Terça-feira, 02 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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MONITOR DA IMPRENSA >

A difícil relação entre redes sociais e segurança nacional

05/11/2013 na edição 771

Seria o Twitter uma ameaça à segurança nacional dos EUA?

Durante as duas últimas semanas, um funcionário do Conselho de Segurança Nacional (NSC) foi demitido por tuitar anonimamente ofensas aos seus colegas; um ex-oficial de inteligência nacional de alto nível teve o conteúdo de conversa telefônica publicada no microblog por um ativista que o escutou em um trem; e hackers do Exército Eletrônico Sírio redirecionaram duas mensagens do Twitter do presidente Barack Obama para o Youtube.

Os incidentes – talvez mais embaraçosos que nocivos – serviram para revelar a difícil relação entre a comunidade encarregada da segurança nacional e as mídias sociais. Na Casa Branca e no NSC, a maioria dos empregados é proibida de acessar redes sociais pelos computadores do escritório ou por celulares cedidos pelo governo.

Oficiais da administração dizem que a restrição existe para prevenir o download de vírus e a divulgação de material sensível. As regras também servem para desencorajar o uso de redes que não arquivam as comunicações internas, como manda a Lei de Registros Presidenciais. Há exceções somente para alguns funcionários, como os responsáveis pela assessoria de imprensa.

Tempo real

No entanto, as restrições governamentais esbarram no mundo moderno, onde as notícias são divulgadas primeiramente pelas redes sociais enquanto autoridades e jornalistas debatem os eventos em tempo real.

Shawn Brimley, que trabalhou no Pentágono entre 2009 e 2012, aprendeu essa lição do jeito difícil. Em agosto de 2011, quando as forças rebeldes do Líbano marcharam sobre Trípoli para depor Moammar Kadafi, Brimley e seu superior estavam monitorando o Twitter para acompanhar os relatos em primeira mão. Mas, quando ligaram para a Casa Branca, souberam que os analistas não estavam cientes do que acontecia.

Brimley então convenceu o governo a ter acesso a um site que reposta as mensagens do Twitter, para que oficiais pudessem ler o site sem ter que se registrar. A comunidade de inteligência nacional também desenvolveu uma rede interna que permite aos analistas verificar as últimas notícias de diversas agências.

Informações erradas

Apesar do benefício do imediatismo, as redes sociais podem ser fontes de notícias enganosas, como foi o caso dos atentados terroristas em Boston em abril deste ano, em que usuários do Twitter e do Reddit identificaram erroneamente os responsáveis pelas bombas na Maratona.

A recente demissão do funcionário do NSC Jofi Joseph também mostra como a proibição de acesso às redes sociais possui brechas. Joseph estava por trás da conta @NatSecWonk, em que tuitava piadas e detalhes internos da agência através do celular.

Alguns antigos membros da agência dizem que, apesar do Twitter ser informativo, a maioria dos analistas de segurança e inteligência não precisa acompanhar ao vivo as últimas notícias. “Desde que eu deixei o emprego, acho extremamente útil acompanhar o mundo em tempo real”, disse Jon Wolfsthal, ex-diretor do NSC contra a proliferação de armas nucleares. “Mas ao menos que você esteja no escritório provendo informação em tempo real para o centro de operações ou para o comando militar, é difícil dizer que um analista precisa do Twitter”.

Redes sociais também oferecem comunicação crítica durante crises. O antigo oficial de administração do governo Obama Andrew McLaughlin relembra que, durante o terremoto do Haiti, em 2010, a comunicação só era possível através do Skype. “A tecnologia da Casa Branca tem que ser de ponta”, diz.

A pedido do conselheiro Dan Pfeiffer, muito ativo no Twitter, a Casa Branca tomou ações para garantir mais acesso. Além de diversos funcionários, até a primeira-dama Michelle Obama abriu uma conta. Todas as contas ligadas a membros do governo, no entanto, vêm com o aviso de que as mensagens podem ser arquivadas.

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