Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Violência e banalização

Por Alberto Dines em 26/04/2005 | comentários


Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Seqüestros e raptos são coisa antiga, fazem parte da história. A própria palavra sequestru vem do ancestral latim. Em 1961, anarquistas portugueses e espanhóis sequestraram o transatlântico Santa Maria. Nada exigiram para entregar-se, queriam apenas chamar a atenção do mundo para a ditadura salazarista. Este tipo de militância política não prosperou. Nos anos 70 generalizou-se o seqüestro de aviões de passageiros, alguns deles abortados pela ação de forças especiais.


Seqüestros hoje fazem parte do nosso cotidiano, é um crime classificado como hediondo e, mesmo assim, banalizado e multiplicado nos quatro cantos do mundo. O seqüestro é arma tanto de bandidos comuns como do banditismo político. Generalizou-se, é um fenômeno da vida moderna e em certas circunstâncias parece até aceito em função dos enfeites pseudo-políticos com que são envolvidos. A sociedade brasileira já foi traumatizada por seqüestros de celebridades e anônimos, inclusive bebês de colo, mas este tipo de crime ainda não está erradicado: em São Paulo levantamentos informais dão conta de nove seqüestros em curso. No Rio de Janeiro neste momento não há ninguém seqüestrado mas na Colômbia há seqüestros que já duram alguns anos atribuídos simultaneamente às FARC de esquerda, aos paramilitares de direita e ao narcotráfico aliado aos dois. No Iraque os seqüestros transformaram-se em arma de guerra, moeda de troca, fonte regular de financiamento de grupos radicais.


A verdade é que aos poucos estamos ficando imunizados, seqüestros já não causam tanto horror. Por isso o cineasta italiano Marco Belocchio resolveu lembrar e reviver o que foi o seqüestro e assassinato do ex-primeiro ministro italiano Aldo Moro que chocou o mundo em 1978. Bom dia, noite é a história do ‘julgamento’ e execução de Moro, radiografia da desumanidade e do delírio político. O filme já está em cartaz no Brasil. Com as mesmas preocupações de Marco Belocchio, este Observatório retorna a um passado tão recente para evitar que o noticiário sobre seqüestros seja definitivamente incorporado à normalidade do nosso tempo.


Assista ao compacto desse programa em:
www.tvebrasil.com.br/observatorio/videos.htm

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