Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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O Quarto Poder no Divã

20/12/1996 na edição 12

Sou estudante de Jornalismo e estou no último período. Estou preocupadíssima com o meu futuro profissional. Além do desemprego e dos baixos salários, estou me deparando com algo pior ainda: o preconceito da sociedade contra nossa profissão. 
Acho extremamente importante que os grandes jornais façam essa autocrítica publicamente. Quem sabe isso venha a repercutir positivamente e ajude a derrubar essa imagem de deturpador e sensacionalista que grudou no jornalista… ou melhor, que os jornalistas grudaram em si! 
Tatiana Learth 
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Entidade de classe
A título de esclarecimento, informo que a pesquisa citada no artigo assinado por vocês (O Quarto Poder no Divã – Observatório da Imprensa 5/12/96) e apresentada no seminário O Papel do Jornal III (ANJ e Fenaj) foi feita por encomenda do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. O objetivo da mesma foi o de traçar um perfil sócio-economico dos coleguinhas e também desvendar qual a relação dos jornalistas com sua entidade de classe (anseios, frustrações etc). Trata-se de um subsídio importante para direcionar o trabalho da diretoria e preparar o Sindicato para o futuro. 
A pedido da Fenaj, a pesquisa foi apresentada no seminário. O levantamento não aborda questões mais específicas da profissão em razão de ter sido desenvolvida com outro objetivo. 
Um abraço. 
Everaldo Gouveia – Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissinais no Estado de SP

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Patrulha étnica
Como estudante de jornalismo, admiro bastante o seu trabalho, a sua postura, mas acho que o senhor não foi claro no artigo. 
Patrulha étnica?? Ou falta de patrulha étnica????? 
Seu artigo foi um tanto ou quanto dúbio… 
Tatiana Learth 

Nota da Redação:Prezada Tatiana Learth, 
Obrigado por sua corrrespondência. 
Em resposta à sua pergunta: não há nenhuma dubiedade. Patrulha étnica, sim. Pio Guerra chamou a Benê de feia. Apenas. Aliás, o cara tem péssimo gosto: a Madonna é um bagulho. A questão é de gosto e não de preconceito racial. 
Os chargistas de São Paulo não tiveram coragem de caricaturar o Pitta como o fizeram com Serra, receosos de serem considerados politicamente incorretos. 
Isso também é preconceito. 
(A.D. )

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Decepadores 
Que bom ter lido algo com o mínimo de crítica! Tudo parecia igual ao presidente do Equador recebendo como heroína nacional a decepadora de pênis (não que o John devesse ser condecorado…) 
Parece que existem mais representantes da barbárie do que da civilização! Espero poder continuar lendo críticas iguais às que li hoje. E mais: espero que elas surtam efeito nos mecanismos de mídia, pois dar sangue a vampiros não é exatamente humano nem produtor de futuro à humanidade. 
Oswaldo M. Rodrigues Jr., psicólogo

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Estação Virtual 
Estou nesse momento visitando o Observatório. Está ainda melhor que da última vez em que o vi. Estamos publicando uma nota no Estação Virtual, com link para oOBSERVATÓRIO. Vá até a Estação Virtual e clique no ícone do aviãozinho. 
David F. Mendes, editor de Tabu 2.0

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Fora de foco 
Quando uma fotografia se faz necessária para ilustrar uma matéria e o profissional da câmera não trouxe algo satisfatório, ainda há o recurso do computador. Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, sendo os truques gráficos facilmente manipulados por qualquer adolescente ligado a cibernética. Claro que a cultura brasileira (dos pais) ainda não dá a chance de seus guris e gurias exercitarem esse artifício da modernidade (da década passada, para países de hábitos menos agrários), criando uma lacuna nas redações, que não mantêm experts nas letras, que, ao mesmo tempo, sejam pelo menos medianos nos chips. Aqui nos EUA, com a multifacetada forma que qualquer profissão tomou (quando se deve ter a capacidade de nadar no maior número de águas que se consiga para ser empregado numa função que, no passado, e em certas redações verde-amarelas, só requeria domínio da língua e do poder de sinopse dos fatos, a realidade é outra). Eu, que sou analfabeto em tecnicices e números, consigo coordenar programas que já vem adaptados para o manuseio de leigos. Mas o que falta, em nossa mentalidade, também é a criatividade na solução dos problemas. 
O desrespeito arraigado que temos quanto ao produto que oferecemos, permite que nossos colegas de profissão simplesmente enfiem qualquer coisa que tenham à disposição, pois o público que consome o produto informação não é tão exigente na área visual (isso é o que eles ainda acreditam, esquecendo-se que a juventude é completamente voltada para a ilustração). 
Fabiano Golgo.

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Parabéns 
Li o OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA número 7 e não posso deixar de expressar o meu apoio pelo tipo de iniciativa, PARABÉNS!!! 
Nelson Armando Couteiro

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Dossiê Rádio 
Concordo com a análise sobre o papel das rádios AM. As rádios AM, em sua maioria, só fazem por propagar preconceitos e idéias feitas. Como nosso País tem um nível cultural extremamente baixo, o papel do rádio poderia ser extremamente importante para ajudar as massas de brasileiros a integrarem-se à cidadania. Mas não creio que isso venha a ocorrer, pois essas emissoras são, em sua maioria, de políticos sem qualquer caráter; homens – se é que se lhes pode chamar assim – que só buscam seus interesses, e que, portanto, precisam da ignorância da nossa população. Veja, por exemplo, o Edvaldo, dono da FMU e sogro da filha do Maluf. É possível ter um rádio isento? 
Sueli Loschiavo da Silva- SP- Capital

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Paulo Francis X Petrobrás 
Paulo Francis está sendo processado pela Petrobrás nos Estados Unidos (sic) em 100 milhões de dólares (!!!). A imprensa defenderá Paulo Francis? Ou irá defender um de seus grandes anunciantes? 
Luís Carlos Silva Eiras


Nota da Redação: Se algum jornal defender a Petrobrás no caso contra Paulo Francis não significa que esteja vendido às verbas publicicitárias. O jornalista pode estar enganado e não será a primeira vez 
Os Observadores

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Rio 2004 
Além do bairrismo e do paroquialismo, não haveria um claro interesse comercial das empresas de comunicação do Rio de Janeiro com a realização das Olimpíadas nessa cidade? 
Victor Emmanuel Carlson – jornalista
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Bairrismo Olímpico
Como a turma aqui de São Paulo é bairrista, ainda não sacou que ou a Olimpíada é no Rio ou não será no Brasil….. 
Mozon Jr. 
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Xenofobia morena
É realmente uma grande prova da coragem e da acuidade do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA tocar num assunto tão explosivo e politicamente incorreto quanto o bairrismo entre cariocas e paulistas. Essa briguinha ridícula já começa quando se diz "cariocas e paulistas", expressão que instiga a competição entre todo um Estado (os nascidos na capital da São Paulo, como se sabe, são paulistanos) contra um município (os naturais do estado do Rio, claro, são fluminenses). Com tantas décadas e cada vez patética e histérica, ela mostrou sua face com a candidatura do Rio, muito bem observada por você. Artigos da imprensa carioca ficaram no ufanismo que esconde o desespero que veste de "última chance" todo projeto que injete algum investimento no Rio. 
Mas, sem dúvida, o troféu vai para a imprensa paulista, com destaque especial à colunista da Folha Barbara Gancia. Seu artigo sobre a Rio 2004, mesmo deixando de lado qualquer crítica à qualidade da produção do texto, é sectário, preconceituoso e escancaradamente desprovido de argumentos defensáveis, um marco triste da história dessa xenofobia morena que esconde um preconceito desdenhoso por parte dos cariocas. É reconfortante saber que alguém na imprensa tem peito para meter o dedo nesse ferida brasileira. 
Abraços, 
Alexandre Borges (Carioca de nascimento, morador de São Paulo, capital)

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Meu Comentário 
Achei muito interessante o home page de vocês e pretendo lê-la habitualmente. 
Comentando o editorial, na qualidade de consumidor, o que mais me aborrece são os jornais tendenciosos que, de alguma forma, entram na notícia e induzem o leitor ou o espectador à versão da forma que eles contam, cabendo ao leitor a obrigação de diferenciar alhos de bugalhos. Isso quando contam, porque, em vários jornais, determinados fatos ou são omitidos ou são mostrados sem a devida importância que merecem. 
Na Bahia, temos o jornal A Tarde que não traz notícias com profundidade e é tendencioso; no Rio, o mesmo ocorre com O Globo. Aliás, a diferença clássica fica para o Jornal Nacional e a imparcialidade do Jornal do SBT, apresentado por Boris Casoy. A Globo elogia demais, enaltece determinados fatos ou pessoas e omite claramente notícias quando o assunto desagrada a alguns grupos. Esse também é um mau jornalismo. 
Abraços 
Luciano Pizzani 
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Leitor recuperado
Foi com imensa surpresa que me deparei com esta revista!!! Ainda há esperanças pra imprensa brasileira!!! 
Enojado com o adesismo desavergonhado da imprensa brasileira ao sistema, ao neo-liberalismo e a todo tipo de bandalha que se faz com o bem público, eu já estava decidido a não ler mais nada do que se escreve em português. Por acidente e pelo título, acabei me decidindo a ir um pouco além… Vocês não podem imaginar a satisfação que ler esta revista me deu! Alguém ainda tem decência na imprensa brasileira!!! 
Mas não se deixem levar pelos elogios! E não deixem a canalha em paz!!! 
Um grande abraço 
Eduardo Carvalho Research Assistant Dept of Mechanical Engineering Texas A&M University College Station – TX, 77843-3123 USA 

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Rádio e esculhambação
Gostaria de saber da publicação como tem andado o relacionamento entre as Empresas de Comunicação e os profissionais responsáveis pelo conteúdo crítico, já que é cada vez mais explícita a controvérsia entre a ética para o mercado consumidor e a ética do profissional de comunicação. Sugiro que, dentro do possível, o OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA tornasse público algumas responsabilidades que vêm esculhambando de vez com a programação em rádios, revistas, jornais e emissoras mais populares. Pelo menos que sejam vinculados às críticas dos temas em discussão a opinião daqueles que, direta ou indiretamente, têm participado e incentivado essa esculhambação. O que dizem aqueles que estão no fogo cruzado das ideologias. Tenho uma enorme curiosidade de saber, por exemplo, de quem foi a idéia de fazer de uma deficiência física motivo para uma sádica masturbação dominical (provavelmente algum novo animal que o Ibama ainda não descobriu). O que será que 'seu' Roberto Marinho como jornalista diria a respeito? Vocês podem me fazer uma gentileza: a de, caso não consigam nenhuma resposta, enviar-me o e-mail desse cidadão? 
Parabéns pelo espaço cedido e obrigado pela oportunidade. 
Pablo Fonseca

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Sistema Doutor Palhares 
Melhor do que apenas se divertir com essa solitária vitória do "Dr. Palhares, do Gabinete" (o publicitário carioca Hélio Kaltman e sua aposentadoria) é propor um sistema informatizado (que poderá levar seu nome) capaz de medir a quantas anda a nossa burocracia. Mas, primeiro, nada de ingenuidade. Quando se instala um sistema informatizado numa área pública, logo se divulga (e a imprensa sempre embarca) que agora, ali, a "burocracia acabou". Ora, é preciso supor sempre que qualquer organização é essencialmente burocrática. 
A partir dessa constatação é que se deve implantar um "Sistema Doutor Palhares". Nada mais simples em termos de concepção: a) listar todos os serviços que o Estado (municipal, estadual ou federal) presta ao cidadão; b) medir o tempo que esse cidadão, contribuinte e usuário, está tendo de esperar pelo serviço; c) listar quais as tramitações internas e externas por onde passam os papéis, análises, carimbos, protocolos e assinaturas; d) e medir o custo de cada processo, tanto para o Estado quanto para o contribuinte. Como modelo, pode-se utilizar o livro "Economia Subterrânea", de Hernando de Soto (Editora Globo, 1986). Soto fez isso no Peru. Por exemplo, descobriu que, para formalizar uma indústria, eram necessários 289 dias por 11 repartições públicas. Para legalizar uma habitação, eram necessários 83 meses (!). E para legalizar um terreno baldio, o processo passava por 207 lugares, muito deles por várias vezes. 
Um sistema assim é fácil de se fazer, se bem que seu êxito não dependerá da informática, mas da vontade de colocá-lo em prática. Existem muitos órgãos do Governo que, juntos ou separados, poderão implantá-lo. Existem, ainda, empresas e outras organizações igualmente capazes. A imprensa poderá prestar aí um serviço inestimável para o povo e para o País: publicar periodicamente a lista citada acima em "a)" com comentários sobre as alterações ocorridas. 
O Sistema Doutor Palhares não pode ser acusado de modéstia – deve ser um grande O&M que irá melhorar todas as relações do cidadão com o Estado. Quanto aos ganhos, serão imediatos. Antes mesmo de qualquer medida de racionalização, sabemos tanto pela mecânica quântica quanto pela etologia, ou quanto pelos programas de qualidade, que basta medir o comportamento de qualquer fenômeno para que ele mude. 
Luís Carlos Silva Eiras, Belo Horizonte 
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Enriquecimento e autocrítica
Alberto Dines é uma das mais importantes personagens de nossa imprensa. 
Leio5-o com atenção desde os tempos do JB ! 
Sua participação no site do UOL enriquece a todos obrigados diariamente a autocrítica. 
Alexandre Daunt

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Voilà 
Não me conformo por ter descoberto somente hoje o OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Fantástico, imperdível, o Jornal dos Jornais deste final de século, de computadores e Internet. Estou imprimindo artigos e colocando no mural da redação do Departamento de Comunicação da Prefeitura de Santos (que tenho a honra de chefiar; o Departamento, não a Prefeitura!). São debates e temas que têm despertado nossa preocupação e que servem como bússola para toda uma geração de jovens jornalistas (na verdade, até para a nossa). Parabéns. 
Valeu a pena o Dines voltar de Portugal e ter abandonado a aventura do DCI. 
Sérgio Moita, jornalista, Santos – SP

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Quem ama não drama 
A mídia sofre de overdose de mídia. Por ser recorrente e massificante, perdeu o senso do paladar simples. O mesmo mal de qualquer viciado que necessita aumentar cada vez mais a substância para atingir algum efeito. Ou o gourmet que só "reage" aos temperos fortes pelo entorpecimento do paladar básico. A que chamam "refinamento". Perdemos a noção clara de um argumento estruturado apenas em si, pelo que representa no contexto ou como se projeta no futuro. O "algo mais" dramatizado faz da emoção um pastiche, uma caricatura de opinião velada, um arremedo editorial. 
Despejar informação qualquer máquina faz. Liquidificá-las num projetinho editorial bonitinho também. Agora, processá-las em massa crítica já é tarefa para a formação. E a pedra angular, ou o "diferencial de mercado" que os marketeiros tanto desejam, está na opinião e no comprometimento entre quem edita e quem Lê-Vê. A grande matéria-prima do jornal deveria estar na matéria cinzenta. Sem ela não há recurso tecnológico, suporte operacional de vendas ou estratégia administrativa otimizada que dê jeito. Eis, querido Dines, o drama indramatizável que você muito bem colocou. 
Aliás, 
– QUEM AMA NÃO DRAMA! 
Longa vida ao OBSERVATÓRIO! 
TT Catalão – Correio Braziliense

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