Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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MONITOR DA IMPRENSA >

Serviço de notícias pode voltar a ser instrumento de propaganda

27/05/2014 na edição 800

Uma lei de reforma da Voice of America (VoA), que, se aprovada, provocará mudanças essenciais na missão do serviço financiado pelo governo americano, levantou um intenso debate: os defensores da legislação alegam que ela permitirá que a VoA confronte a propaganda de desinformação realizada pelo governo russo, enquanto os oponentes dizem que transformará o serviço num instrumento de propaganda de Washington.

A Voice of America (ou Voz da América) é o serviço oficial de radiodifusão internacional dos EUA. Financiado pelo governo, ele só pode operar fora do país, e transmite em dezenas de idiomas em canais de rádio e televisão. Ele foi fundado em 1942 como parte do Gabinete de Informação de Guerra com o objetivo de conter a propaganda nazista e japonesa. Na Guerra Fria, o serviço foi transferido para o Departamento de Estado e, posteriormente, para a Agência de Informação dos EUA e era usado para conter a propaganda comunista na Alemanha Oriental e em países soviéticos. Em 1999, a VoA passou para a supervisão do Broadcasting Board of Governors (BBG), uma agência federal autônoma, o que garantiria sua isenção editorial. O BBG é responsável pelos serviços de mídia internacional civil financiados pelo governo americano.

Independência

A legislação, que passou recentemente pelo Comitê de Assuntos Estrangeiros do Congresso, faz mudanças nos objetivos oficiais do serviço. Especificamente, ela altera a definição da missão da VoA para declarar explicitamente seu papel de apoio à diplomacia americana e às políticas do governo.

Jornalistas que trabalham no serviço, no entanto, argumentam que a legislação deverá afetar sua independência. Segundo um funcionário entrevistado pelo New York Times que não quis ser identificado, a lei pode prejudicar a reputação construída pela VoA nas últimas décadas como uma organização de notícias respeitada. “A mudança do nosso foco de ‘notícias’ para ‘promoção de políticas’ irá eliminar qualquer esforço para manter e construir nossa audiência”, afirmou ele.

Membros da equipe que se consideram jornalistas profissionais, e não porta-vozes das políticas do governo, demonstraram a seus superiores receio em relação à legislação. Existe a possibilidade de que haja uma saída em massa de funcionários se a lei for aprovada.

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