Terça-feira, 07 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Artigo derruba comandante dos EUA no Afeganistão

23/06/2010 na edição 595

A revista americana Rolling Stone guiou a cobertura política do país no início desta semana com um perfil bombástico sobre o principal comandante do Exército dos EUA no Afeganistão, general Stanley McChrystal. O artigo, escrito pelo correspondente Michael Hastings, cita McChrystal e seus subordinados em comentários nada lisongeiros ao presidente Barack Obama, o vice-presidente Joe Biden e outros membros do alto escalão da Casa Branca. Logo depois de começar a ser comentada nas redes sociais, a matéria virou tema central em Washington e nas principais emissoras e sites de notícias americanos – que especulavam que ação tomaria o governo.


Nesta quarta-feira [23/6], McChrystal compareceu à Casa Branca para uma reunião com Obama. No artigo, ele e sua equipe citam o presidente como despreparado e intimidado; o assessor de Segurança Nacional Jim Jones é chamado de palhaço; e com Biden é feito um trocadilho com a expressão ‘Bite me’, algo como ‘não enche o saco’. Logo após a reunião, foi feito o anúncio de que o general havia sido substituído como comandante das forças americanas no Afeganistão pelo general David Patraeus, que comandou as forças de coalizão no Iraque.


Vulcão


As declarações de McChrystal sobre o governo a que servia parecem tão absurdas que, em alguns programas de TV, começou-se a questionar se o general teria sido, de alguma forma, enganado pelo repórter. Em entrevista ao canal de notícias MSNBC, o editor da Rolling Stone, Eric Bates, defendeu seu correspondente, dizendo que ele foi bastante claro com McChrystal e seus subordinados. ‘Eles sabiam quando estavam falando on the record. Eles disseram diversas coisas em off que não estão na matéria. Nós respeitamos estes limites. Isso tudo [que está no artigo] é de quando estavam falando em on‘, garantiu.


Hastings teve acesso sem precedentes a McChrystal e sua equipe por conta do vulcão Eyjafallajokull, na Islândia. O repórter acompanhava os militares em viagem à Europa, que acabou prolongada por conta da erupção do vulcão. Com isso, ele ficou ‘preso’ com o general por cerca de duas semanas em Paris e depois na viagem entre Paris e Berlim. Como não era possível voar, por causa das cinzas, foi preciso viajar de ônibus, o que levou ainda mais tempo e permitiu que Hastings pudesse conhecer melhor e, pelo visto, ganhar a confiança dos homens.


Destaque


O curioso é que a Rolling Stone, a princípio, não divulgou a matéria em seu site. Segundo o porta-voz Mark Neschis, a revista não costuma publicar artigos inteiros da seção nacional na internet. Depois que os comentários começaram no Twitter e na blogosfera, jornalões como o New York Times e o Washington Post deram destaque à história em suas versões online. Por algumas horas, entretanto, não se podia encontrar o texto na rede. O site Politico foi quem tomou a iniciativa de postá-lo inteiro.


Mesmo com sua política de não publicar artigos como este online, é claro que a Rolling Stone sabia que tinha um furo nas mãos e, para gerar interesse em torno dele, forneceu a matéria com antecedência à agência de notícias americana Associated Press. Mas o processo não ocorreu como esperado. Em vez de focar nos ataques dos militares ao governo, a agência parece não ter visto o potencial da história e publicou apenas um pequeno artigo sobre a frustração de McChrystal com o embaixador americano no Afeganistão. A Rolling Stone, depois da dimensão tomada pela matéria, acabou publicando-a em seu site. Com informações de Roy Greenslade [Guardian.co.uk, 23/6/10] e do New York Times [23/6/10].

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