Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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MONITOR DA IMPRENSA >

Turquia aposta em repressão moderada para evitar novos protestos

19/11/2013 na edição 773

O governo do primeiro ministro Recep Tayyip Erdogan resolveu investir agressivamente contra os adversários. Mais de mil estudantes, professores, doutores e ativistas foram chamados para interrogatório sobre sua participação nos protestos deste ano – que começaram contra a demolição de um parque e acabaram se espalhando pelo país como uma grande manifestação contra o governo. “Chegou ao ponto em que as pessoas não podem nem mais tuitar sem ter medo de ser investigadas”, afirma Eyup Muhcu, membro da Plataforma de Solidariedade Taksim, um grupo de ativistas que teve papel central durante os protestos.

Dúzias de jornalistas perderam seus empregos por reportar as manifestações, e uma das famílias mais ricas do país está sendo vítima de um exército de fiscais, aparentemente por um de seus hotéis ter servido de refúgio a manifestantes que fugiam dos ataques de gás de pimenta da polícia.

Mas em um país com histórico de golpes militares, violência policial, tortura e desaparecimentos, especialistas dizem que esperavam uma repressão mais brutal. Eles argumentam que, apesar de muitas pessoas terem sido convocadas para prestar depoimento, poucas foram acusadas de algum crime. “Não é uma caça às bruxas, mas o governo definitivamente apertou seus parafusos”, disse Saban Kardas, professor da Universidade de Economia e Tecnologia em Ancara. “É um movimento preventivo, para que estes protestos não aconteçam novamente”.

Equilíbrio

O governo, ao que parece, tenta agir equilibradamente, dizem analistas: tenta reprimir os críticos o suficiente para mantê-los longe das ruas, especialmente às vésperas das eleições, mas não tanto para não manchar sua imagem internacional, principalmente com os círculos financeiros que sustentam sua economia. A Turquia também já foi castigada por sua política no Oriente Médio, marcada por uma reorientação para o mundo árabe, e recomeçou suas negociações para entrar na União Europeia.

A oposição secular ao governo, o Partido Republicano do Povo, recentemente distribuiu um documento chamado “A retaliação do governo a Gezi”, em que se dizia contra Erdogan: “Este governo de um homem só iniciou uma campanha sem dó contra os envolvidos nos protestos [no parque Taksim Gezi]”. Dentro do documento estava uma lista com 77 jornalistas demitidos ou forçados a se demitir, incluindo Yavuz Baydar, demitido de seu cargo de ombudsman no jornal pró-governo Sabah.

Interesses econômicos

Em um artigo que escreveu para o jornal britânico The Guardian, Baydar disse que “os jornalistas turcos estão escravizados em redações comandadas por gananciosos proprietários de mídia, cujos interesses econômicos os tornam submissos a Erdogan”.

Alguns críticos dizem ver a ascensão de algo mais sinistro na Turquia: o antissemitismo. Em seus discursos durante os protestos, Erdogan culpava “agentes externos”, incluindo “sionistas ” e “lobistas dos juros”, o que foi considerado como um código para judeus. Muitos dos judeus da Turquia, que formam uma comunidade de apenas 15 mil pessoas, estão emigrando por causa do “antissemitismo incitado por declarações governamentais”, segundo o jornal turco Hurriyet Daily News.

Steven A. Cook, do Conselho sobre Relações Exteriores e experiente comentarista de assuntos turcos, escreveu recentemente: “O discurso político da Turquia está mais sombrio e os ataques a observadores estrangeiros se tornou inflexível”.

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