Sexta-feira, 03 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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A cobertura do resgate de Jessica Lynch

Por lgarcia em 30/04/2003 na edição 222

THE WASHINGTON POST

Em 3 de abril, um dia após o resgate da soldado americana Jessica Lynch de um hospital iraquiano, o Washington Post publicou matéria de primeira página intitulada "?Ela estava lutando até a morte?; detalhes da captura e resgate da soldado de [estado de] Virginia". Escrita pelos repórteres Susan Schmidt e Vernon Loeb (sediados em Washington), a reportagem citava fontes ? sem identificá-las ? afirmando que Lynch lutou arduamente e levou vários tiros enquanto via os colegas morrerem numa emboscada. "Ela não queria ser capturada viva", teria dito a fonte, acrescentando que a prisioneira de guerra foi esfaqueada por iraquianos.

O quarto parágrafo da matéria alertava que a seqüência dos eventos não foi estabelecida pelo governo, já que Lynch ainda não pôde ser interrogada; o Pentágono teria ouvido "rumores" de seus atos heróicos, não confirmados. Mas horas depois da publicação da matéria, conta Michael Getler [20/4/03], o coronel David Rubenstein ? comandante do hospital militar onde Lynch está internada ? declarou que não havia evidências médicas de que os ferimentos tenham sido causados por balas ou objetos cortantes.

Nesse momento o ombudsman do jornal começou a receber reclamações. Um leitor escreveu dizendo não duvidar da gravidade da situação de Lynch, mas o uso de fontes anônimas criou "uma história sensacionalista cheia de furos". Outro disse desconfiar dessa "maneira hollywoodiana de contar histórias". Getler concorda que o título e o lead da matéria deveriam ser mais cautelosos.

O ombudsman afirma que os dois autores da matéria são repórteres experientes e não há razão para duvidar que tenham escrito o que lhes foi passado por uma fonte em que confiam. Schmidt e Loeb alegam estarem certos de que o que descreveram foi incluído em relatórios internos dos serviços de inteligência; o silêncio oficial teria a ver com a investigação de possíveis crimes de guerra. Mas o assunto em questão não é Jessica Lynch, lembra Getler, e sim a cobertura da história ? "uma nota de rodapé no conflito". Resta esperar que alguém possa esclarecer o episódio, "se não por razões históricas, por razões jornalísticas".

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