Domingo, 31 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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MONITOR DA IMPRENSA >

O assassinato que mudou o telejornalismo nos EUA

26/11/2013 na edição 774

Foram apenas seis segundos, há 50 anos, mas que mudaram o modo como a mídia atua, tanto na transmissão ininterrupta ao vivo quanto no cenário e nas tecnologias. O assassinato do presidente americano John F. Kennedy, no dia 22/11/63, foi um evento transformador e global transmitido ao vivo pela TV americana. A indústria midiática não tinha um manual para orientar uma pauta de tal magnitude e que mudou o modo como as pessoas recebem as notícias.

Durante quatro dias, começando com o tiro em Dallas e terminando com o cortejo fúnebre de Kennedy em Washington, grandes emissoras de TV americanas ficaram ao vivo com cobertura contínua, suspendendo os comerciais. A partir daí, outros eventos transmitidos ao vivo seguiram a mesma dinâmica: a mesma devoção de tempo sem comercias ocorreu em 2001, nos atentados terroristas de 11 de setembro. “O assassinato de Kennedy tornou-se um modelo de cobertura”, diz Bob Schieffer, que há 50 anos cobriu o evento para o Fort Worth Star Telegram e hoje é veterano da CBS. “Estávamos trabalhando em um dos piores momentos da vida do país e não sabíamos o que fazer, muito parecido com o que aconteceu no 11/9”, compara.

Em 1963, as tecnologias ainda eram primitivas, mas foi na ocasião que nasceu a ideia de transmissão ao vivo diretamente do local, com um âncora fazendo a cobertura e deixando as imagens falarem por si, quando possível. Algumas tarefas foram difíceis, como deslocar as pesadas câmeras de TV e passar cabos por meio do escritório do chefe de polícia de Dallas.

Uma nação de olho na telinha

A morte de Kennedy foi confirmada oficialmente às 13h30, com 45,4% dos lares americanos com a TV ligada, segundo dados do instituto de pesquisas de mercado Nielsen. No enterro do presidente, 81% dos lares estavam de olho na telinha, uma das audiências mais altas da história da TV. Uma pesquisa revelou que 2/3 dos americanos que acompanharam a cobertura sentiram-se mal ou relataram sintomas de estresse emocional.

Até o assassinato de Kennedy, a televisão dividia com o rádio o título de principal fonte de notícias dos americanos. Depois do episódio, o país virou a nação da TV. Em 1950, apenas 9% dos lares tinha um aparelho televisivo. Uma década depois, esse percentual subiu para 90% – a tragédia da família Kennedy foi em parte responsável por esse aumento.

Impacto no cenário e nas tecnologias

Não foi somente a audiência que foi afetada: o cenário televisivo também mudou. Antes do assassinato, os estúdios dos noticiários das redes NBC e ABC pareciam salas de estar. A CBS decidiu, no entanto, colocar o âncora Walter Cronkite divulgando a notícia da morte de Kennedy da redação – o que acabou seguido pelas outras emissoras.

O replay instantâneo foi usado pela primeira vez pela CBS quando o proprietário de uma discoteca em Dallas, Jack Ruby, matou Lee Harvey Oswald, suspeito pelo assassinato do presidente, em um crime transmitido ao vivo pela TV. A primeira exibição por satélite do Japão foi sobre o assassinato de Kennedy. “As emissoras viram que era muito fácil se conectar às pessoas e também que tinham que estar preparadas para cobrir tudo”, afirma Gary Mack, curador do Museu The Sixth Floor, em Dallas, ex-depósito de livros escolares de onde Oswald atirou no presidente.

Na época do assassinato, repórteres tinham muito mais trânsito livre do que teriam hoje, conseguindo, por exemplo, chegar ao local onde estava o corpo do presidente, no Hospital Parkland. Eles também exigiram que a polícia exibisse Oswald para fotos.

Depois que Ruby matou Oswald, no primeiro assassinato exibido nacionalmente na TV americana, a polícia de Dallas passou a evitar a exibição dos presos diante das câmeras. O incidente também serviu para que políticos se afastassem um pouco da mídia. Começaram a surgir diferentes versões para o assassinato de Kennedy, com teorias de que Oswald não teria agido sozinho. “A partir daquele fim de semana, nós começamos a questionar tudo no país”, diz Schieffer.

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