Terça-feira, 07 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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MONITOR DA IMPRENSA >

Paulo Rogério

01/06/2010 na edição 592

‘‘Que a importância esteja no teu olhar, não naquilo que olhas.’ André Gide, escritor francês.

A violência está tão grande em Fortaleza que assassinatos durante roubos acabam virando banalidade no noticiário. Este pelo menos foi o tratamento dado ao assalto que vitimou o italiano Giuseppe Paparone, morto com um tiro, em pleno coração da avenida Washington Soares, uma das mais movimentadas ruas de Fortaleza. O fato repercutiu internacionalmente na segunda-feira provocando intenso debate no meio turístico, afinal 27% dos turistas estrangeiros que desembarcam na capital cearense são italianos. E é bom não esquecer que a cidade é uma das sedes da Copa de 2014.

Porém, nada disso sensibilizou O POVO que optou por uma manchete política, sem novidades, na edição do dia 25. O caso do italiano ganhou uma chamada de duas linhas na capa e uma cobertura fraca internamente, na editoria Fortaleza, mostrando o caso, a tensão no local no dia seguinte e como foi o atendimento da ocorrência. Os outros jornais deram destaque total, com manchetes na capa, a repercussão no mundo e a preocupação no setor turístico. O POVO tentou recuperar o assunto na edição seguinte, silenciando nos demais dias. Lição da história: sensibilidade nunca é demais.

Muita intimidade

A entrevista é um dos instrumentos básicos para obter informações jornalísticas. De acordo com Luiz Beltrão, autor do livro ‘A Imprensa Informativa’, é a técnica de obter matérias de interesse jornalístico por meio de perguntas e respostas. Os dados obtidos podem ser usados em um texto corrido, geralmente com uso de aspas, ou no chamado ‘pingue-pongue’ com perguntas e respostas. De qualquer forma, entre as normas está o distanciamento, postura crítica e confrontação das informações. Para a leitora Edna Bessa nada disso aconteceu nas Páginas Azuis dos dias 17 e 24 de maio nas matérias com o jornalista Alan Neto e com o Homem-livro, Evando dos Santos.

‘É uma falta de ética chamar o entrevistado de você. Tem que ser senhor, por mais amigo que o jornalista seja dele’ explicou Edna. Para a leitora, o fato acaba descredenciando a matéria. ‘Para que esta intimidade?’ questiona. De fato, as duas matérias exageram na informalidade como, por exemplo, nas perguntas: ‘Ô, Alan, essa tal de Umarizeiras das Lages existe mesmo?’ ou ‘Você não frequentou escola no Rio?’. Pois bem, há casos e casos. Obviamente não fica bem usar o ‘senhor’ para jogador ou artistas. Ninguém vai chamar Sr. Kaká ou Sr. Caetano Veloso. O distanciamento garante, acima de tudo, a liberdade nas perguntas. O jornalista precisa ter consciência que é um intermediário entre o leitor e o entrevistado.

Ainda a cidade das maravilhas

Em respeito ao direito de resposta, o jornalista Demétrio Andrade, coordenador de Jornalismo da Prefeitura da Fortaleza, esclarece que na matéria ‘Luizianne na cidade das maravilhas’ (12 de maio), que se referia aos projetos da gestão municipal, os dados referentes aos investimentos nos últimos cinco anos estão errados. Segundo ele o total é de R$ 813,4 milhões e não R$ 750 milhões como foi publicado. Na realidade a soma dos investimentos & de acordo com dados enviados por ele – chega a exatos R$ 813.746.728,02. Cerca de R$ 60 milhões a mais do que está na matéria.

O editor executivo do Núcleo de conjuntura, Guálter George, nega o erro e disse que os números foram obtidos junto ao site da Secretaria de Finanças do Município. Segundo ele, o jornalista Demétrio Andrade foi procurado ‘mas encaminhou para uma outra fonte, portanto, ele não nos apresentou previamente qualquer informação contrária’ contestou. Foi indicada a secretária do Centro, Luiza Perdigão. ‘Questionada pelo O POVO sobre eventuais erros, ela disse que não havia’ encerra Guálter. A matéria não discrimina os dados ano a ano, nem como se chegou a R$ 750 milhões. O site da secretaria é www.sefin.fortaleza.ce.gov.br.

Cadê o jornalismo investigativo?

Passados mais de 30 dias, a imprensa cearense ainda está devendo à sociedade mostrar um bom retrato da situação que envolve a morte do ambientalista José Maria Filho, 44, assassinado com 19 tiros dia 21 de maio, em Limoeiro do Norte. Foram registrados os protestos das entidades envolvidas na questão do meio ambiente e parte do trabalho do agricultor, mas nada dos interesses que estão em torno da pulverização no Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi. Nem mesmo o que a Polícia & com dois delegados – tem feito. Coincidentemente, lei que proibia usa de tal técnica foi derrubada na sexta-feira (21), um mês após a execução. O POVO fez editorial, publicou cartas e tem feito cobertura factual. Porém, ainda está devendo no quesito jornalismo investigativo.

Investimentos aprovados

O POVO encerra a semana com dois bons cadernos especiais, investimentos que mostram a preocupação com o leitor: a abertura da trilogia ‘Inquisição – nos rastros dos amaldiçoados’, elaborada pelo Núcleo de Coberturas Especiais e o Guia da Copa África do Sul 2010, da editoria Gol! Para produzir a trilogia, dois repórteres foram enviados a Portugal onde descobriram documentos que mostram a saga de pessoas que moravam no Ceará e foram julgadas pelo tribunal da Inquisição. A história será contada ainda em mais duas partes em junho e julho. Já o Guia da Copa foi recebido com entusiasmo pelos leitores. ‘Está tudo muito bonito. A tabela dos jogos é ótima’ afirmou, empolgada, a leitora Edneide Araújo.’

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