Domingo, 05 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Roberto Maciel

Por lgarcia em 30/04/2003 na edição 222

O POVO

"UTI? Que UTI?", copyright O Povo, 27/4/03

"A saúde no Brasil está na UTI. Há muito tempo esse bordão é repetido, misturando ironia e crítica. Os discursos de quem se opunha a sucessivos governos davam a essa máxima contornos sombrios, a destacavam como algo a ser urgentemente resolvido. Hoje, talvez seja possível dizer que a saúde no Brasil está na fila, aguardando uma vaga na UTI. O Povo vem tratando os problemas do setor em Fortaleza, agravados com a falta de leitos nas unidades de terapia intensiva, com pertinência e racionalidade. Cumpre, assim, uma das missões da imprensa: a de denunciar quando o direito das pessoas à cidadania plena é negado de alguma forma. Importante destacar ainda o estímulo à discussão e à mobilização social que se verifica a partir dessa cobertura. E é igualmente necessário lembrar que conquistas recentemente obtidas pela comunidade a partir desse noticiário, como as ações do Governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza para amenizar o problema, além das pressões que as procuradorias da República no Ceará e da Justiça do Estado exerceram sobre as autoridades da área, resultam diretamente da exposição de problema, iniciada pelo O Povo e seguida por outros veículos de comunicação.

É certo que a situação por que passam hospitais das redes municipal e estadual não é exclusiva do Ceará. Nem é nova. E, ainda, que não será solucionada em um passe de mágica – porque depende muito mais da reestruturação das diretrizes da saúde pela União, incluindo os mecanismos de distribuição de verbas e de controle de gastos, do que de medidas isoladas de estados ou municípios. Contudo, a fiscalização atenta e rigorosa da população, a cobrança intransigente de direitos e o debate propositivo dos deveres da gestão pública tornam cada vez mais sérios os compromissos da imprensa com os interesses sociais. Mais ainda: fazem cada vez mais necessário que as empresas de comunicação passem a se ver e a agir como instituições sociais.

Entretanto, em meio de tantas dificuldades, reforça-se um ponto pacífico: a informação é um bem essencial para as sociedades contemporâneas. Tão indispensável quanto a saúde, a educação e a cultura. Tão básica quanto o trabalho e a moradia. Por isso, reproduzo a seguir um trecho de coluna que escrevi e que foi publicada no dia 2 de fevereiro: ?Antes da era da TV, eram comuns grandes e bem-sucedidas campanhas viabilizadas pelo rádio e pelos jornais. Hoje, com todo o aparato a serviço da comunicação, não se consegue pressionar o poder público a tomar providências razoáveis, por exemplo, em relação à dengue. Nem sensibilizar a sociedade para o prosaico e saudável direito de se indignar?. Desse modo, quero observar que a avaliação que fiz naquele momento sobre o caso específico da dengue, sob o título ?As tragédias nossas de cada dia?, está sendo agora contrariada pelo episódio das UTIs. Felizmente.

Crucificados

Registrem-se aqui dois bons momentos do O Povo. O primeiro foi o caderno especial publicado domingo último sobre a guerra no Iraque. Jornalismo de primeira linha, unindo o relato de fatos à análise. O segundo foi a capa da edição de sexta-feira, 18, na qual uma imagem de Cristo crucificado se destacava ao lado de uma manchete indicando um novo martírio para o consumidor (?Prepare o bolso – Energia 30,62% mais cara?). Um esclarecimento merece ser feito: perguntei à chefia da Redação se houve alguma ironia naquela opção gráfica. A resposta foi negativa.

O erre que virou um erro

A grafia do nome do secretário da Saúde do Estado, Jurandi Frutuoso, deixou confusos os leitores na semana passada. E eu tive participação fundamental na gênese da confusão. Quarta-feira, ao ler o noticiário sobre a crise nas UTIs, deparei com o grafia Jurandi. Conferi em matérias anteriores do O Povo e acessei o portal do Governo do Estado na Internet. Constatada uma diferença, observei no comentário interno que, com base no que estava em www.ceara.gov.br, o correto era ?Jurandir? – e houve um agravante: escrevi que ele era secretário do Município. A Redação, baseada na minhas informações, fez os ?reparos? na edição de quinta-feira, na seção Erramos (página 6). Erramos até no Erramos. Na sexta-feira, após consulta da Redação à assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde, um novo reparo indicou a grafia correta. E desfez o equívoco sobre o cargo.

Pague um, leve dois

Domingo passado, o caderno Ciência & Saúde publicou na página 3 uma matéria intitulada ?Bebida alcoólica – Propaganda deve alertar usuário?. O primeiro parágrafo era exatamente igual a uma breve publicada na editoria Brasil no último dia 15, com o título ?Anúncios de bebidas terão restrições?. Na mesma página, outra matéria secundária (?Venda virtual de remédios terá controle?) tinha o texto quase igual, com exceção de pequenas mudanças explicáveis pelo processo de edição, ao que saiu também no dia 15, novamente em Brasil, sob o título ?Saúde – Anvisa anuncia que regulará venda de remédios pela Internet?. Faltou o necessário e indispensável diálogo entre os núcleos editoriais. O leitor acabou pagando para ler notícias repetidas."

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