Domingo, 09 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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TV paga para todos

15/02/2011 na edição 629

O Estado de S. Paulo, 13/2

Alline Dauroiz e Thaís Pinheiro

TV para todos

Há menu para todos os gostos, mas a segmentação perde espaço na TV paga, que se consagra como produto de massa, sendo consumida hoje por 32 milhões de brasileiros

Máxima do governo Lula, a frase ‘nunca antes na história deste País’ se encaixa perfeitamente não só nos números crescentes da TV paga no Brasil, mas também no aumento da participação da classe C num negócio antes restrito a camadas mais abastadas. Nova queridinha do mercado, que vê nesse nicho um potencial consumidor, a classe C é hoje metade da população brasileira e finalmente vem sendo paparicada pela TV por assinatura, que por isso tem repensado seu conteúdo, com canais dublados, reprises da TV aberta e pacotes de serviços para lá de atrativos.

Criado em maio do ano passado, o Canal Viva, da Globosat, é prova do afã em atrair esses novos clientes. Feito de reprises da Globo e focado em mulheres casadas e com filhos, com mais de 35 anos, de todas as classes, o canal caiu no gosto da classe C, que já representa 20% de sua audiência. E é sua faixa nobre, às 21 horas, que abarca os programas de maior sucesso, todos humorísticos: Sexo Frágil (com 55% de audiência da classe C), Comédia da Vida Privada (53%) e Sai de Baixo (50%).

Tratados como nova tendência, os números que constatam o consumo desse público na TV por assinatura ainda são divergentes. Segundo dados da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), se em 2008 a classe C representava 17% da base de assinantes (80% era A/B e 3%, D), em 2010 esse número passou para 21% (com 76% de A/B e 3% de classe D).

A presença da classe média na TV paga, porém, pode ser maior. De acordo com pergunta espontânea em pesquisa do Data Popular, instituto especializado no mercado popular brasileiro, a classe C – famílias com renda de 3 a 10 salários mínimos – já faz a maior fatia da TV por assinatura, abocanhando 43% do total (ante 24% da classe A, 26% da classe B e 7% da classe D).

Na participação de audiência dos canais segmentados, o número também é expressivo: em 2010, foram 25% da classe C, ante 15,8% em 2007, segundo dados do Ibope.

‘A chegada da classe C na TV paga é coisa pelo que lutávamos há tempos’, afirma o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg. ‘Mas ela não podia consumir por causa do preço; e não podíamos baratear, porque, além da alta carga tributária, não tínhamos escala (base de assinantes) suficiente.’

Salve a banda larga

Depois de ganhar mais poder de consumo, ali por 2005/2006, a classe C passou a olhar com mais desejo para a TV paga. Vem dessa época o lançamento da banda larga de alta velocidade no País e a chegada das operadoras de TV ao ramo de telefonia fixa.

‘Passamos então a oferecer combos com os três serviços: TV a cabo, banda larga e telefone, o que atraiu um público ávido por economia’, explica o diretor de Produtos e Serviços da Net, Márcio Carvalho.

Hoje, com renda mais estável, esse público ainda tem suas preferências pouco exploradas, mas já denuncia que, mais do que economia, persegue conteúdo e qualidade de imagem – entre o 1.º e o 3.º trimestre de 2010, houve crescimento de 47% nas vendas de televisão digital a esse público, segundo dados da Telefônica.

Dublados

Canais de filmes e séries dublados, como o TNT, sempre estiveram no topo do ranking da TV paga. Com a entrada massiva da classe C nesse mercado, outros aderiram à onda, como Telecine Pipoca e Fun, HBO 2, Space e Megapix. Dos que preferem a dublagem, 58% são da classe C; 26% D e E; e 16% A e B, segundo dados do Data Popular.

Esportes

A categoria ainda se destaca nas classes A e B. Porém, a classe C tem demonstrado interesse no assunto. No Sportv, por exemplo, canal que tem 76% de seu público classe A/B, de 2009 a 2010 houve um crescimento de 19% da classe C.

Educação

A nova classe média tem interesse em programas educativos. Os infantis entram nessa contagem, assim como documentários. Discovery Channel está entre os líderes de preferência em toda TV paga.

Jornalismo

Ainda não caiu totalmente no gosto da classe C, mas esse interesse tem aumentado. A Globo News, por exemplo, tem 15% de audiência desse nicho.

Combos

Grande incentivadora da entrada da classe C na TV paga, a venda de banda larga de alta velocidade, a partir de 2005, associada à telefonia fixa, a partir de 2006, permitiu que as operadoras formulassem combos mais econômicos e atrativos.

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