Contudo, o sistema não era uma incógnita para Kennedy – que ao ser eleito, além de tudo o que sabia sobre a história de seu país, recebeu um sério alerta: o realista e surpreendente discurso de despedida de cargo de seu antecessor Dwight Eisenhower, que teve como tema central a periculosidade das corporações de material bélico influindo diretamente nas decisões da Casa Branca.

Empresários sedentos por enormes lucros aguardavam uma nova guerra para desovar sua produção. Entretanto, Kennedy ao assumir seu mandato se posicionou contrário aos militares radicais, contrário às decisões impensadas e irresponsáveis – que na Crise dos Mísseis poderiam ter conduzido a civilização à destruição total numa guerra nuclear. Além disso, Kennedy queria retirar os EUA do crescente conflito no Vietnã – fato que fez a irritação dos militares radicais amplificar-se ao ponto de conspirarem contra sua vida.

A conspiração teria de ser perfeita garantindo a impunidade a todos os envolvidos. Encontraram um bode expiatório excelente, que serviria ao propósito: Lee Harvey Oswald. Oswald foi inserido no contexto do complô, ele seria trabalhado, motivado e monitorado. No dia do assassinato do presidente, Oswald teria de estar no depósito de livros na rua Elm para ser incriminado como o único assassino. Segundo a farsa, ele seria o autor de um crime passional, um louco e solitário assassino do presidente. Oswald, o “arauto” do comunismo, agora seria o protagonista da trama macabra.

Evidência para quebrar a farsa

A carreata de Kennedy estava programada para passar pela rua Main – em velocidade bem maior. Porém, mudaram o trajeto em última hora. Fizeram a carreata reduzir a velocidade para virar à direita, e depois à esquerda em velocidade mínima, conduzindo Kennedy à grande emboscada para ser fuzilado por três bases fixas e elevadas: o depósito de livros, a ferrovia e o outeiro. Oswald e o povo desconheciam essa mudança, então a pergunta que não quer calar: como ele soube dessa mudança de trajetória feita em última hora? Seria impossível que Oswald soubesse da mudança, pois ela não fora anunciada publicamente. Logo, a hipótese já fragilizada de ser ele o assassino, aventada nessas cinco décadas, com este detalhe relevante, torna-se irreal.

A mudança de trajetória da carreata, tudo indica, fora feita pelo prefeito de Dallas, Earle Cabell – irmão do general Charles Cabell que “fora demitido pelo presidente Kennedy do seu cargo como segundo homem da CIA. O general Cabell fora o encarregado da desastrada invasão da baía dos Porcos, maquinada pela CIA” (GARRISON, 1988: 82). Oswald não conhecia o prefeito de Dallas para saber da mudança. Seria impossível ele antever uma mudança do trajeto da carreata. Esta evidência anula a conclusão do relatório Warren sobre ter sido ele, Lee Harvey Oswald, o único assassino do presidente Kennedy. Porém, mesmo que o povo norte-americano não acredite nesta versão – muito menos toda a humanidade – ela será mantida ad infinitum pela mídia e pelo poder. O preço da revelação é impagável.

Operação Brother Sam

Muitos perguntarão: mas o que nós brasileiros temos a ver com isso? Esses desconhecem que logo após Kennedy ser morto estabeleceu-se uma nova ordem mundial – a qual o Brasil estava incluído como peça estratégica vital. O golpe militar ocorrido em 1º de abril de 1964 foi orquestrado no Pentágono e na Casa Branca. Poucos sabem que o domínio do fato estava em Washington e não em Brasília – a iniciativa de implantar governos militares no Cone Sul, a começar pelo Brasil, fez parte de um modelo idealizado pelo presidente dos EUA, Lyndon Johnson, que, intentando garantir o êxito da maquinação, deslocou a frota do Caribe para o Brasil. O objetivo era o de intervir caso houvesse resistência armada, fato que não ocorreu. O plano intervencionista chamou-se Operação Brother Sam.

A eliminação de Kennedy resultou em amplificação da Guerra Fria, piorando a relação com a União Soviética. No Vietnã foram nove anos de guerra justificada por uma grande mentira de Johnson dita em cadeia nacional – o inexistente ataque a embarcações americanas no Golfo de Tonquim. Sob sua responsabilidade foram instaladas ditaduras militares no Cone Sul à ponta de baioneta. Constituições foram rasgadas. Imposição de regimes coercitivos e arbitrários. Ditaduras militares subordinadas às diretrizes de Washington que duraram duas décadas. Imposição de um “estado de guerra permanente”, tentativa de dominação total baseada no uso da força pela força a corroer o estado democrático de direito. Este foi o legado de Lyndon Johnson – tudo indica, o maior suspeito de conspirar contra Kennedy.

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Marcelo Csettkey é jornalista e escritor (Rio de Janeiro, RJ)

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