Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Luiz Antonio Mello

20/12/1996 na edição 12

"(….) O que Elvis sabia fazer era cantar, rebolar e conquistar garotas no cinema. Só. Nunca deixou de confessar sua ignorância sobre outros assuntos, mas a nova inquisição quis saber por que ele se fardou e foi para a guerra, por que não apoiou a deserção em massa da Guerra do Vietnã, por que isso, por que aquilo. Foi triturado (….)." 

"Sim, é sabido que Michael Jackson é hipocondríaco, sofre de síndrome do pânico, tem vitiligo, não gosta de sexo, tem fobia de multidão, costuma sofrer de quedas de potássio, padece de depressão ansiosa e ansiedade depressiva. Mas, ao mesmo tempo, é um grande astro, um talento inquestionável que agora, em vez de se preocupar com um novo disco, uma nova música, vai ter de provar à humanidade que fez papai-e-mamãe com a enfermeira." 

"Isso tudo para lembrar que, no meio de tanta confusão, fica difícil ouvir um CD inteiro de MJ movido pela imparcialidade. Você termina a primeira faixa e a TV diz que ele gatunou um garoto, ouve a segunda e fica sabendo que ele andou dizendo que detesta cheiro de pobre, na terceira ninguém chega. Só o fã. Mas o fã também tem seus limites. Elvis foi a maior prova disso. Morreu praticamente só, obeso, em Graceland. Como Janis Joplin, que, impedida de entrar em sua cidade natal (era persona non grata), também morreu só." 

("Michael Jackson é exemplo de refém da calúnia no século 20", O Estado de S.Paulo, 6/12/96.) 
***

 

Tons sobre Tom 

Os autores de Tons sobre Tom 
"Uma banalidade sensacionalista da imprensa, uma brincadeira de mau gosto, uma palavra dura o levavam ao desespero." (Pág. 52.) 

Tom Jobim 
"Porque os jornais, por exemplo, sempre falaram mal de mim, inventaram um monte de coisas." (….) "Quando a Mangueira me escolheu como tema do seu carnaval, os jornais disseram que a Aninha [Ana Lontra Jobim, segunda mulher de Tom] convidou até o ginecologista para o desfile da escola de samba. Estava escrito na coluna social. Baixaria, não é? Nunca respondi a essas críticas. Nunca fiz nada enérgico. Depois disseram que eu briguei com a Mangueira. Imagine! Fiz um samba para a escola em agradecimento. Fiz shows de graça! (….) É uma gentinha perversa que ainda não chegou à literatura nem à poesia. Odeiam todos os artistas, mas não podem viver sem vê-los na TV. Sempre achei que reclamar seria pior. Imagine os absurdos que iriam escrever!" (Págs. 52/3.) 

João Francisco Jobim [filho do segundo casamento] 
"Ele ficava muito magoado com o que lia nos jornais. Ele tinha amor total por isso aqui [o Brasil], mas não achava que esse amor era assim recíproco. Os jornais falavam mal dele." (Pág. 54.) 

Chico Buarque de Hollanda 
"Ele ficava magoado com as críticas. Era normal. O isolamento em que ficamos com Sabiá (1) o deixou apavorado. Ficamos acuados. Ele era uma pessoa consagrada lá fora. Chegava ao Brasil e prestava depoimento no DOPS [polícia política]. Foi encostado na parede em 1971, por um funcionário da Rede Globo, por se recusar a participar de festival, em protesto contra a censura. Nós éramos mais jovens, mas essa coisa para ele era muito cruel." (Pág. 54.) 

Tom Jobim 
"Paulo Francis escreveu n'O Globo que o Samba de uma nota só foi tirado da introdução do Night and Day. Isso é interessante, pois o Cole Porter sofreu uma perseguição danada com Night and Day. Naquele tempo diziam, inclusive saiu na imprensa, que ele tinha roubado o Night and Day da Sonata ao Luar, de Beethoven. Eu não acho que se pareça assim, como eles falaram. Talvez no subconsciente do Cole Porter tenha entrado essa coisa na infância. Se eu fosse roubar alguma coisa do Cole Porter – como dizia Stravinsky, 'só se pode roubar a quem se ama' – eu roubaria a canção. Não roubaria a introdução." (Pág. 114.) 

(Do livro Tons sobre Tom, de Márcia Cezimbra, Tessy Callado e Tárik de Souza, Rio de Janeiro, Revan, 1995.)  

(1) Composta por Tom e Chico, vencedora do III Festival Internacional da Canção do Rio, em 1968. A decisão do júri foi vaiada pelo público, que, para antagonizar a ditadura militar, preferiu Caminhando, de Geraldo Vandré. O episódio tornou-se emblemático de um fenômeno que seria classificado, muitos anos depois, como típica ação de "patrulhas ideológicas". 

***

 

Napoleão Mendes de Almeida 
"A verdade perdura: o português encontra-se oficialmente desagregado do ensino. No Brasil, gramática não se concilia com letras nem com jornalismo. Causa hoje estranheza a muitos jornalistas prestar um leitor atenção ao português das notícias."
(Dicionário de questões vernáculas, São Paulo, Livraria Ciência e Tecnologia, 1994, 2ª edição, verbete conciliar.) 

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