Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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‘Libération’ publica edição sem fotografias

19/11/2013 na edição 773

O jornal francês Libération publicou uma edição inteira, em 14/11, sem fotografias. O objetivo era fazer um protesto mostrando a importância das imagens enquanto fotojornalistas são cada vez mais raros nas redações. Em uma declaração na primeira página, o jornal explicou os motivos:

“O Libération tem gratidão eterna à fotografia, seja produzida por fotojornalistas, fotógrafos de moda, retratistas ou artistas conceituais.

Nossa paixão pela fotografia nunca foi questionada – não porque é usada para embelezar, chocar ou ilustrar, mas porque a fotografia capta o ritmo do nosso mundo.

Ao escolher o dia de abertura do [salão de fotografia] Paris Photo para ‘acomodar’ estas imagens brancas, ressaltamos nosso compromisso com a fotografia. Não é um velório, não estamos enterrando a arte fotográfica…

Em vez disso, damos à fotografia a homenagem que merece. Ninguém pode ignorar a situação calamitosa em que se encontram fotojornalistas, especialmente fotógrafos de guerra, que arriscam suas vidas enquanto mal se sustentam.”

Foi a primeira vez em sua história que o Libération circulou sem nenhuma imagem – no fim da edição, foi publicado um plano das páginas mostrando as fotos que deveriam estar nelas, mas sem os textos. Uma vez por ano, na abertura do Festival de História em Quadrinhos de Angoulême, o jornal não publica fotografias. Nesta ocasião, no lugar das fotos, há ilustrações de alguns dos maiores nomes dos quadrinhos.

O poder das fotos

“Ao optar por manter sua diagramação normal – com os artigos fluindo em torno de espaços onde deveriam estar as imagens – o Libération foi bem sucedido em sua tentativa de mostrar o poder e a importância da fotografia em nossa compreensão de eventos mundiais”, escreveu Olivier Laurent, editor do British Journal of Photography.

A jornalista Brigitte Ollier, da editoria de Cultura do Libération, concorda: “No lugar delas [das fotografias]: uma série de molduras vazias que criam uma forma de silêncio; um silêncio desconfortável. É perceptível, está faltando informação, como se tivessemos virado um jornal mudo. Um jornal sem som, sem esta pequena música interna que acompanha o olhar”.

De acordo com o último censo feito pela Sociedade Americana de Editores de Jornais (ASNE), fotógrafos e videógrafos foram mais afetados pelos cortes nas redações dos EUA do que outros profissionais. De 2000 a 2012, o número de fotógrafos caiu 43%, enquanto o número de redatores e repórteres caiu 32%. No início do ano, o Chicago Sun-Times eliminou toda a equipe de fotografia, anunciando que iria treinar seus repórteres para tirar fotos com iPhones.

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