Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Tiago Dória

01/06/2010 na edição 592

MÍDIA

Tiago Dória

Ideias de #henryjenkinsbr e #sijol

‘Na sexta-feira e no sábado, estive em dois eventos importantes sobre mídia no Brasil. Primeiro, na palestra de Henry Jenkins, autor do livro Cultura da Convergência, realizada no Projac, no Rio de Janeiro.

Algumas ideias que circularam na apresentação e no debate após a palestra:

* A melhor forma de minimizar os trolls é fortalecendo e dando armas para os seus fãs. Não existem melhores defensores do seu trabalho do que a sua base fiel. Aliás, se você não tem ou não conseguiu identificar a sua base de fãs, é melhor rever o que tem feito até agora.

* Antes, as crianças brincavam com bonecos e armas de brinquedo. Hoje elas brincam de ‘fazer mídia’. Por exemplo, criar mashups e redublagens, que logo são publicadas no YouTube.

* Transmídia é um conceito mais antigo do que imaginamos. A história de Cristo é transmídia, a conhecemos por meio de vitrais de igrejas, por exemplo.

* Seja ela legal ou ilegal, toda a mídia produzida por nós estará disponível em diversas plataformas.

Depois, no sábado, estive no Seminário Internacional de Jornalismo Online, organizado pelo Knight Center, que aconteceu na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo.

* Não são os celulares que são móveis, mas sim as pessoas. As pessoas sempre foram móveis. Portanto, devemos fazer produtos pensando nas pessoas e não em aparelhos.

* Previsões sobre o uso do celular sempre são furadas. O uso do celular cresce bem mais rápido do que o previsto.

* Uma das vantagens do digital é a perenidade do conteúdo. Praticamente, tudo fica para sempre disponível.

* Sistemas automatizados como Google mudam os critérios de relevância da informação.

* Ainda há um culto ao improviso e ao voluntarismo nas ‘redações digitais’, com isso há um desgaste muito grande entre as equipes. É necessário planejamento e busca da excelência.’

 

PESQUISA

Tiago Dória

Reputação digital preocupa cada vez mais as pessoas

‘Saiu um estudo da Pew Internet sobre ‘reputação digital’.

Em resumo simples e direto, a pesquisa mostra que, cada vez mais, as pessoas procuram, em redes sociais e sistemas de busca, informações e referências, sejam profissionais ou pessoais, sobre outras pessoas. O que, por outro lado, faz com que, crescentemente, as pessoas deem importância, se preocupem mais com a sua ‘reputação digital’, com o tipo e a quantidade de informação pessoal que elas mesmas disponibilizam ou são disponibilizadas nestes ambientes.

Outros pontos interessantes do estudo:

1) Ao contrário de um mito recorrente, jovens adultos (entre 18 e 29 anos) se preocupam sim com privacidade, com a quantidade e o tipo de informação pessoal que compartilham online. A preocupação é até maior que em faixas etárias mais avançadas.

Para se ter uma ideia, 71% dos entrevistados entre 18 e 29 anos modificaram as configurações de privacidade de seu perfis em redes sociais para limitar o que é compartilhado com os outros. O que faz sentido, pois nesta faixa etária existe uma percepção mais apurada de que é possível ser rotulado por informações pessoais expostas nesses ambientes.

2) Dos entrevistados, 69% já procuraram em sistemas de busca informações sobre outras pessoas. Quando esse tipo de pesquisa é feita, na maioria das vezes (69%), a intenção é encontrar alguma informação de contato – email, endereço ou telefone da pessoa. Somente em último caso (17%), segundo os entrevistados, o objetivo é encontrar alguma informação de cunho mais pessoal – com quem está namorando, se é casado, solteiro etc.

3) Apenas 8% dos entrevistados já pediram a retirada de um conteúdo pessoal publicado online por outra pessoa. Porém, desses 8%, 82% conseguiram a retirada do conteúdo do ar.’

 

Tiago Dória

Mídia, mas com agendas diferentes

‘Outra pesquisa que repercutiu nesta semana foi a do Pew Research Center. O estudo indica que as chamadas ‘mídias tradicionais’ e ‘sociais’ não compartilham a mesma agenda.

Apesar de tais rótulos não fazerem muito sentido na maioria das vezes, uma das principais conclusões é que os assuntos mais debatidos e compartilhados nas ‘mídias sociais’ são diferentes daqueles que são destacados pelas ‘mídias tradicionais’.

A meu ver, a essa altura do campeonato, não interessa tanto saber o quanto a agenda das duas é diferente, mas sim por qual motivo isso acontece.

Parte da resposta pode ser encontrada em um estudo anterior sobre compartilhamento de notícias. Segundo a pesquisa, na maioria das vezes, na web, a motivação para compartilhar uma notícia é para que a outra pessoa sinta a mesma emoção que você sentiu quando fez a leitura. Em suma, a preferência é repartir com os demais algo que seja inspirador.

No livro YouTube e a Revolução Digital, os autores Jean Burgess e Joshua Green já indicavam que, antes de tudo, as pessoas compartilham e publicam vídeos noticiosos no YouTube como uma forma de autoexpressão. Não é à toa que você encontra o mesmo vídeo várias vezes.

Logo, com motivações e critérios de relevância distintos, é natural que as agendas também tenham diferenças.’

 

TELEVISÃO

Tiago Dória

Final de Lost em números

‘M.A.S.H continua sendo a série de TV que, em seu capítulo final (exibido em 1983), teve mais audiência em todos os tempos – 105 milhões de espectadores.

O capítulo final de Lost rendeu 20.5 milhões de espectadores, segundo estimativas da emissora de TV ABC; 13 milhões, segundo o instituto Nielsen. Foram mais de 45 minutos de comerciais, de anunciantes que pagaram US$ 900 mil por 30 segundos, porém esse valor não tornou o capítulo final de Lost o mais lucrativo da história da TV.

É lógico que, ao olhar esses números, deve se levar em conta que, hoje em dia, vivemos em um outro mundo, a audiência está bem mais segmentada em diversas plataformas.

Várias lições podem ser tiradas de Lost. Foi uma das primeiras séries que realmente mostrou que um outro modelo de distribuição, menos restritivo, era possível. Capítulos completos e não apenas trechos eram disponibilizados no site da ABC, inclusive via streaming, e o iTunes, com o seu sistema de micropagamento, serviu de plataforma para distribuição da série.

Lost terminou na TV, mas continuará em diversas plataformas – DVDs, sites de p2p e milhares de blogs e comunidades online, que continuarão a discutir e a rever cada detalhe da série que ficou 6 temporadas no ar. É bem provável que a ABC ainda explore resquícios da série.

Atualização em 26/05 – O TorrentFreak divulgou números sobre downloads por torrent do final de Lost. Em menos de 24 horas, foi registrado quase 1 milhão de downloads. Até o final de semana, a expectativa é chegar a 5 milhões de downloads. Um recorde para Lost. Um capítulo da série tem 1,5 milhão downloads, em média, na primeira semana. A maioria dos downloads é feita por usuários fora dos EUA.’

 

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