Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Governo vai alterar marco civil da internet

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 03/06/2010 na edição 592


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 3 de junho de 2010


 


INTERNET


Johanna Nublat e Valdo Cruz


Governo muda marco civil da internet


‘O governo vai alterar os dois pontos mais polêmicos da proposta que cria normas civis para a internet, acatando, em parte, sugestões e críticas da Polícia Federal e do Ministério Público.


O texto final do projeto deve ser fechado até o final de junho, após sete meses em debate público, para ser encaminhado, na sequência, à apreciação do Congresso.


Segundo a Folha apurou, o prazo da proposta original do governo para guarda dos dados de conexão, um dos mais polêmicos na consulta pública, será ampliado.


O arquivo de dados de conexão deve subir de até seis meses para pelo menos um ano. Hoje, não há regras definidas no setor, o que tem emperrado solicitações judiciais que envolvem identificação de usuários da internet.


O Ministério da Justiça aguarda estudos da PF e do setor de bancos para determinar qual é o prazo mínimo suficiente para garantir a investigação efetiva da maior parte dos crimes hoje cometidos na internet.


São esses dados que permitem que a investigação criminal ache o responsável pelo computador que cometeu uma ilegalidade na rede.


A PF critica o prazo de seis meses proposto inicialmente no projeto pois o considera demasiado curto para a realização de qualquer boa investigação criminal.


‘Seria motivo de comemoração para o crime organizado, que encontraria incentivo para usar a internet para a prática de suas ações ilícitas’, diz parecer da PF divulgado no site do marco civil, que recebeu sugestões de entidades e pessoas físicas.


O órgão pede a guarda dos dados por três anos. Pede ainda que provedores de serviço (um site como o Orkut, por exemplo) armazenem dados do usuário por seis meses. O governo não quer obrigar essa guarda.


A ideia do ministério é ‘chegar ao meio termo’, de acordo com Felipe de Paula, secretário de Assuntos Legislativos da pasta.


Outro ponto que sofrerá alteração no texto original feito pelo ministério é o que estabelece a responsabilidade dos provedores de conteúdo com o que é publicado na internet por terceiros.


Inicialmente, o Ministério da Justiça havia proposto um modelo extrajudicial de retirada do conteúdo indevido. Funcionaria assim: ao ser informado de um conteúdo abusivo, o site que hospeda a página teria que retirar do ar o conteúdo e informar ao responsável pela publicação sobre o fato. O dono da página poderia decidir manter o conteúdo no ar, responsabilizando-se por ele. O provedor, então, estaria isento de questionamento judicial.


O mesmo mecanismo deveria ser utilizado por blogs com comentários de terceiros neles publicados.


Semanas depois de iniciar a consulta e depois de muitas críticas de que a retirada extrajudicial permitiria uma censura indevida de conteúdo, o ministério recuou e modificou o texto, propondo que apenas com uma decisão judicial o conteúdo poderia ser retirado do ar.


Agora, o ministério trabalha com a ideia de um mecanismo híbrido: a retirada do conteúdo dependerá de decisão judicial, mas o texto deverá reforçar a validade dos acordos extrajudiciais entre as partes.’


 


 


Alec Duarte


Mudanças oneram provedor e deverão atingir os usuários


‘As mudanças que o governo fará no Marco Civil Regulatório da Internet no Brasil terão dois aspectos, um bastante palpável, enquanto o outro apenas regulamenta uma situação com a qual quem publica na web já convive há bastante tempo.


Ao determinar que os provedores de conteúdo mantenham armazenados dados de conexão de seus usuários por no mínimo um ano, o governo mexerá diretamente no bolso das empresas que prestam esse serviço.


Ao contrário do que muita gente pensa, pouco (ou nada) na internet é de graça. E é justamente a guarda física de informações -que exige investimento em espaço em disco e servidores- a ponta mais custosa do processo.


Não por acaso, o presidente da Abranet (Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet), Eduardo Parajo, recorre à situação de empresas mais modestas e, portanto, com menos recursos financeiros para justificar a impossibilidade da retenção de dados por mais de seis meses.


Diante desse cenário não é impossível imaginar que esse custo, sem dúvida alguma aplicado numa causa nobre e que zela pela segurança jurídica da rede, deverá desembocar nos próprios usuários.


LEGALIZAÇÃO


A outra alteração proposta, essa sim, põe na letra da lei circunstâncias vivenciadas no dia a dia de quem trabalha com conteúdo na web.


Optar apenas pela via judicial para a remoção de conteúdo questionado ou sob litígio vai de encontro à própria prática democrática da rede, na qual o contato entre as partes sempre existiu.


A discussão, inclusive, é uma grande bobagem: assim como publicar é um direito, deletar o conteúdo também, sem intervenção judicial.’


 


 


YouTube amplia domínio no mercado de vídeos on-line


‘O YouTube continuou a ampliar o seu domínio no mercado norte-americano de vídeos on-line, com uma distância gigantesca para seus demais competidores.


Em abril, os sites do Google (liderados pelo YouTube) representaram 43,2% dos vídeos vistos pelos internautas americanos, um aumento de 1,4 ponto percentual em relação ao mês anterior.


Isso significa que, levando em conta apenas o mercado dos EUA, 13,1 bilhões de vídeos foram vistos no sites da empresa americana em um mês, segundo levantamento da consultoria ComScore.


Para ter uma ideia da vantagem do YouTube, o segundo colocado em abril foi o Hulu, com 3,2% de participação de mercado dos Estados Unidos, o equivalente a 958 milhões de vídeos vistos.


O Hulu, criado em 2007 por grandes redes de TV americanas (NBC, ABC e Fox) e especializado em séries, é uma espécie de contra-ataque dessas empresas ao YouTube, que é acusado de não respeitar direitos autorais.


Os sites de vídeos do Google, além de serem os mais vistos, são os que mais atraem consumidores. Foram 136 milhões de visitantes únicos no mês passado.


Essa relação (entre número de visitantes e total de vídeos vistos), apesar de parecer óbvia, nem sempre se concretiza. Os sites de vídeos do Yahoo! são o segundo que mais recebem visitantes únicos nos EUA, mas aparecem em quinto lugar no total de vídeos vistos.


Isso ocorre porque os internautas não ficam muito tempo nos sites do Yahoo!: cada visitante olhou em média 7,5 vídeos em abril. No YouTube, a média é de 96 vídeos, e, no Hulu, de 24,7.


Apesar do sucesso, o YouTube, comprado em 2006 pelo equivalente na época a US$ 1,65 bilhão, ainda não se tornou lucrativo. O presidente-executivo do Google, Eric Schmidt, disse em janeiro que espera que o site comece a gerar lucro neste ano.’


 


 


TELEVISÃO


Andréa Michael


Rede TV! manda para Lula dois aparelhos de TV 3D


‘A Rede TV! colocou à disposição dois aparelhos de TV com tecnologia 3D para o presidente Lula. No Palácio da Alvorada, o equipamento faz sucesso principalmente nas partidas de futebol.


As TVs foram instaladas para garantir que o presidente conheça a transmissão em 3D que a emissora começou a fazer em 23/5. O canal é o único aberto do mundo a fazer isso e quer entrar no livros dos recordes.


A assessoria de imprensa da Rede TV! disse à coluna que um dos aparelhos ‘já está sendo retirado’. Não informou a descrição ou o preço dos equipamentos. No mercado, produto desse tipo sai por volta de R$ 10 mil.


A coluna apurou que, na nota fiscal para o transporte, consta que se trata de uma ‘demonstração’. Os aparelhos 3D substituíram TVs com tecnologia HD que a Rede TV! havia disponibilizado para Lula em 2008.


A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que o presidente recebeu as TVs em regime de comodato, como instituição Presidência da República, e que os aparelhos estão à disposição da Rede TV!, que pode retirá-los a qualquer hora.


FIM DE FORÇA-TAREFA Na terça, na Globo, Murilo Benício (tenente Wilson) e Hermila Guedes (Selma) vivem a última aventura com Milton Gonçalves (coronel Caetano)


Surto 1 Ainda sem programa, Adriane Galisteu foi a convidada de Márcia Goldschmidt, na Band, anteontem. Mandou recado para Luciana Gimenez, do ‘Superpop’: ‘Se eu não tivesse saído da Rede TV!, você não teria entrado’.


Surto 2 E, para Sabrina Sato, do ‘Pânico na TV’, aconselhou: ‘Quando ganhar um presente dele [do deputado Fabio Faria (PMN do Rio Grande do Norte)], peça nota fiscal’. Galisteu já viajou com passagem aérea presenteada pelo ex com dinheiro público.


Pelota A partir da próxima segunda-feira, o ‘SPTV 1ª Edição’ (TV Globo) apresentará entrevistas com os craques do futebol Pepe, Zito, Rivelino, Raí e Cafu.


Trombone Articulador da aprovação imediata na Câmara do projeto que institui cotas de programação e canais nacionais nos pacotes de TV paga, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) diz que é falso o alarme feito pela Sky de que a proposta, se aprovada, aumentará os preços atualmente pagos pelo consumidor.


Convite Chiara Gadaleta, do ‘Tamanho Único’ (GNT), será mestre de cerimônias de concurso para estudantes de moda que terá como tema o jeans. Inscrições em www.lycrafuturedesigners.com.


Sofá Em 10/6, o ‘Jogando em Casa’ (Esporte Interativo) exibirá entrevista com o presidente Lula sobre a Copa. Pela internet e em UHF.’


 


 


Vaza roteiro de série de criador de ‘Lost’


‘O site italiano ‘Il Post’ vazou o roteiro da nova série de televisão de J.J. Abrams, criador de ‘Lost’. ‘Undercovers’, assinada com Josh Reims, é uma série de detetives e irá ao ar a partir de setembro na rede americana NBC. A revista on-line já havia conseguido publicar trechos do final de ‘Lost’.’


 


 


DIREITOS AUTORAIS


Ana Paula Sousa


Governo fecha o cerco a entidade que recolhe direitos autorais


‘No meio do caminho entre o leitor e todas as músicas tocadas no Brasil, há duas siglas. Até que sonoras: Ecad e MinC. Ecad é o Escritório Central de Arrecadação de Direitos. MinC é o Ministério da Cultura. Pois o MinC quer enquadrar o Ecad.


O Ecad recolheu, em 2009, R$ 318 milhões. A cifra foi paga por festas, restaurantes, hotéis, cinemas e shows que botaram música para tocar. Enquanto os valores da indústria fonográfica encolhem, os do Ecad inflam. No ano 2000, tinham sido arrecadados R$ 84 milhões.


‘O Ecad se transformou num sistema autocrático. Eles são autores de milhões de processos na Justiça’, diz Alfredo Manevy, secretário-executivo do MinC.


Manevy refere-se aos fiscais que se tornaram o terror dos donos de vários estabelecimentos que tocam música. ‘É uma entidade criada sob o mando militar, que funciona sem supervisão.’


Por essas e outras, o Ecad tornou-se o principal alvo do novo projeto de lei do direito autoral que o MinC colocará em consulta pública, provavelmente, até o final deste mês. A nova lei prevê a fiscalização do Ecad e a criação de um comitê que possa, também, servir de árbitro nas questões do direito autoral.


MEDIADOR


‘Queremos que o Estado funcione como mediador, diminuindo o número de ações do Ecad’, diz Manevy. O formato do comitê será definido durante a consulta pública.


Em entrevista à Folha, a superintendente do Ecad, Glória Braga, disse, primeiro, que nada sabe do projeto. Depois, contra-atacou. ‘O poder judiciário não é a mediação do Estado? Mudar a lei em ano eleitoral é algo panfletário. O mercado da música é estabelecido no Brasil. O Ecad funciona.’


Perguntada sobre o grande número de ações contra o Ecad e as CPIs que têm procurado averiguar irregularidades, Braga diz considerar ‘naturais’ as queixas. ‘Quem você imagina que atenda tanta gente e não tenha reclamação?’. A entidade representa cerca de 240 mil músicos. Quando o assunto são os músicos independentes, que reclamam jamais ver a cor do dinheiro do direito autoral -que só chegaria aos nomes mais tocados nas rádios e TVs-, ela diz: ‘O Ecad não é uma entidade de previdência social, só aufere o que é executado’.


Chega-se, aqui, a outro ponto polêmico do sistema. De acordo com Samuel Barichello, do MinC, o Ecad não age de maneira clara e igualitária. ‘Eles arrecadam com um critério e distribuem com outro’, diz. ‘Por isso se fala em caixa-preta. Queremos que publiquem as tarifas.’


Braga, mais uma vez, contesta. Mas não chega a explicar: ‘Explicamos isso no Senado, na Assembleia, e explicaremos de novo. Não foi fácil criar esta estrutura’.


Este ano, o Ecad passou a cobrar também pelas músicas utilizadas na internet. O primeiro resultado do recolhimento feito em sites deve ser divulgado em novembro.


‘É uma máquina de guerra, que vive do litígio’, diz o advogado Marcos Bitelli, que representa os donos de cinemas e as TVs por assinatura nas ações judiciais envolvendo a entidade. ‘Nunca houve qualquer tentativa de acordo da parte deles. Estabelecem um valor de forma unilateral, que não tem base financeira nenhuma e, por isso, entram em conflito com todos os agentes econômicos.’’


 


 


ASSINATURA


Elvira Lobato


Anatel dá aval para tele obter TV a cabo


‘Ao reinterpretar a lei, a Anatel abriu caminho para a atuação das companhias telefônicas no mercado de TVs a cabo.


Nesta semana, a procuradoria-geral da Agência Nacional de Telecomunicações avalizou decisão dos conselheiros do órgão, que elimina o limite de concessões para TV paga.


Na prática, isso derruba a principal restrição à atuação das teles nesse mercado prevista na Lei da TV a Cabo.


Ao eliminar o limite de concessões por área, perde o sentido a exigência da lei de que haja licitação pública para comprovar a ausência de interessados.


Na leitura da procuradoria e da direção da Anatel, o serviço de TV paga pode ser ilimitado por não haver uma restrição física em sua oferta.


A lei, de 1995, diz que as companhias de telefonia fixa só podem oferecer o serviço em sua área de concessão se não houver outra empresa privada interessada.


Além disso, é obrigatório o controle de capital nacional.


A Oi seria a grande beneficiada da mudança de regra, por ter controle nacional. A Telefônica, de capital estrangeiro, continuaria limitada a ter participação minoritária na parceria com a Abril. O mesmo ocorreria com a Embratel em relação à Net.


Para os conselheiros da Anatel, o número de outorgas de TV a cabo deve ser ilimitado para estimular também a oferta de banda larga, e o custo da licença deve cair para R$ 9.000.


De 1998 a 2001, a Anatel arrecadou R$ 343,8 milhões com a venda de concessões de TV a cabo.


Os primeiros editais foram lançados em momento de euforia dos investidores, que pagaram ágios milionários pelas licenças.


O conselho suspendeu, em caráter liminar, o planejamento das outorgas, aprovado em 1997 e que fixou limite de concessões para 884 municípios.


A liberação das outorgas terá que ser confirmada em novo planejamento. O parecer jurídico é parte da elaboração desse planejamento.


SURPRESA


O mercado de TV por assinatura foi apanhado de surpresa pela decisão do conselho da Anatel por duas razões: não havia uma discussão pública sobre o tema e a medida foi tomada no âmbito de um processo administrativo de análise da compra da empresa de TV a cabo DR, de Blumenau (SC), pela Net Serviços, ocorrida em 2000.


Para alguns operadores de TV a cabo, a decisão atropela a discussão sobre o projeto de lei 29, em tramitação na Câmara e que propõe liberar a oferta de TV a cabo pelas telefônicas, sem limitação ao capital estrangeiro.’


 


 


TVs pagas pedem explicação da Anatel


‘A ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) enviou carta à Anatel em que pede explicações sobre a liberação do número de outorgas de TV a cabo.


Segundo o presidente da entidade, Alexandre Annenberg, muitas empresas estão perplexas porque pagaram preço alto pelas concessões de TV a cabo e, agora, estão na iminência de terem concorrentes que não pagarão pela licença.


‘A ABTA não é favorável à competição sem limites. O jogo que vale hoje foi instituído há 15 anos e as empresas montaram seus modelos de negócios baseadas nas regras aprovadas pelo governo’, diz Annenberg.


‘Para mudar as regras, tem que mudar a Lei da TV a Cabo’, afirma.


Para a Net Serviços (operadora de TV a cabo controlada pelas Organizações Globo, em sociedade com a Embratel), a medida fere a isonomia entre os atuais e os futuros operadores.


Já o grupo Abril, sócio da Telefônica na Comercial Cabo, que explora o serviço na cidade de São Paulo, aplaudiu a decisão.


Antes de se associar à tele, a Abril defendia a limitação das outorgas. Mas, segundo o vice-presidente jurídico do grupo, Arnaldo Tibyriçá, a perspectiva do mercado mudou quando as empresas passaram a comercializar os serviços de TV paga, acesso à internet e telefonia no mesmo pacote.


Segundo ele, o grupo já solicitou à Anatel outorgas para várias cidades do Estado de São Paulo.


Para a Oi, a decisão da Anatel abre caminho para ela oferecer TV a cabo porque, com o número ilimitado de outorgas, todos os interessados poderão obter licenças, sem necessidade de licitação pública.


Diz ainda que a TV paga é um serviço privado e não exigiria concessão.’


 


 


Agência diz que proibição para as teles em TV a cabo está mantida


‘Mesmo com o parecer jurídico que diz que a restrição à atuação das teles em TV a cabo perderá o sentido com a liberação das outorgas, o conselheiro da Anatel João Rezende diz que as companhias telefônicas continuam proibidas de oferecer o serviço.


Segundo ele, a proibição se deve à Lei da TV a Cabo e aos contratos de concessão de telefonia fixa existentes.


‘As teles podem até pedir outorgas de TV a cabo, mas, no momento, não há condição de autorizar’, afirmou.


Foi Rezende quem propôs a conselheiros a liberação das licenças e o fim da venda das concessões. Pela proposta, as futuras licenças teriam só o custo administrativo da emissão, de R$ 9.000.


O conselheiro rebateu a crítica da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) de que a mudança quebraria a isonomia entre as operadoras que pagaram preço alto pelas concessões -pressupondo um número limitado de concorrentes- e as futuras operadoras.


Segundo ele, o pagamento não criou direito de reserva de mercado e já se passaram dez anos desde a licitação. ‘As empresas já tiveram retorno do investimento.’


Rezende diz que há mais de mil pedidos de outorgas de TV a cabo protocolados na Anatel, e a agência precisa abrir o mercado.


‘A população cresceu. A renda aumentou e é preciso deixar o mercado fluir.’’


 


 


TECNOLOGIA


Márion Strecker


Ninguém precisa de um iPad


‘A Apple vendeu mais de 2 milhões de iPads desde o lançamento, em 3 de abril. O produto está em falta em muitas lojas nos EUA. Filas na França e no Japão no lançamento na semana passada, quando a Apple superou pela primeira vez o valor de mercado da Microsoft e se tornou, a ver até quando, a maior empresa de tecnologia do mundo.


O que aconteceu? Ninguém precisa de um iPad, certo? Mas o que necessidade tem a ver com desejo?


Outro dia, Marcelo Coelho escreveu aqui na Folha que achava que as pessoas compravam o iPad não por uma esperança intangível de felicidade, mas meramente porque não querem perder o que já têm: a vanguarda tecnológica.


Não discordo, mas isso não conta toda a verdade. A verdade é que o iPad fala ao coração do público, é um marco na indústria da computação e está obrigando o mercado a se reposicionar.


Computação pessoal, smartphone e internet não separam os mundos do trabalho e da diversão. O iPad expande a vida on-line portátil.


Vai armazenar e reproduzir todas as músicas, os vídeos, as fotos, os e-mails, a informação, os serviços e ainda assim oferecer uma forma de consumo e entretenimento atualizável 24 horas por dia, sem fio, movida ao toque e ao roçar dos dedos. Assim terão de ser os concorrentes que virão.


O iPad é o equipamento mais abraçável já inventado e o melhor para levar para a cama. Ridículo? Garanto que isso é o que todas as crianças querem e muitos adultos farão.


Sem falar no maravilhoso mundo dos aplicativos, dominado pelo entretenimento e pela indústria da comunicação multimídia. São softwares que prestam serviços ou trazem diversões bem específicas, explorando a grande capacidade multimídia do equipamento e, às vezes também, a possibilidade de atualização regular e automática do conteúdo, inclusive com localização geográfica do usuário.


No iPhone/iPod Touch, os aplicativos já eram um sucesso. No iPad, são um imperativo. Você baixa um aplicativo e aí descobre outro, pago, que parece muito melhor. Aí você experimenta. Então, descobre outro, mais caro, ainda mais incrível. E assim vai.


Bem como a iTunes Store, a App Store entrega recibo inclusive na ‘compra’ de produtos grátis e oferece navegação por irresistíveis rankings de produtos mais baixados, mais apreciados ou por categorias.


Se você tiver mais de um equipamento da linha iPad, iPhone ou iPod Touch, poderá baixar o mesmo aplicativo em mais de um aparelho sem custo adicional.


O mais adorável é quando a Apple não deixa o cliente comprar o mesmo produto duas vezes, avisando que ele já baixou aquilo antes. Que loja faz isso?


O brinquedo é tão viciante que pouco depois de lançado nos EUA as universidades Princeton e George Washington proibiram o iPad no campus, por deteriorar a rede Wi-Fi acadêmica de tanto uso.


Até o precursor Kindle tratou de lançar logo um aplicativo para iPad, de modo que a Amazon pudesse continuar a vender seus livros ainda que para equipamento concorrente do seu.


O iPad, acredite, já começou a povoar as estatísticas de acesso aos portais brasileiros. Mesmo alguns tradicionais adeptos de Windows se divertem quando põem as mãos num deles. Encontram defeitos, é claro.


O iPad não é multitarefa (não permite usar dois programas ao mesmo tempo), não tem teclado físico, câmera nem porta USB. A capacidade de armazenamento é limitada e não permite ver conteúdos programados em Flash, como as versões atuais da TV UOL ou da Rádio UOL.


O iPad é relativamente caro. O modelo básico sai nos EUA por US$ 499 fora impostos, o que significa que vai chegar ao Brasil por mais de R$ 2.000.


Com o iPad, a cadeia produtiva da comunicação sofreu dois reveses: muitos terão de amargar o prejuízo de substituir sua programação em Flash pela linguagem mais universal do HTML5, apenas para permitir que seu site ou serviço rode corretamente no iPad (e no iPhone, por tabela). E muitas marcas serão impelidas a lançar aplicativos específicos, porque seus concorrentes o farão, no mínimo para se associar à imagem de inovação da Apple.


MÁRION STRECKER , 49, jornalista, é diretora de conteúdo do UOL. Passa a escrever mensalmente, às quintas, neste espaço.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


(www.estadao.com.br)


Quinta-feira, 3 de junho de 2010


 


JORNAL EM CRISE


Andrei Netto


Em crise, jornal ‘Le Monde’ é colocado à venda na França


‘O jornal francês Le Monde, um dos mais importantes do mundo, foi oficialmente posto à venda nesta quarta-feira, 2, em Paris. O anúncio foi feito em editorial de capa pelo diretor-executivo da publicação, Eric Fottorino, e confirma a perspectiva aberta em janeiro de 2008, quando começou o agravamento da crise do maior diário da França.


Os futuros proprietários, que deverão injetar entre € 80 bilhões e € 100 bilhões em troca do controle acionário, terão de assinar um termo de compromisso para garantir a total independência editorial do periódico de centro-esquerda.


A troca de mãos do Le Monde é desde já o maior movimento em curso no mercado editorial da Europa, e está mobilizando investidores da própria França, mas também da Itália, da Espanha e da Suíça.


As ofertas deverão ser concretizadas até 14 de junho pelo conjunto do grupo Le Monde, integrado também pelo site lemonde.fr (portal informativo mais frequentado do país), pelo jornal Le Monde Diplomatique, pelas revistas Courrier International, Télérama e La Vie e pela gráfica da companhia, além de seus imóveis.


A perspectiva é de que, até 30 de junho, o selecionado para liderar o processo de recapitalização do grupo seja conhecido.


A venda, nas palavras do diretor Fottorino, marcará ‘uma virada histórica para o Le Monde’, um jornal fundado pelo legendário jornalista Hubert Beuve-Méry, em 1944, e controlado por seus funcionários desde 1951. ‘O Monde sofreu as consequências de tensões sobre sua tesouraria, que o conduziram no ano passado a contrair um empréstimo bancário de € 25 milhões, condicionado por nossos credores – o banco BNP em primeiro lugar – à implantação de uma recapitalização’, informou executivo.


Ainda de acordo com Fottorino, a empresa precisará reembolsar entre 2012 e 2014 um total de € 69 milhões em empréstimos contraídos dos grupos Publicis, La Stampa e BNP Paribas. Apesar do quadro adverso, a direção do grupo reafirmou seu otimismo sobre o futuro, em especial depois que o jornal conseguiu reverter, em 2009, os crônicos deficits, fechando o ano com um saldo de € 2 milhões, ‘sinal de um dinamismo editorial e de um retorno à melhor gestão’, segundo o editor.


Em 2009, o jornal já havia demitido 130 funcionários, dos quais 70 eram jornalistas, além de ter vendido títulos como a revista Cahiers du Cinéma, com o objetivo de reduzir o endividamento e enfrentar a queda das receitas publicitárias e das vendas. Como em grande parte do mundo desenvolvido, a circulação de jornais impressos na França vem em queda, mas o Le Monde se mantém na liderança entre os jornais generalistas do país, com 320 mil exemplares por dia – 40 mil destes circulados no exterior.


Apesar da crise, o futuro do diário parece assegurado. Se, de um lado, o grupo Lagardère, um dos maiores conglomerados da França e atual detentor de 17% das ações, informou que não participará da seleção, investidores de pelo menos quatro países já anunciaram a intenção de fazer parte da recapitalização.


Até o momento, a oferta mais concreta parece ser a de três investidores franceses: Pierre Bergé – ex-companheiro do estilista Yves Saint-Laurent e acionista do jornal Libération -, Matthieu Pigasse e Xavier Niel, os dois últimos empresários dos setores bancário e de comunicações.


Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, em Paris, Bergé, Pigasse e Niel confirmaram a disposição de investir entre € 80 bilhões e € 100 bilhões em um projeto de longo prazo que visará ao reequilíbrio do projeto industrial do grupo, sem interferir em seu conteúdo editorial, que seguiria a cargo da mesma equipe. ‘A independência é antes de mais nada editorial’, diz a nota.


‘Ela constitui o bem mais precioso para o futuro, um futuro que se inscreve na autonomia em relação a todos os poderes e no não alinhamento a nenhum campo, na defesa da qualidade da informação e das análises, e não à conformidade a uma ideologia’, completa o texto.


Estrangeiros


Além dos investidores, outro grupo de imprensa francês, o Nouvel Observateur, editor da mais importante revista semanal do país, poderia participar da recapitalização do Le Monde, mas não além de € 60 milhões. Claude Periel, fundador do semanário, informou nesta quarta que pode vir a disputar o controle do jornal, desde que encontre parceiros que assumam entre 30% e 40% da oferta.


Fora da França, segundo informou Fottorino, o grupo Prisa, editor do jornal espanhol El País – já sócio minoritário do conglomerado francês, com 2% das ações -, e Ringier, que imprime o diário suíço Le Temps, estudam as condições de aquisição.


O grupo italiano Espresso/La Repubblica também estaria interessado. As ofertas, quando concretizadas, serão analisadas pelo conselho editorial do Monde, mas a decisão final será tomada pelos funcionários, atuais majoritários da empresa.’


 


 


HQ


Raquel Cozer


Quino, o pai da Mafalda, fala sobre sua obra recente


‘As quatro décadas que separam a primeira tira de Mafalda do livro Que Presente Inapresentável não mudaram a forma de Quino interpretar o mundo. Nos anos 60, ao ouvir que a TV era ‘veículo de cultura’, Mafalda concluía: ‘Se fosse a cultura, descia do carro e ia a pé.’ Em cartum da coletânea lançada em 2004, um homem constata, aturdido: ‘Graças à internet, agora posso ler a imprensa internacional e saber na hora que horror está o mundo.’


Três títulos que saem agora no Brasil – 10 Anos com Mafalda, com todas as tiras da personagem, publicadas entre 1964 e 1973, Humanos Nascemos, original de 1987, e Que Presente Inapresentável – permitem perceber como Quino encontrou diferentes maneiras de reiterar suas convicções ao longo da carreira. E foi por essa eficácia em retratar a evolução das mazelas do mundo que causou tamanha repercussão seu anúncio, em abril do ano passado, de que ficaria um tempo sem desenhar para ‘renovar ideias’.


‘Sigo desenhando coisas para mim. O que não estou é publicando neste momento’, afirmou Quino, de Buenos Aires, em entrevista por telefone ao Estado, na última semana. ‘Estou sempre buscando temáticas que ainda não tenha abordado, e isso é muito difícil. É algo sobre o que prefiro não falar porque ainda não sei qual é a via a seguir.’


Quem acompanha de perto a trajetória do autor, no entanto, sabe que há outra razão para a pausa. Há dois meses, o cartunista passou por uma cirurgia no olho direito devido ao glaucoma do qual sofre. Não foi a primeira vez que se submeteu a operação contra a doença, que pode levar à cegueira; nos últimos anos, passou por uma série delas. Daniel Divinsky, editor de Quino na Argentina, já chegou a sentenciar: ‘Creio que o ‘até logo’ disfarce um ‘até nunca’. Para ele, é uma decisão dolorosa. O glaucoma foi se agravando, ele não vê com precisão para desenhar bem e fica insatisfeito com o que faz.’


Mas novas publicações do artista estão prometidas. A Ediciones de la Flor, que o publica na Argentina, afirma ter material para lançar uma série temática. Também por aqui deve sair, sem data definida, uma preciosidade. Trata-se de Mundo Quino: primeiro volume com cartuns do argentino, de 1963, cujo prefácio da edição argentina dos anos 90 inclui um mea-culpa do autor. No texto, ele diz ser ‘estranha a sensação’ de reencontrar um Quino com o qual se identifica e do qual se sente diferente. ‘Por um lado, era capaz de uma simplicidade e uma frescura que hoje invejo. Por outro, descubro-me autor de desenhos de um racismo que, para ser brando comigo, qualificaria de inconsciente, mas não menos detestável’, escreve.


Pessimismo. Hoje, Quino diz acreditar que não mudou. Ao menos, avalia, não se tornou mais pessimista do que era. ‘O mundo foi que mudou para pior, em especial após o 11 de Setembro, quando perdemos segurança. A política também piorou, perdeu muito terreno frente ao poder econômico’, argumenta. Mas parecia mais otimista o cartunista que, em 1987, na entrevista de abertura do volume 10 Anos com Mafalda, dizia acreditar que a ‘inteligência humana saberá sobrepor-se a todos os perigos’.


Nos dias atuais, a inteligência humana lhe parece uma praga. Na conversa com a reportagem, Quino reproduz argumentos negativos sobre os transgênicos (‘Me parece que está muito mal regulado, ninguém controla como deveria fazer’). a internet (‘Ela cria um excesso de informação entre gente que não se comunica pessoalmente, e isso me parece bastante triste’), o futebol (‘Não há outro esporte que provoque tantas mortes e violência como ele. Me interessa só como fenômeno social’) e a projeção internacional do Brasil (‘Isso foi algo já programado desde os tempos do Kissinger’). Proprietário de apartamentos em Buenos Aires, Madri, Paris e Milão, casado há 50 anos com a mesma mulher, Alicia Colombo, e admirador de vinhos e de boa comida, Quino parece ao menos interessado em tentar retirar do mundo o que de bom, apesar de tudo isso, ele ainda pode lhe oferecer.


10 Anos Con Mafalda


Autor: Quino. Editora; Martins Fontes (R$ 52 – 193 páginas).


Humanos Nascemos


Autor: Quino. Editora: Martins Fontes (R$ 45 – 126 páginas).


Que Presente Inapresentavel!


Autor: Quino. Editora: Martins Fontes. (R$ 36 – 134 páginas).’


 


 


TELEVISÃO


Cristina Padiglione


Paulo Markun assina com a TV Gazeta


‘A TV Gazeta acaba de comunicar a contratação de Paulo Markun, cuja gestão como presidente da Fundação Padre Anchieta está vencendo neste início de junho.


Já que a cadeira está devidamente ocupada pelo novo presidente, João Sayad, por indicação do ex-governador José Serra e concordância do Conselho da Fundação, Markun foi cuidar da vida em outra freguesia.


Na Gazeta, assume o papel de comentarista político para a temporada de eleições e há de entrevistar os candidatos de plantão, a governo estadual e federal.


Markun, que no início do ano obteve de Serra sinal verde para continuar à frente da TV Cultura, tendo depois se surpreendido com a candidatura de Sayad, tinha recebido convite para lá permanecer, retornando então ao comando do ‘Roda Viva’.’


 


 


PROPAGANDA


Carolina Stanisci, Julia Duailibi e Paulo Saldaña


Propaganda do governo Lula nas escolas de São Paulo


‘Escolas da rede pública paulista receberam um caderno com propaganda sobre ações do governo federal, o que levou o pré-candidato do PSDB, José Serra, a dizer que a Presidência tem usado dinheiro da educação com publicidade para autopromoção.


O Estado apurou que algumas escolas da rede pública do Estado receberam o jornal de balanço elaborado pela Secretaria de Comunicação, ligada à Presidência da República. O material, com 43 páginas, destaca vários atos do governo no ano passado de áreas que vão de política externa a energia e meio ambiente.


‘É um calhamaço assim de propaganda pura distribuída pelo governo federal. Não é o município de Xiririca que vai imprimir propaganda do governo federal’, disse Serra, para quem os recursos usados poderiam ser direcionados para a educação.


A Secom afirmou que o jornal tem tiragem de 1,2 milhão de exemplares e é enviado para um mailing formado nos últimos sete anos, por indicação dos ministérios. Ainda de acordo com o órgão, nem todas as escolas recebem o caderno, enviado também para confederações e organizações não-governamentais. Segundo a Secom, o custo de produção é de R$ 2,2 milhões, com recursos da secretaria.


Além do jornal de balanço, mais de 197 mil escolas estaduais e municipais receberam no mês passado material contendo ações do governo federal na área de educação, com o slogan ‘o governo federal mudou o retrato da educação pública brasileira’.


Diretores de pelo menos dez escolas de São Paulo confirmaram o recebimento do material. Além de um cartaz, uma agenda também foi enviada para as escolas. O advogado Ricardo Penteado, que assessora o PSDB, diz que vai analisar o material para decidir se ingressa com ação.


O cartaz afirma que no ano em que o Plano de Desenvolvimento da Educação completa três anos foram triplicados os investimentos na educação pública. Mas, como é informado no mesmo folder, o aumento de investimentos – de R$ 19 bilhões para R$ 59 bilhões – se deu em seis anos, não em três.


Para o especialista em direito eleitoral Marcelo Augusto Melo Rosa de Sousa, o documento foi uma ‘pseudoprestação de contas’. ‘Há um veio subliminar de intenção eleitoral que pode causar desequilíbrio.’’


 


 


MERCADO EDITORIAL


Naiana Oscar


Editoras se unem e criam distribuidora de livros digitais


‘A expectativa da revolução editorial trazida pelos livros digitais fez um grupo de sete editoras se movimentar para entrar de vez nesse mercado. Objetiva, Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta criaram em parceria uma empresa de distribuição de e-books que espera faturar até o fim de 2011 cerca R$ 12 milhões. As negociações que culminaram com a criação da Distribuidora de Livros Digitais (DLD) começaram no fim do ano passado.


A nova empresa funcionará como uma plataforma que vai estocar de forma digital os livros das editoras clientes. ‘Quando um leitor adquirir um livro numa livraria digital, ele vai receber um link para baixar diretamente da plataforma. Isso será feito de tal maneira que nem a plataforma terá acesso aos dados de identificação desse leitor, nem a livraria ao conteúdo do livro’, explica Sérgio Machado, da Record.


A empresa não vai vender para o consumidor final. Os e-books serão comercializados inicialmente para livrarias que têm loja fixa, como Cultura e Saraiva e, depois, vendidos para as virtuais, como Gato Sabido, Amazon e Apple.


A meta da distribuidora é oferecer até o fim de 2010 pelo menos 500 títulos digitais. A partir do ano que vem, a empresa pretende incluir mensalmente uma média de 300 títulos ao acervo. Qualquer editora pode se tornar cliente da DLD. Algumas já estão confirmadas, como a Bertrand, Bestseller, José Olympio, Prumo e Verus, além das editoras que integram a sociedade. ‘A DLD é apenas uma distribuidora, como tantas que existem hoje trabalhando com livros impressos’, diz Roberto Feith, da Objetiva. A empresa, segundo ele, vai oferecer serviços de hospedagem e logística virtual, além de garantir a ‘proteção contra a pirataria’ e a ‘ integridade do processo para toda a cadeia’.


Embora cada editora tenha o direito de determinar o preço da edição digital, os sócios da DLD estimam uma redução de até 30% no valor do e-book em comparação com a edição de papel.


Para definir o tamanho do mercado que vão abocanhar nos próximos anos, as editoras que fundaram a nova distribuidora de livros digitais tomaram como ponto de partida os dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livros e da Câmara Brasileira do Livro, além de pesquisas internacionais. No Brasil, a informação mais recente é de 2008, quando as editoras de obras gerais venderam 63,5 milhões de exemplares. A empresa calcula que pelo menos 10% desse total migre para e-books. ‘Nos Estados Unidos existem profissionais que acreditam que no final de 2012 25% dos livros serão consumidos em formato digital’, diz Feith.


Outra expectativa da DLD é que até o fim do próximo ano 150 mil e-readers estejam disponíveis no Brasil. A previsão é de que esse mês a Apple comece a vender sua criação, o iPad, oficialmente no Brasil.’


 


 


INTERNET


Reuters


Internet deve crescer quatro vezes até 2014


‘A fabricante de equipamentos de rede Cisco disse ter expectativa de que o tráfego global na internet mais que quadruplique até 2014, uma vez que cada vez mais pessoas usam a rede para assistir a vídeos e conversar com os amigos online.


A Cisco prevê que o tráfego de internet cresça para 767 exabytes anuais em 2014, com a maior parte do crescimento proveniente de vídeo online. A previsão é ainda 100 exabytes maior do que o nível projetado no ano passado para 2013.


Um exabyte equivale a 1 bilhão de gigabytes. Para ilustrar o tamanho do tráfego esperado, a Cisco disse que ver todo o conteúdo de vídeo circulando pela rede em 2014 levaria cerca de 72 milhões de anos.


A empresa disse que vídeo, incluindo serviços a cabo e internet, corresponderão por cerca de 91% do consumo global de tráfego até 2014.


A Cisco fabrica roteadores e switches que direcionam o tráfego de Internet e é uma das empresas que se beneficiam da tendência de upgrade nos serviços telefônicos que aumentam o uso da internet.


Suraj Shetty, vice-presidente de marketing de serviços da Cisco, disse que o tráfego da rede está crescendo mais rapidamente do que o antecipado há alguns anos. Ele citou os novos eletrônicos e a popularidade de sites como o YouTube e serviços de download de filmes como o da Netflix.


‘Olhemos para os dois últimos anos. A economia sofreu bastante pelo mundo. Mas o tráfego de IP na verdade acelerou porque há muito mais pessoas usando vídeo’, explicou. ‘Você vê aparelhos como player de Blu-ray com Netflix e YouTube embutido… e o iPad está vindo junto’.’


 


 


 


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