Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Jornalismo deu valor aos vazamentos

24/02/2011 na edição 630


Folha de S. Paulo, 24/2


Claudia Antunes


Jornalismo deu valor a WikiLeaks, afirmam editores


A divulgação dos telegramas diplomáticos dos EUA obtidos pela organização WikiLeaks representou a reafirmação do jornalismo, disseram ontem os editores de cinco publicações com acesso aos documentos.


Segundo eles, o despejo bruto na internet dos despachos não teria a mesma repercussão obtida pelo trabalho de seleção e contextualização feito pelos jornais.


‘O êxito deveu-se à edição. Agregamos nossa experiência e isso deu credibilidade ao material’, disse Sylvie Kauffmann, editora do ‘Le Monde’, em debate promovido por ‘El País’ no museu Rainha Sofia, em Madri, e transmitido pela internet.


Também participaram Javier Moreno, diretor do diário espanhol, Bill Keller, do ‘New York Times’, Alan Rusbridger, do ‘Guardian’, e Georg Mascolo, da revista alemã ‘Spiegel’.


A Folha teve acesso antecipado aos telegramas enviados das missões americanas no Brasil e começou a publicá-los em novembro.


Os vazamentos são matéria-prima tradicional do jornalismo. Mas os editores destacaram a quantidade de material e a importância da iniciativa de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, para driblar legislações nacionais que barram acesso a documentos e restringem a liberdade de expressão.


‘Chegamos ao máximo denominador comum da liberdade de imprensa’, disse Rusbridger.


Para Kauffmann, a iniciativa foi etapa importante na luta pela transparência. ‘É preciso dar crédito a Assange por ter tido essa visão e confiado em nós.’


Houve ceticismo, no entanto, sobre mudança na ação diplomática americana.


‘O secretário da Defesa [Robert] Gates disse que os países não fazem negócios com os EUA porque gostam, mas porque precisam’, disse Keller. Ele afirmou que o ‘Times’ pensa em abrir um site protegido para o depósito de segredos e previu que Washington não terá argumentos legais para acusar Assange. ‘Viram que era difícil processá-lo e não nos processar.’


Mascolo lembrou que o caso do vazamento não acabou -foram publicados 4.889 dos 250 mil telegramas- e que as revoltas no Oriente Médio chamam a atenção para despachos da região.


Rusbridger revelou pressões dos EUA para evitar a publicação do material sobre bombardeios americanos a supostas bases terroristas no Iêmen, cuja autoria foi assumida pelo ditador local.


Os editores discutiram a função das mídias sociais nas revoltas árabes. ‘O Facebook é um samizdat com esteroides. Mas a tecnologia não pode tomar o lugar dos heróis de verdade’, disse Keller, referindo-se às publicações mimeografadas dos dissidentes soviéticos.


 


 


Portal Imprensa, 23/2


Wikileaks contribuirá com mais quatro jornais na América Latina


O site Wikileaks expandiu sua atuação a América Latina e firmou acordo com mais quatro jornais: El Espectador, da Colômbia, Página 12 da Argentina, El Comercio, do Peru e La Jornada, do México. O site já tinha um acordo com os jornais brasileiros Folha de S.Paulo e O Globo, os quais já vêm publicando trechos de telegramas vazados pelo Wikileaks.


Os novos parceiros latinos de Assange dizem contar com mais de 20 mil telegramas e despachos diplomáticos, informa o site da BBC Brasil. Os documentos vazados foram produzidos principalmente nas embaixadas americanas dos respectivos países.


Para o jornal peruano, foram entregues 4 mil despachos diplomáticos a respeito da conjuntura política do Peru, a luta contra o narcotráfico, a situação econômica do país e também às relações entre Bolívia e Peru.


O colombiano El Espectador começou a publicar neste final de semana alguns dos 16 mil documentos diplomáticos que tratam das relações entre Colômbia e Venezuela.


Alguns deles podem ter forte influência na postura de dirigentes nacionais, que se pronunciarão com mais cautela a partir da divulgação dos despachos, afirma o professor Emilio Viano, da Universidade Americana, de Washington. Mas, também proporcionará a população maior acesso a informações valiosas para fiscalizarem melhor os políticos e pedirem ‘prestação de contas’, acredita a professora de Ciências Políticas e Relações Internacionais da Universidade dos Andes, Sandra Borda.


Os quatro jornais da região que tiveram acesso aos despachos diplomáticos dizem tê-los analisado minuciosamente antes de publicá-los.


Em um comunicado, o Página 12 explicou que o seu acordo com o WikiLeaks se baseia ‘no direito de prestar informações aos cidadãos’ e acrescentou que revelará ‘documentos e não verdades absolutas’.

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