Domingo, 05 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Milton Coelho da Graça

Por lgarcia em 10/06/2003 na edição 228

JB EM CRISE

“Destino do JB: Titanic ou Fênix?”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 6/06/03

“Lula Costa Pinto praticamente já aceitou assumir como diretor de redação do Jornal do Brasil. Mas não será uma simples mudança de nome no expediente. Lula tem uma proposta diferente da que vinha sendo seguida por Nilo Dante para tentar mudar o rumo decadente do jornal carioca nos últimos dez anos.

Os dois não querem falar sobre o tema, mas informações dadas por amigos e uma fonte da diretoria do JB revelam as divergências.

O número de jornalistas do JB é inferior ao de Zero Hora, Estado de Minas e outros jornais regionais, além de três a quatro vezes menor do que os de Globo, Folha ou Estadão.

Com pesquisas na mão indicando que os leitores do JB lhe dedicam menos de metade do tempo dado pelos leitores ao Globo e diante dos escassos recursos da redação, Nilo deu prioridade à apresentação gráfica mais leve. Textos curtos, muitos títulos, mais ou menos no estilo de alguns jornais americanos como o Tribune, de Chicago, ou o USA Today, que o seu próprio criador Al Neuharth chamou de ?televisão impressa?.

Um dos temas que precipitaram o confronto final com Augusto Nunes, vice-presidente editorial, e Cristina Konder, também agora nomeada vice-presidente de Produção, foi a intenção de Nilo de mudar a filosofia do Cderno B, tradicionalmente dedicado a artes e cultura, tornando-o mais abrangente (também no estilo de jornais americanos), com colunas de saúde, ciência etc.

Costa Pinto acha que o jornal deve ?retomar a tradição de jornal relevante?, segundo suas palavras na reunião com a cúpula do JB. Ele é cobra criada na reportagem de jornais e revistas, e foi editor-executivo do Correio Braziliense (saiu um mês antes da crise que derrubou Ricardo Noblat, do qual continua amigo, para trabalhar na campanha de Ciro Gomes). Não tenho dúvida de que vai fazer outra reforma gráfica radical no JB e tentar recolocá-lo como candidato permanente ao Esso e outros prêmios de reportagem. Certamente também montará uma forte sucursal em Brasília, onde ele pessoalmente conhece todos os corredores da informação.

Mas a questão central no Jornal do Brasil é dinheiro, disposição de investir em talento jornalístico. Mário Sérgio

Conti, o primeiro diretor na Era Tanure, foi escolhido pessoalmente pelo novo controlador, admirador confesso doautor de ?Notícias do Planalto?. Mas a admiração durou apenas poucos meses, porque Tanure considerou as contratações de bons e caros profissionais feitas por Conti como incompatíveis com os números da circulação e com sua visão pessoal do que deve ser um jornal no século XXI (?jornal não gera conteúdo? é uma das máximas que lhe são atribuídas.

Tanure está disposto, segundo minhas fontes, a dar um prazo de confiança a Costa Pinto, que teria pedido um mínimo de dois anos sem novos cortes, incursões do passaralho ou coisas do gênero. E também toparia a contratação de bons repórteres, sem o que o projeto de ?jornal relevante? seria impossível.

O novo rumo do JB será decidido nos próximos dias. Você acha que as idéias de Costa Pinto podem dar certo? E que Tanure terá paciência de esperar um tempo pelo efeito dessas Idéias? E que Costa Pinto terá plena autoridade para comandar a redação, superando eventuais divergências com dois vice-presidentes da área editorial?

Um belo exercício de futurologia.

Buraco na mira é mais em cima

O expediente de O GLOBO revela que a extinção da MIRA (Mídia Impressa e Rádio), que reunia, além do jornal, o Extra, Diário de São Paulo, a revista Época e o Sistema Globo de Rádio, não atingiu apenas a direção editorial do grupo, antes ocupada por Merval Pereira.

Também sumiu o nome do comandante geral da operação, Luiz Eduardo Vasconcelos (primo dos irmãos Marinho), e correm boatos de que um novo contingente de consultores está sendo contratado para dar uma olhada nos problemas dos jornais e rádios das Organizações Globo, que perderam ou continuam perdendo um bom dinheiro na compra do Diário Popular (transformado no Diário São Paulo), no lançamento de Época (equivocadamente inspirada no modelo da alemã Focus) e na associação com o diário esportivo Lance.

Há uma corrente interna nas Organizações defendendo o fechamento imediato de Época.”

 

TV CULTURA EM CRISE

“Audiência na Câmara discute crise da Cultura”, copyright Folha de S. Paulo, 6/06/03

“O presidente da Fundação Padre Anchieta (mantenedora da TV Cultura), Jorge da Cunha Lima, disse ontem que o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) sinalizou a liberação de parte dos recursos bloqueados no início do ano para custeio e manutenção da TV.

Segundo Cunha Lima, o governador, em reunião anteontem à noite, ?mostrou vontade de resolver os cortes complementares, mas disse que recursos para investimento dependem da melhoria da arrecadação do Estado?.

O presidente da Fundação Padre Anchieta participou ontem pela manhã de audiência na Câmara dos Deputados, em Brasília, para discutir a crise da TV Cultura. Ele não citou o valor que pode ser liberado pelo governo do Estado. No mês passado, a fundação pediu a liberação de R$ 17,4 milhões para pagar dívidas com fornecedores, fazer reformas urgentes em suas instalações e investir em equipamentos.

Aos deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Cunha Lima disse que dos R$ 89,9 milhões previstos no Orçamento do Estado deste ano para a TV Cultura, parte foi bloqueada, inclusive R$ 8 milhões para investimentos, reduzindo o valor para cerca de R$ 70 milhões. O corte também resultou na demissão de cerca de 250 funcionários em fevereiro.

O presidente da fundação defendeu a discussão de um novo modelo de repasse de recursos às emissoras públicas, que não dependa da arrecadação.

A medida também foi defendida pelo representante dos funcionários da Cultura, Maurício Monteiro. Para Monteiro, é preciso criar um sistema que proteja as emissoras públicas da interferência do Estado e de empresas comerciais do setor.

O deputado Jamil Murad (PC do B-SP), autor do requerimento da audiência, disse que o objetivo da reunião foi detectar os motivos da crise e tentar buscar alternativas aos problemas.”

“Crise na TV Cultura pode ser investigada”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 6/06/03

“A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados vai pedir a instalação de uma Comissão Externa para investigar a crise na TV Cultura. A decisão foi tomada depois que deputados ouviram o presidente da Fundação Padre Anchieta (mantenedora da emissora), Jorge da Cunha Lima, e representantes de sindicatos dos jornalistas e radialistas.

Essa Comissão Externa deverá ir a São Paulo verificar as instalações da TV Cultura e os equipamentos. Os deputados também querem fazer uma representação junto à Promotoria de Justiça de Fundações contra a Fundação Padre Anchieta para apurar as denúncias de má administração.

Quem pediu a convocação de Cunha Lima na Câmara foi o deputado Jamil Murad (PCdoB/SP). Ele também está responsável por solicitar a instalação de um grupo de trabalho, no âmbito do CCTCI, para levantar a situação de todas as outras emissoras de TV e rádio públicas do país.

Cunha Lima confirmou todas as denúncias de sucateamento noticiadas pela imprensa nos últimos meses. Ele também relatou o corte sistemático de recursos que o governo do Estado de São Paulo vem fazendo no orçamento da TV Cultura. Segundo ele, a verba anual da emissora, que era de R$ 100 milhões, foi reduzida para R$ 70 milhões. Pelo que contou, Cunha Lima foi recebido pelo governador Geraldo Alckmin na quarta-feira passada (04/06). ?Fique certo que o governador não o recebeu para buscar o diálogo, mas porque sabia que o senhor vinha a esta Comissão prestar esclarecimento?, respondeu Murad.

O jornalista Carlos Alberto de Almeida, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, lembrou que o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que a crise da Rede Globo seria tratada como uma questão de Estado, e lamentou que o governo não dê o mesmo tratamento às emissoras públicas.

O professor Laurindo Lalo Leal Filho, estudioso da TV Cultura, defendeu a criação do Conselho Coordenador Nacional de Emissoras Não-Comerciais, que reuniria todas as emissoras federais, estaduais e municipais, além das universitárias e comunitárias. ?Estaria formada aí uma poderosa rede pública de televisão, enraizada nacionalmente, com um poder de produção capaz até de competir com as emissoras comerciais?, disse.”

“Verba anual da TV Cultura foi reduzida em R$ 30 milhões em 2003”, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br) 6/06/03

“A verba anual repassada pelo Governo de São Paulo à TV Cultura foi reduzida em R$ 30 milhões em 2003. O corte nos recursos, que caíram de R$ 100 milhões para R$ 70 milhões este ano, levou o canal a demitir 250, de acordo com o diretor da TV, Jorge da Cunha Lima. O executivo participou de debate sobre a crise na emissora na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, nesta quinta.

Durante a audiência, diretores e funcionários da Cultura defenderam a aprovação de novo modelo de financiamento para as emissoras públicas. Para o representante dos funcionários, Maurício Monteiro, é preciso criar um sistema que proteja os veículos públicos da interferência tanto do Estado quanto das emissoras comerciais. ?Essa é a única solução, mas tem que ser algo constitucional?, afirmou.

O deputado Jamil Murad (PCdoB-SP), autor do requerimento que deu origem à reunião, disse que o objetivo da comissão é descobrir os motivos da crise. ?Quisemos ouvir os responsáveis pela TV Cultura, seus trabalhadores e estudiosos da comunicação pública, para propor soluções duradouras para a crise?, afirmou.

Segundo Murad, a comissão deverá realizar novas audiências públicas para aprofundar a discussão sobre o destino das emissoras públicas de televisão. A TV Cultura foi criada em 1969 pela Fundação Padre Anchieta. As informações são da Agência Câmara.”

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