Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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A imprensa brasileira se precipitou?

Por Claudio Bojunga em 16/04/2002 | comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Excepcionalmente eu estou substituindo o Alberto Dines – que vai estar de volta em breve – para coordenar nosso debate sobre a precipitação, ou não, da imprensa brasileira em relação à crise venezuelana.


Não se pode criticar jornais e revistas por acontecimentos inesperados e imprevisíveis, que revogam a notícia da véspera já devidamente comentada. E a crise venezuelana é candidata ao Guiness do golpe de Estado seguido do contragolpe mais rápido da história recente.


O Veríssimo na sua crônica de hoje lembra a história do amigo que diz que vai se divorciar e você diz: que bom, nunca fui com a cara dela e dias depois o casal se reconcilia. A impressão foi que a mídia brasileira em conjunto disse que não ia com a cara de Chávez, o que é perfeitamente compreensível e até aceitável. O problema foi que ela aparentemente reportou mal os fatos, induzindo seus leitores a acreditar que o povo venezuelano como um todo havia derrubado Chávez e aceito Carmona, que transgrediu a legalidade mais do que Chávez, ao fechar o Congresso, dissolver os Tribunais jogando as eleições para as calendas.


Confundiu-se, no caso, a voz do povo com a voz das classes média e alta, os empresários, a imprensa local e parte do Exército, deixando de lado os descamisados da periferia e do interior e boa parte das Forças Armadas que reverteram a situação.


Terá sido pela empolgação que o afastamento do populista Chávez despertou entre nós? Ou a falta de correspondentes especializados in loco? Em contraste com a OEA, o governo brasileiro e o argentino, assim como o Grupo do Rio, que condenaram imediatamente a aventura militar, a imprensa brasileira parece te-lo aplaudido e inocentado. Da mesma maneira que o FMI, que ofereceu logo ajuda a Carmona, em contraste com a má-vontade demonstrada com a Argentina.


E hoje soubemos pelo New York Times que os golpistas estiveram dias antes da quartelada em Washington, onde foram encorajados a tirar Chávez do poder. Era sabido que o governo Bush detestava esse personagem amigo de Fidel que queria interferir na estatal do petróleo grande fornecedora dos EUA. A novidade é o retorno de Washington aos métodos da Guerra Fria.


Volto a perguntar: faltou prudência e cuidado à mídia brasileira? Faltaram observadores acurados? Teríamos induzido o público a acreditar no sábado que não havia elementos para a reviravolta que acabou acontecendo no domingo? Com a palavra os nossos convidados, formadores de opinião de grandes jornais.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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