Sexta-feira, 03 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Fernanda Dannemann

Por lgarcia em 30/04/2003 na edição 222

PERFIL/JORGE LOREDO

"Humor não é escracho?", copyright Folha de S. Paulo, 27/04/03

"Aos 78 anos de idade e 50 de carreira, Jorge Loredo, o Zé Bonitinho, hoje fazendo ponto em ?A Praça É Nossa? (SBT), ganhou um sopro de modernidade. Tudo começou há três anos, quando foi aclamado pela juventude numa festa da MTV. Agora, foi convidado pela fã Andréa Beltrão para atuar na peça infantil ?Eu e Meu Guarda-Chuva?, que chega a São Paulo em julho, e é tema do documentário ?Câmera Close?, de Suzanna Lira.

Como é fazer teatro infantil?

É a primeira vez que faço -sou um DJ e um barbeiro- e o convite foi uma surpresa. Quando o Branco [Melo, do Titãs, autor da trilha da peça? me ligou, achei que fosse trote. Fiquei receoso, mas eles me deram total apoio e está sendo muito gratificante. Quando vi meu retrato num quadro na casa da Andréa [Beltrão], foi como um soco no estômago.

Você também é tema de documentário…

Pensei que a Suzanna [Lira, diretora] estivesse brincando comigo, tanto é que não dei retorno, e foi ela quem insistiu.

Conte uma história que estará no filme.

Eu ainda não trabalhava como ator e fui parar num sanatório do Rio por conta de uma fraqueza pulmonar. Lá, tinha uma rádio desativada, que pegava num raio de dez quilômetros. Botei a estação no ar. Tuberculose era doença maldita, e aqueles doentes, abandonados e deprimidos, começaram a fazer novelas ali.

Você já ficou sem trabalho?

O preconceito que não sofro hoje, pela idade, sofri na juventude, por causa de uma doença nos ossos. E de 1965 a 1969, depois que a TV Excelsior foi fechada pelo governo militar, nós, que trabalhávamos lá, ficamos marginalizados.

Você tem saudades dessa época?

Tenho, mas não digo que ?no meu tempo era melhor…?. Na TV, a gente trabalhava com orquestra completa, o auditório pagava ingresso. Não era uma claque obrigada a rir ou a bater palmas.

Como surgiu o Zé Bonitinho?

Imitando um colega de adolescência, o Jarbas, conhecido como ?o perigote das mulheres?. Ele dizia que todas já tinham ?participado?, entende? Ficava se olhando nos espelhos dos bares, dizendo ?alô garota…? e cantando ?Strangers in the Night?. Se gabava de ?faturar? todas. Tudo mentira.

Muitas mulheres já se apaixonaram por você por causa do Zé?

Pelo Zé Bonitinho devem ter se apaixonado, porque você sabe que tem mulher pra tudo, né? Uma vez, uma fã quis ir ao motel comigo, vestido de Zé Bonitinho. Educadamente, eu disse a ela que tinha um compromisso.

E o mendigo aristocrata?

No fim dos anos 50, a TV Rio tinha o programa ?Rio Cinco Para as Cinco?, durante a tarde, igual ao que temos hoje aí, culinária, musicais… a direção achou que faltava humor. Minha mãe me aconselhou a imitar um mendigo elegante que, na minha infância, ia à nossa casa quando dávamos almoço aos pobres. Ele exigia mesa montada na garagem e toalha de renda. O personagem estourou; o [ex-presidente Juscelino? Kubistcheck [1902-1976] até foi meu padrinho de casamento por causa dele. Eu terminava dizendo ?agora vou encontrar com aquele menino, o Juscelino…?.

Qual foi o presente de casamento dele?

Não me lembro.

Com três casamentos, até que você não fica atrás do Zé Bonitinho.

Sempre digo: eu assusto.

Por que você não faz mais o mendigo?

Chegou um momento em que não podíamos falar de política. O mendigo se diz amigo de todo mundo… hoje, diria que mandou prender o Saddam e que iria internar o Bush.

Mas já é possível falar de política…

É, o momento é bom. Não tenho feito por falta de oportunidade.

A quê você atribui a longevidade do Zé Bonitinho, que já passou dos 40?

Fui pensar nisso quando me chamaram para apresentar uma festa da MTV, em 2000. Fiquei preocupado. O quê que eu ia fazer lá? Mas me colocaram num camarim imenso e, de repente, entrou aquela garotada toda. Então descobri que eu era o ídolo dos VJs, dos produtores e que era um personagem de desenho animado, com o pente grande, os óculos, as cores da roupa… Fui ao programa do João Gordo, e ele me olhava como se eu fosse um garoto. Antes, pensava que meu público eram os homens que gostam de esnobar mulher.

E isso mudou alguma coisa na sua vida?

Fiquei mais cuidadoso, para não ofender as crianças. A TV hoje em dia está muito ?tchoc?, agressiva. Aboli a piteira do Zé Bonitinho pra não dar mau exemplo. Vi a importância da TV quando uma senhora me pediu, na rua, para não dar o exemplo aos netos dela, que me imitavam fumando.

E a sua longevidade como ator?

Respeito meu ofício e creio que personagens humanos atravessam décadas.

Você é reconhecido na rua?

Sou, não sei como! Outro dia, um senhor, de cabeça branca, disse que é meu fã desde pequenininho.

O ator idoso é discriminado?

Em geral, é. Acho que não acontece comigo porque me transformo, uso maquiagem e peruca, e minha idade é disfarçada. O público não discrimina. O meio é que discrimina.

O que você acha de fazer TV hoje?

A TV deveria ser simplesmente educativa, porque muda o contexto das coisas, pode enfurecer a multidão. No tempo do Hitler, o rádio mudou a Alemanha. A TV está colocando um contexto errado, muito subliminar na mente do povo. É por isso que estamos nessa, e vai piorar.

O que acha dos humorísticos?

O humor pode mudar a consciência política de um povo. Humor não é esculacho, não é escracho como o que se faz hoje. Veja que não há humor nos países ditatoriais. O [ex-presidente] Getúlio Vargas [1883-1954], ditador, assistia ao teatro de revista porque, através das críticas, ele sabia das reclamações do povo. Ele permitia aquela liberdade no teatro, mas no rádio não, que tem alcance amplo. Sigo a linha clássica: não falo xixi nem bunda; falo pipi e bumbum.

Você é formado em direito. Advoga?

Me formei em direito em 1957 e sempre trabalhei, temendo o desemprego como artista. Minha especialidade é previdência social e direito do trabalho. Praticamente todo o pessoal antigo da Globo fui eu que aposentei.

Vida conturbada: direito, TV, três casamentos…

O difícil, mesmo, foram as mulheres.

Você ganhou muito dinheiro?

Não, e tudo o que ganhei ficou com as ex-mulheres.

Ator é tema de documentário

Fãs de Zé Bonitinho desde a infância, o produtor musical Tito Lopes, 36, e a jornalista Susanna Lira, 32, tiveram a idéia de um documentário sobre Jorge Loredo quando estavam na platéia de ?Eu e Meu Guarda-Chuva?, no Rio, no final do ano passado. ?O Loredo foi ovacionado pelas crianças?, diz Susanna, à frente do projeto ?Câmera Close? -bordão do personagem conquistador-, que envolve um livro, um especial para TV e um curta-metragem, todos já em produção.

O documentário, de 52 minutos, será negociado com emissoras educativas ou canais pagos. Nele, além de depoimentos -como o de sua mãe, dona Luísa, 98, a maior incentivadora-, Loredo e sua galanteadora criação se intercalam contando suas histórias. No curta, o show será só de Zé Bonitinho.

?Imagens de arquivo de cinema e TV e recursos de computação gráfica também darão o tom, sem tirar a dramaticidade. Loredo é um ícone que desconhece sua condição. Vamos falar sobre a história da TV?, diz Susanna, que ainda capta recursos para finalizar seus projetos.

No livro, além do acervo sobre TV que Loredo acumulou nesses anos, também estará impressa sua série de contos eróticos. ?Estamos vendo possíveis editoras?, diz Suzanna."

 

"?Seu Jorge é um professor?", copyright Folha de S. Paulo, 27/04/03

"QUANDO eu era criança, via muito o Zé Bonitinho na televisão e adorava, achava genial, era louca por ele. Eu o perdi de vista na adolescência, até que, um dia, fui a uma exposição do [artista plástico] Maurício Arraes, sobre personagens da cultura popular, e me encantei com um quadro em que está o Zé Bonitinho fazendo charme para uma moça -que digo que sou eu. Esse quadro está comigo há 20 anos. Quando fui fazer a ?Ópera Rock?, com o Branco Melo, faltava um ator, uma pessoa que fosse surpreendente, maluca, estranha e genial, uma figura que tivesse muita força. Depois de várias reuniões aqui em casa, o Branco olhou o quadro, que fica numa parede grande da sala, e sugeriu convidar o Loredo. Aceitei na hora. Foi maravilhoso, e a peça virou uma homenagem: ele tem o topete do jeito que gosta, o casaco como pediu; nós perguntávamos a ele o quê ele queria, tudo era para agradar ao ?seu? Jorge. Ensaiamos por dois meses, às vezes até de madrugada, e ele estava sempre lá, no maior bom humor, com a maior classe, sentado no canto com seu cigarro e o cafezinho, elegantérrimo no blazer. É um barato ficar ao lado dele; a conversa é maravilhosa. Todo o elenco se apaixonou por ele, dos atores às camareiras. É uma pessoa maravilhosa e merece ser capa de revista um milhão de vezes. É uma graça trabalhar com alguém que te ensina. O seu Jorge é o máximo. Andréa Beltrão é atriz e produtora"

 

MULHERES APAIXONADAS

"Globo põe Gil em trilha de espancamento", copyright Folha de S. Paulo, 26/04/03

"A Globo escalou uma música de Gilberto Gil, sem autorização e conhecimento do atual ministro da Cultura, para ser a trilha sonora dos espancamentos sofridos pela personagem Raquel, interpretada por Helena Ranaldi, que foge do marido (Marcos, Dan Stulbach) na novela das oito, ?Mulheres Apaixonadas?.

A música, ?Só Chamei Porque Te Amo?, versão em português de ?I Just Called to Say I Love You?, de Stevie Wonder, foi ao ar pela primeira vez na última terça. Na cena, Marcos ligava para Raquel e colocava a música para tocar. Raquel ficou apavorada. Ela explicou, então, a outra personagem, que a música romântica marcou o namoro dos dois, mas que depois se transformou em uma lembrança ruim, porque seu marido ouvia a canção sempre que batia nela.

Segundo Celina Solberg, do departamento jurídico da Warner Music, gravadora de Gil, a Globo a procurou na tarde de terça e não houve tempo para a autorização.

?Houve um equívoco. A Warner não autorizou a Globo. A gente jamais autorizaria uma TV e tocar uma música num contexto desses?, disse Solberg. Segundo a assessoria de Gil, o ministro não viu a novela e não sabia do caso.

A TV Globo reconhece que não teve resposta por escrito da Warner. Como havia um acordo com a Warner em que a gravadora cedia tudo o que pedia, avaliou que poderia usar a música. Afirma que não a executará mais."

 

GAYS NA TV

"Público aprova gays, mas reprova beijos", copyright Folha de S. Paulo, 24/04/03

"Sair do armário pode, mas beijar na boca não. Essa é a conclusão de pesquisas realizadas com grupos de telespectadores na semana passada, pela Globo, para avaliar a aprovação e rejeição do público aos personagens da novela ?Mulheres Apaixonadas?.

Segundo o autor da trama, Manoel Carlos, o público pesquisado _a maioria donas-de-casas_ aprovou o casal Rafaela (Aline Moraes) e Clara (Paula Picarelli), que são adolescentes e lésbicas, mas rejeitou qualquer hipótese de elas se beijarem na boca.

?Sei que existem limites. Se as pesquisas aprovam o relacionamento das duas e se a audiência não cai quando elas aparecem, isso se deve a uma abertura maior, mas também à forma delicada com que estou tocando a história. Então, longe de mim qualquer provocação. Um beijo na boca entre dois homens ou duas mulheres, numa novela, seria perder a história. Viriam todos para cima de mim?, afirma Manoel Carlos, que manterá as personagens, mas sem ousadias.

A pesquisa mostrou ainda que os telespectadores estão divididos quanto ao futuro da protagonista Helena (Christiane Torloni): parte deles torce para que ela fique com Téo (Tony Ramos) e outra parte, com César (José Mayer). Também há dúvida sobre o relacionamento da professora Raquel (Helena Ranaldi) com o aluno Fred (Pedro Furtado), por causa da diferença de idade entre eles."

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