Segunda-feira, 01 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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MONITOR DA IMPRENSA >

Bloomberg acusada de bloquear artigo para não irritar governo chinês

Por lgarcia em 12/11/2013 na edição 772

A agência de notícias Bloomberg News foi acusada de autocensura na China. De acordo com uma matéria publicada pelo New York Times, quatro correspondentes que participavam de uma teleconferência entre os escritórios da agência em Hong Kong e Nova York receberam do editor-chefe, Matthew Winkler, a notícia de que a reportagem deles sobre a ligação de líderes chineses com grandes empresas não seria publicada.

“Ele nos disse: ‘se publicarmos a notícia, seremos expulsos da China’”, contou um dos jornalistas presentes à reunião. Menos de uma semana depois, outra reportagem sobre filhos de líderes chineses que têm empregos garantidos em bancos também foi bloqueada.

A Bloomberg News irritou o governo chinês em 2012 ao publicar uma série de artigos sobre a fortuna de líderes do partido comunista, incluindo seu novo chefe, Xi Jinping. As operações da empresa sofreram desde então. Autoridades bloquearam o site da agência no país; jornalistas tiveram seus vistos negados; e a principal fonte de receita da companhia, a venda de terminais financeiros, foi boicotada por autoridades que orientaram empresas chinesas a não comprar os produtos da Bloomberg. Mesmo assim, em julho deste ano a Bloomberg News conseguiu renovar sua licença para atuar na China. A empresa já utiliza códigos para não exibir algumas reportagens sobre a China nos terminais financeiros no país.

Decisão editorial

Até o final de outubro, nenhum editor havia levantado questões contra a reportagem, que passou por um longo processo de revisão por diversos editores sêniores, um advogado e o próprio Winkler.

“Eles foram irredutíveis ao dizer que a razão para descartar a reportagem era editorial, e não política”, disse um jornalista. “Winkler falava sob uma perspectiva jornalística, não comercial”. Segundo o funcionário, o editor-chefe disse ter lido muito sobre jornalistas que trabalhavam na Alemanha durante o nazismo e queria formular uma estratégia para permanecer na China o maior tempo possível. Winkler negou as acusações. Ele afirmou que as reportagens não foram bloqueadas e ainda estão “ativas”. 

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