Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Murdoch passa o bastão aos filhos

Por Leticia Nunes em 16/06/2015 na edição 855

O anúncio de que Rupert Murdoch deixará a presidência da 21st Century Fox para seu filho James não impactou nem mesmo as ações da empresa. Há tempos o magnata ensaia o movimento.

Acionista majoritário da News Corporation, um dos maiores grupos midiáticos do mundo, Rupert Murdoch continuará, provavelmente, dando as cartas em seu conglomerado. James, por sua vez, assumirá a tarefa de elevar os componentes de entretenimento da Fox Broadcast, que ainda luta contra o declínio de espectadores. O pai continua no conselho e ocupará um papel mais discreto, como diretor executivo do grupo. O outro filho de Murdoch, Lachlan, irá se tornar vice-presidente executivo.

Murdoch e filhos

Rupert Murdoch (centro) caminha com os filhos Lachlan e James

A imagem da família foi afetada pelo escândalo dos grampos telefônicos no Reino Unido, em 2011, mas Rupert e os filhos parecem ter saído com poucos arranhões do episódio. Em 2013, o conglomerado News Corporation foi dividido em dois: de um lado ficou a News Corp, focada nos jornais e parte editorial; do outro, a 21st Century Fox, que passou a lidar com as unidades de cinema e televisão.

Escândalo dos grampos

Antes de se juntar à Fox, James Murdoch era presidente do braço britânico do grupo do pai, afetado pelo escândalo dos grampos no tabloide News of the World. Na ocasião, revelou-se que diversos membros da equipe tinham grampeado, durante anos, milhares de linhas telefônicas de celebridades, políticos e até membros da família real britânica. O jornal acabou sendo fechado.

Agora, James Murdoch estará à frente de empresas como a Fox News, o estúdio de cinema 20th Century Fox e uma joint venture de produção de TV que está por trás de programas como MasterChef, Big Brother e American Idol. Ele também é dono de 40% da operadora de TV por satélite British Sky Broadcasting.

Rupert já indicava seus planos para catapultar o filho ao cargo de CEO. Em fevereiro de 2015, o patriarca dos Murdoch vendeu sua mansão em Beverly Hills para James por US$ 30 milhões, mantendo o imóvel na família e proporcionando uma moradia para o filho em Los Angeles, de onde este poderia conduzir os negócios.

De acordo com Ian Whittaker, analista da Liberum Capital Limited, a sucessão pode significar apenas uma estratégia empresarial comum, mas também pode aumentar as chances da Fox vender sua participação na Sky, ou mesmo de lançar outra oferta para as ações remanescentes que não possui.

Império midiático

Herdeiro de um pequeno jornal australiano, Rupert Murdoch construiu um império que abrange vários continentes. Dentre suas propriedades estão a Fox News, a Fox Sports e o canal Fox Movies (que inclui programas de sucesso como Os Simpsons, Modern Family, 24 Horas e Glee), o canal National Geographic, a Big Ten Network e a Star India; além do estúdio de cinema 20th Century Fox.

O grupo também conta com o tabloide The Sun e com os jornais Times, no Reino Unido, New York Post e Wall Street Journal, nos EUA, além da editora HarperCollins. Na Austrália, Rupert possui ativos de TV na Fox Sports e 50% da empresa de televisão por assinatura Foxtel.

Críticas

Em artigo para a Salon, o jornalista Jack Mirkinson criticou a impunidade da família Murdoch diante do escândalo no News of the World, lembrando que Rupert colaborou com a polícia britânica contra seus próprios jornalistas e forneceu documentos que resultaram nas prisões de dezenas de seus funcionários.

Mirkinson avalia que o escândalo acabou afetando pouquíssimo os Murdoch. “Rupert manteve o controle de sua empresa. O dinheiro continuou circulando, especialmente na 21st Century Fox, fato que ajudou a silenciar qualquer pessoa sem escrúpulos morais. Quaisquer acionistas irritados viram-se marginalizados. O FBI recuou. A culpa pelos grampos recaiu em executivos de nível mais baixo, mantendo os Murdoch intocados”, escreveu. “No final, as coisas ficaram como sempre foram: um homem muito rico e muito poderoso se safou”.

Mirkinson considerou a nomeação de James e Lachlan para os altos cargos no grupo uma “doce vitória” para Rupert e classificou o movimento como algo completamente esperado e arquitetado pelo magnata das comunicações.

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