Terça-feira, 14 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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A cobertura do centro do poder

Por Alberto Dines em 01/06/2010 | comentários


Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Onde é que o avião perdeu o rumo e o Plano-Piloto perdeu o piloto? Em que
ponto da sua história, Brasília – cidade-monumento – abandonou a sua simbologia
republicana? Os anos de chumbo teriam sido os responsáveis pelo arquivamento do
maior feito dos anos dourados?


Os anos de chumbo acabaram há um quarto de século, a censura foi derrotada e
substituída pela transparência e esta transparência está servindo justamente
para exibir uma grosseira caricatura de modernidade.Neste segundo episódio da
série sobre os 50 anos da criação de Brasília vamos embarcar na máquina do tempo
para fazer o caminho inverso: como o futuro transformou-se em passado e a
promissora Novacap passou a ser uma réplica da arcaica Velhacap.O carismático JK
gostava de estar perto do povo, mas não quando precisava tomar decisões. A
distância entre as ruas e as esplanadas do poder não pode ser contornada, está
embutida no desenho de Brasília e produziu um efeito perverso: as instâncias
mais próximas, distritais e, teoricamente, as mais visíveis, tornaram-se as
menos acessíveis. E nas ocasiões em que a mobilização popular seria
indispensável, percebeu-se que a cidadania desaprendeu a se manifestar, a não
ser quando assistida.


A incrível sucessão de escândalos no cinquentenário da cidade ofuscou os
festejos e desvendou um elenco de questões políticas, jurídicas, urbanas e
institucionais até hoje intocadas. Os edifícios da capital flutuam em cima de
elegantes pilotis, mas dentro deles algo não flui como deveria. No vasto
planalto, em meio a tanto espaço, há um problema de comunicação.

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