Sexta-feira, 05 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Empresas jornalísticas investem na organização de conferências

05/11/2013 na edição 771

Conferências e festivais fazem, cada vez mais, parte da estratégia de negócios de empresas jornalísticas – que lutam contra as dificuldades financeiras. Se, há alguns anos, a mistura entre organizações de notícias e eventos pagos era vista por muitos críticos como, no mínimo, controversa, hoje a prática já se disseminou. Entretanto, preocupações sobre conflitos de interesse ainda são um tema delicado para algumas destas empresas.

O Huffington Post irá sediar três conferências no próximo ano, assim como a Cosmopolitan, que terá dois eventos focados em mulheres com 20 anos de idade. A Atlantic Media, que publica a revista The Atlantic, já organiza cerca de 200 eventos por ano, desde pequenos jantares a conferências de semanas inteiras. No próximo ano, a empresa irá sediar eventos também na Europa e na Ásia.

O Wall Street Journal irá sediar seu sexto encontro anual de CEOs no próximo mês. E o New York Times, que organizou apenas um evento em 2011, já tem 16 conferências em 2013 em conjunto com o novo International New York Times (antigo International Herald Tribune).

A Fortune está expandindo internacionalmente seu encontro sobre as mulheres mais poderosas do mundo e afirma que sua receita com eventos está crescendo 60% anualmente. “Todos querem participar desse jogo”, afirma Ned Desmond, do TechCrunch, que também está internacionalizando suas conferências. “É um bom negócio, possui uma margem de lucro maior do que a equação regular entre jornalismo e escrita”.

A maior parte das empresas não revela os lucros de seus eventos, mas executivos do ramo dizem que há poucas dúvidas de que o negócio é rentável. Um evento bem sucedido pode gerar milhões de dólares em ingressos e patrocínio corporativo.

Em tempos de resultados contraditórios de assinaturas digitais, as empresas jornalísticas dizem que os eventos podem ser uma fonte de renda alternativa para sustentá-las ano a ano. Para estas companhias, os benefícios podem ir além do dinheiro. Eventos assim promovem suas marcas, permitem expandir o número de leitores e ajudam a dar proeminência para funcionários valiosos. Além disso, eles podem gerar notícias que serão reportadas por outras empresas de mídia.

Questões éticas

Muitas empresas relutaram em aceitar a produção de eventos, vendo-os, em condições normais de mercado, como um campo minado cheio de problemas éticos e conflitos de interesses, já que muitos dos convidados são personagens constantes das coberturas dos jornais.

No entanto, com a queda na receita publicitária, muitas organizações de notícias mudaram de ideia. Entrevistar especialistas em um evento é agora chamado de “jornalismo ao vivo”, e conferências são vistas do mesmo modo que plataformas sociais como o Twitter e o Facebook.

“Basicamente, o conceito de organização jornalística precisa ser expandido”, diz Thomas Rosenstiel, diretor do American Press Institute, que está estudando a lucratividade destes eventos. “A questão é: ‘qual o propósito que um jornal tem para sua comunidade?’. A resposta moderna é de que uma organização de notícias cria conhecimento para sua comunidade, e isso pode ser feito de diversas formas”.

Eileen Murphy, presidente de comunicações do New York Times, diz que o jornal enxerga as conferências “como jornalismo em uma plataforma ao vivo”. Segundo ela, a empresa escreveu um guia para regular eticamente a organização desses eventos.

Ainda assim, é fácil cometer erros. Em 2009, o Washington Post enfrentou críticas por convidar lobistas e grupos industriais a pagar 25 mil dólares por encontros privados com seus jornalistas e oficiais do governo. O jornal publicou uma nota de desculpas e o responsável pela ideia se demitiu.

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