Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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PRIMEIRAS EDIçõES >

Serra & Xuxa

Por lgarcia em 05/09/1999 na edição 74

Edição de Marinilda Carvalho

Amigos, o destaque desta edição é todo para um assunto que continua repercutindo duas semanas depois de ocorrido: o affair Xuxa-Serra. Impressionante a capacidade de se indignar do cidadão brasileiro.

Difícil é compreender por que toda essa indignação não se organiza, nem se canaliza para levar o poder público e as emissoras à busca de uma TV séria.

Informação de almanaque: você sabia que na Suécia é proibido veicular propaganda infantil? TV, rádio, outdoor, nenhum veículo pode “vender” coisas a crianças ? seja brinquedos ou comidinhas. Nada. O poder público acha que um indivíduo em formação não pode ser objeto de ataques comerciais. E fim de papo.

Mas aqui é o Brasil. A terra em que tudo pode.

Um abraço, boa leitura

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Clique sobre o trecho sublinhado para ler a íntegra da notícia

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Louvado seja Roberto Pompeu de Toledo! Finalmente, uma opinião de bom senso nessa batalha contra o baixo nível na TV. É de fato um grande equívoco o movimento iniciado pela Marta Suplicy ao centrar fogo nos Ratinhos, Leões & Cia. O verdadeiro crime que se pratica na televisão brasileira acontece de manhã e à tarde, horários em que as elites não assistem e por isso não têm ocasião de se horrorizar como se horroriza com os Ratinhos etc. Xuxa engravidar sem marido é nada em comparação com anos a fio que ela passou erotizando a criançada e entortando mentes indefesas na direção do consumo, consumo, consumo. Fernando Pacheco Jordão

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Mesmo confundindo produção independente com gravidez adolescente, o nosso ministro ousou desafiar em cadeia nacional um grande bicho papão da mídia que muito tem contribuído para o empobrecimento cultural do país. Maurício Romani

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Lindo o artigo de Orlando Lemos sobre gravidez precoce.

Teresa Barros

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Escrevo em breves linhas só para manifestar minha concordância com Alberto Dines (“Mme. Xuxa, o tiro saiu pela culatra”). Realmente, me impressionou ? me decepcionou, na verdade ? a crônica de LF Verissimo, escritor por quem sempre tive muita admiração, agora digna de questionamento. Quer ele criticar o Serra, que o faça, só não se ampare numa mulher que nunca fez nada de útil às crianças que veneram esse “ídolo de ouro” da (sub)cultura global (o que mais me preocupa é a espécie de pais que estas pobres crianças têm), senão, ao contrário, incentivar o consumismo, o “descartismo” e o erotismo precoce.

Rogério Reis de Oliveira

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Caros amigos do O. I. (único programa de TV a que ainda assisto): o senhor ministro José Serra mexeu em vespeiro ao falar da empresa multimilionária e muito bem administrada Xuxa S.A. Ele não deixa de ter lá suas razões. Entretanto, não posso levar a sério um sujeito que critica a mídia hoje e a usou ontem e, certamente, não hesitará em fazê-lo amanhã. Refiro-me ao circo que armou em um hospital do RJ, logo que assumiu o ministério da saúde (com minúsculas mesmo). Chamou câmeras de TV e “flagrou” ausências de médicos. A pérola mesmo foi a frase mais hipócrita que já ouvi da boca de um político (que, frise-se, até então eu respeitava): “Quem não está satisfeito com o que ganha que peça demissão”. Causou-me asco. Tudo o que queria naquela hora é ser um dos médicos deste hospital e responder: “Está bem Vamos trocar de salário?” Um abraço,

Flavio R. L. Paranhos, Oftalmologista

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Primeiramente gostaria de parabenizar o ministro José Serra pela campanha contra a gravidez na adolescência, que no Brasil está assumindo números desproporcionais em relação a países de Primeiro Mundo.Concordo com o que ele diz sobre programas de TV, como Xuxa, Ratinho e outros do gênero. Infelizmente não se tem mais liberdade de assistir a um filme, ou uma novela na presença de criancas. O que mais aparece na tela são cenas de violência e sexo que nada acrescentam a nós telespectadores. Enfim, concordo plenamente com o nosso ministro, e passei a admirá-lo ainda mais por isso.

Roseli Vieira Alves de Campos, professora de Ensino Fundamental e Médio, Sorocaba, SP

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A coisas estao invertidas. Explico: o exemplo de Ronaldinho é bom na medida em que ele era um rapaz pobre e agora é um superastro. O ruim é que a midia os apresenta como objetos. Isto não rende nada para a sociedade do país da má distribuiçao de renda, que espera por educação e não por enrolação.

José Flávio de Araújo, 44, desencantado com o Brasil, que só desenvolve o litoral, não consegue baixar os juros e assim irá pro brejo, óxente

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Sobre o ministro Serra: há pessoas tão pobres de espírito que a sua única defesa é o ataque.

Adriana Guidolin

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Sou fã do Observatório e do Dines. Mas que me perdoem. A Xuxa deve ficar quieta por que “ela é artista da TV e a TV é uma concessão do Estado e o José Serra (como componente desse Estado) merece, então respeito”. Mas que bobagem é essa, Seu Dines? (Desculpe o bobagem, quando vi, já tinha escrito, mas resolvi não apagar). Quer dizer então que um jornalista não pode falar mal do FHC, por exemplo, porque ele é o mandatário do Estado e o Estado é que concedeu a TV para o jornalista poder falar? Eu até concordo com um tanto das idéias do artigo, mas, sei lá… Essa foi demais.

Artur de Carvalho, Votuporanga, SP

Alberto Dines responde: Em matéria de bobagem, não sei qual a maior ? se a sua leitura do que eu escrevi, se a minha convicção sobre a comercialização da vida privada da Xuxa. A. D.

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O ministro José Serra deveria ser glorificado não por ter apontado a Xuxa como responsável pela falta de informação que domina as adolescentes brasileiras, mas sim por todas as outras declarações que fez a respeito do assunto ? gravidez na adolescência. Mas o brasileiro sofre de um problema gravissímo: ignorância. E se deixou levar pelas tendências globais que têm dominado a mídia e, mais uma vez, enxergou somente aquilo que quiseram mostrar.

Elma Rocha Vieira

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Quando soube da troca de opiniões entre Serra e Xuxa pensei: por que tanto assombro? Só porque ele falou algumas verdades? Várias pessoas me disseram: “A vida é dela, ela tem o direito de fazer o que quer.” Finalmente, alguém também concorda comigo: se é dela, para que jogar na cabeça e na sala das pessoas todas as suas “particularidades?

Flávio e Eva

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Serra, você está certo! Não se desculpe com ninguém, muito menos com a Xuxa. Afinal, ela é uma pessoa pública e tem que dar bons exemplos, principalmente porque seu público é adolescente e confuso.

Samy

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Em “O Globo tem fixação em Xuxas-repórteres”, concordo e fico preocupado com esta tendência. Ao mesmo tempo em que os sindicatos adoram criticar os estágios, se fazem de cegos quanto às práticas desta emissora. Gustavo Souza

A entrevista do Boris Casoy (TV Record) com o senador Antonio Carlos Magalhães parecia um encontro de comadres! Em que pese o respeito que se deve ter a um senador da Republica, o nobre jornalista estava visivelmente constrangido diante da figura poderosa de ACM. As perguntas não eram dele, e sim dos “telespectadores”.

Marcia Mariano

Alberto Dines responde: Cara Marcia, acho que você tem razão em tese. E deixe-me dizer que não tenho nenhum amor pelo Boris Casoy, ao contrário. Mas perguntei ao editor do programa, experiente jornalista, homem de esquerda, o que tinha achado da entrevista do ACM. Ele disse que achou o Boris muito firme. Abraços, A. D.

Extraido de CartaCapital: “Da Venezuela, para gosto de tantos e desgosto de outro tanto, a incógnita Hugo Chávez projeta sua presença e receituário nas vizinhanças. Eleito presidente da República, o primeiro gesto de Chávez foi vir a Fernando Henrique Cardoso. Ofereceu o ingresso no Mercosul, sem condições, e o petróleo venezuelano como base para a criação da Petroamérica. Arrepios em Washington.”

Haroldo Netto

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Do Aurélio: Verbete: persecutório [Do lat. persecutu, part. pass. de persequi, ‘perseguir’, + -ório.] Adj.

1. Em que há, ou que envolve perseguição: delírio persecutório.

2. Próprio para perseguir. Desculpe o mau jeito, mas acho que a expressão “instância persecutória” não se aplica bem ao Grand Jury. Muito resumidamente, o Grand Jury avalia, à luz da investigação e dos seus resultados, se foi cometido um crime e se este crime deve ser submetido a julgamento. No direito brasileiro talvez se possa fazer uma analogia mais precisa com “formação de culpa”, com a diferença de que lá quem toma a decisão é um júri, diante de um juiz e com a atuação da Promotoria e da Defesa. Definitivamente, não tem nada a ver com “perseguição.”

Haroldo Netto

Minha questão no momento é: por que nenhum jornal até agora sequer considerou a hipótese de analisar o comportamento do câmbio nos últimos dias como um ataque especulativo organizado por um grupo de banqueiros ? certamente credores do governo ?interessados em manter os juros altos? Tudo começou exatamente quando o governo anunciou medidas para abrir a “caixa preta” dos juros de varejo, manter uma política decrescente de juros básicos e aumentar o perfil da dívida interna (prazo maior e juros menores).

Venho insistindo nessa hipótese ? e, ao contrário dos “analistas anônimos” que justificam a alta como resultado de uma suposta “instabilidade política”, afirmo que esta é justamente produto daquela pressão econômica…

Enfim, gostaria que vocês levantassem essa questão. E que visitassem meu site ? o Café Impresso, no endereço <www.cafeimpresso.com.br>.

Antonio Caetano

Gostei muito dos comentários de Alberto Dines sobre o surpreendente artigo não-assinado a respeito da deterioração da qualidade na imprensa brasileira. Mais satisfação tive ao ler a resposta do Paulo Nogueira mais adiante, respondendo comentários de Douglas Duarte. De antemão, repensei meu desejo de não renovar a assinatura da Exame, como já fiz com Folha e Veja. Afinal, se elas não são indispensáveis, posso ler os poucos pedaços que valem a pena na Internet. Apesar de não ser jornalista, abordei esses assuntos em 96 e 97 com Mauro Malin, Alceu Nader e Paulo Nassar, na Aberje. Aprendi muito com eles. Parabéns pelo Observatório, na Net e na TV.

Gelson Guarçoni

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Apenas uma observação ao Douglas Duarte, que afirmou, e ao Paulo Nogueira, que concordou (que classe!): quem disse que realidade não é terapêutica? Tem coisas que só a realidade cura. O resto é placebo…

Spacca

Este site produziu um feito notável. Já me preparava para chamar o Corpo de Bombeiros quando apanhei meu desaparecido vizinho grudado no computador, viajando insone por este Observatório. Jorge Frederico Cardoso de Menezes

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Desafortunadamente não conhecia o maravilhoso trabalho nesse Observatório da Imprensa. Para ser sincero, minha estupefação diante da excelência do conteúdo e sua legibilidade para quem não é jornalista virou irritação por não tê-lo conhecido antes. José Vidal Silva Neto

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Acho extremamente importante que tenhamos um programa de TV que analise o comportamento da imprensa diante dos fatos. Um enorme abraço do estudante de Jornalismo da cidade de Pelotas no RS.

Carlos Roberto Ferreira

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Muito boas as críticas referentes ao jornalismo científico. Curso Jornalismo na PUC-SP e pretendo me adentrar nessa área específica. Concordo com a leitora Helenice: os apresentadores de telejornais deveriam fazer um curso de “como sorrir na hora certa”.

Beatriz Singer Vermes

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Soubemos desta página por uma fiscal do MEC que está verificando nosso Curso de Comunicação Social, a professora Sandra. Gostaríamos de parabenizá-los.

Eliana Cristina Costa, bibliotecária da Fepesmig

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Meu nome é Elma Rocha Vieira, tenho 20 anos e estou cursando o segundo período de Jornalismo no UNI-BH. Fico admirada sempre que leio o Observatório da Imprensa, pois vocês fazem um jornalismo verdadeiro, sem se preocuparem com a questão mercadológica da coisa. Parabéns, continuem assim!

Etel Rocha Vieira

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Há algum tempo tenho evitado acompanhar tanto a imprensa escrita quanto a falada, por culpa da “ice”, ou seja, mesmice e babaquice. Esse tal de Observatório está indo contra tudo isso, estou pasmo em ver que além de criticar com fortes argumentos este jornal mostra como a reportagem poderia ter sido feita para se tornar honesta e profunda. Só me resta dizer: parabéns. Deu até vontade de acompanhar o que a imprensa anda dizendo por aí para depois ter o prazer da leitura desmistificadora de Observatório.

Oswaldo Pincerno Jr.

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Em primeiro lugar quero cumprimentá-los pelo Observatório da Imprensa, tanto o da Internet quanto o programa na TV Cultura. São ótimos, gostosos de ler, de assistir, de acompanhar, principalmente por nós meros leitores e caros espectadores não-jornalistas.

Quero cumprimentar Mauro Malin por seus primorosos comentários em “Polícia demorou a assustar Veja“. Gostaria de solicitar mais comentários sobre as notícias de violência (no Brasil) publicadas nos grandes jornais (como Folha e Estadão). E agradeço desde já pela atenção.

Maria Aparecida L. Tedrus

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Agradeço a Alberto Dines e aos outros jornalistas que têm feito análises inteligentes como a que acabo de ler sobre o aniversário da filha da Xuxa. Me alegra saber que ainda há inteligência no jornalismo brasileiro, o que é a mesma coisa que dizer que ainda há esperança de jornalismo no Brasil. Mas os quilos de papel que todo dia se imprimem, as toneladas que se imprimem aos domingos, particularmente nesta cidade em que moro, não são testemunhas desta verdade. Se não leio mais jornal, se quase não assisto a telejornalismo é porque não sou partidária da frase imortalizada por Chico Buarque “me engana que eu gosto”. Estou cansada de tanto desperdício de dinheiro e de inteligência. Num país como o nosso querido Brasil, com tanta carência, revolta a falta de decência dos meios de comunicação.

Graciela I. Presas Areu

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O Observatório está 10!

Wank

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É um refresco ler as matérias do Observatório e ver que muita gente ainda se preocupa com o tanto de bobagem que vem sendo apresentado como noticia. Parabéns ao Dines pela crítica à capa do Ronaldinho.

Liseane Morosini

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Não perco o Observatório da Imprensa. Esse é um dos poucos meios que temos de nos manter ligados com os assuntos que dizem respeito à categoria, sempre com o bem-vindo senso crítico do Dines e seus convidados. Aproveito também para saber se posso reproduzir, sem ônus, textos apresentados no Observatório através da Internet.

Maria Clara

Nota do O.I.: Pode sim, Clara, desde que com o devido crédito e o endereço na web. Abraços.

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Vocês são ótimos. Tenho certeza de que irão contribuir, e muito, para que um dia tenhamos uma imprensa capaz de servir aos interesses da grande maioria do povo brasileiro. Saúde e Fraternidade,

Neresgton Neto

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Simples e diretamente: Observatório da Imprensa é uma deleitura, isto é, combina-se leitura com deleite. O tom irônico, que perpassa todas as paginas (ou telas, pois leio via Internet) é um prazer, mexe com nossa curiosidade, faz com que trabalhemos mentalmente com nossas próprias perspectivas sobre os assuntos tratados e instiga nossa inteligência (seja em que grau for). Alberto Dines ? a quem conheci pessoalmente há muitos anos, com quem tive o prazer de conversar ao telefone algumas vezes e cujo trabalho ficcional examinei no meu livro sobre escritores judeus no Brasil ? é um exemplo, um guru, um cidadão que nos dá como prêmio um jornalismo sadio, límpido, vivo, crítico, responsável, aberto e infinitamente inteligente. E não estou exagerando!

Regina Igel, University of Maryland, EUA

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Somente hoje tomei conhecimento, via Internet, da existência do Observatório da Imprensa, ficando gratamente surpreso com o conteúdo diversificado e a qualidade dos textos. Daqui para a frente, sei onde achar a verdadeira “cara” das notícias publicadas na imprensa diária e semanal brasileira. Como exemplo de matéria de impacto, nada melhor que a do jornalista canadense sobre as matérias fajutas, tendenciosas e dirigidas, indignas de jornalistas sérios, do problema bósnio. Também muito interessante a apresentação em português da mesma matéria em língua inglesa, tecendo considerações a respeito da chorada devolução de Hong-Kong aos chineses, a guerra do ópio etc. Só quem nunca esteve na “pranteada” colônia inglesa (onde passamos alguns dias em anos passados, e, de quebra, em Macau) pode lamentar a devolução do território à China continental, seus verdadeiros donos. Naturalmente, não nos move qualquer admiração ao regime ditatorial comunista; mas nos ficou a péssima impressão das duas colônias da dita Europa civilizada.

José Maria Leitão, Brasília

No Jornal da Globo de 30 de agosto, a âncora Lillian Witte Fibe chamou uma matéria que tratava do relaxamento das pessoas em relação à Aids, visto que os coquetéis estão controlando o desenvolvimento do vírus em seus portadores. Estas conclusões foram extraídas de um congresso realizado nos EUA. Enquanto a correspondente do jornal lá na América do Norte passava as informações, o feliz editor da matéria inseriu imagens de homossexuais abraçados, conversando, caminhando etc. Pô, dona Rede Globo. Falar de Aids e atribuí-la a homossexuais não dá! Todo mundo sabe que o foco da doença não está mais neste grupo. É muita ignorância para quem chega em casa cansado e deseja assistir a um bom noticiário.

Israel de Castro

Quando li no Observatório da Imprensa impresso número 23 a manchete “Lipoaspiração nos Jornais ? Uma polegada a menos apenas para economizar papel”, levei um susto. Como assim, “apenas”? Fui então à página 4. Senti um certo alívio ao ler a assinatura do artigo: Alberto Dines. Em “Ingestão em Seco”, Dines não repete em nenhum momento o tropeço da chamada de primeira página. Ufa!

Acho que Dines e o Observatório, como sempre, jogam luz em uma questão pouco debatida nas redações, com o público leitor e ? imagino ? nas faculdades de Comunicação: a recente “reforma” dos jornalões. Pertinente e bem colocado o tema.

Porém, apesar do alívio encontrada nas páginas internas, deixo registrado o estranhamento pela manchete. Por que “apenas”? Concordo que a “reforma” é “apenas” ? e aqui cabe bem o vocábulo ? a maneira mais mercantilista de se reduzir os custos de impressão dos jornais. Mas economizar papel é uma tarefa nobre, sim. Afinal, papel não nasce enrolado em enormes bobinas, como vemos nos pátios e nas rotativas nas gráficas dos jornais. Papel é pasta feita de matéria fibrosa de origem vegetal. Por isso, sua produção implica derrubada de milhares e milhares de árvores todos os dias. E não é preciso dizer o impacto dessas derrubadas em toda uma cadeia, gerada ao longo de bilhões de anos para ser equilibrada.

Vida longa aos livros, jornais, revistas e impressos em geral! Mas racionalizar ? se não os custos do capital ? mas nossos gastos ambientais, ah, isso também é fundamental.

Rachel Mello

Não sou representada pela imprensa que aí está. O Brasil, um pais já vendido, vai ressentir-se tanto assim da venda da imprensa, já que está mais que comprometida com o capital privado, com a minoria? Adalgisa B. da Costa

Há pouco tempo o senhor Caetano Veloso se apresentou aqui em Belo Horizonte. No dia, gostaria de ter R$ 15 no bolso para ir ao concerto e outros R$ 20 para bancar uma faixa com os seguintes dizeres: “Caetano, cale a boca e cante”. Por ser um contribuinte (e por isso tenho que ajudar banqueiros falidos, pagar juros absurdos ao FMI, honrar os gastos de viagens de ministros a Fernando de Noronha etc.) não tinha toda esta grana em mãos. Mas, tudo bem. Ao ler o texto de J. D. Borges no Observatório me senti representado. Ninguém até hoje conseguiu escrever tão bem sobre o autor daquele livrinho ? apesar de grosso ? chamado Verdade Tropical. Fiz várias cópias do material e já comecei a distribuir a todos os “caetanistas” que conheço. Vamos ver se eles tomam jeito.

Leonardo Augusto

Muito interessante o artigo “Transparência no Poder Judiciário”, de Ronaldo Porto Macedo: merece maior reflexão. Parabéns.

Antonio Augusto

“Ceará” passou, de uma hora para outra, a ser tido como um grande injustiçado, um moço excelente, querido pelos colegas e pacientes, pobre, nordestino, etc.; enfim, uma Vítima Exemplar. Talvez por isso tenha ele merecido o convite para participar do Observatório da Imprensa exibido no dia 10/8/99 (TV Cultura). Marcelo Cury

Vamos pensar como brasileiros ou vamos estabelecer dicotomia entre urbanos e rurais? Apelo aos senhores para que coloquem em discussão o papel(ão) da imprensa nacional na cobertura da manifestação dos agricultores. Wanderley Romano Donadel

Lamento informar que sou uma jornalista nordestina. Mas trabalho em assessoria. Assim, livro-me de vergonhas maiores. Como a que aconteceu semana passada, quando o prefeito de Recife, o advogado Roberto Magalhães, mostrando um revólver, invadiu a redação do Jornal do Commercio e ameaçou um colunista social. Ana Cláudia Nogueira

O Sr. Olavo de Carvalho esqueceu de nomear-se entre as nulidades destacadas no jornalismo que vão sumir na poeira.

Professor Jeremias

Amigos, nem o Camdessus escapa da mídia. Vejam a carta que ele enviou ao Le Monde.

“I wish to express my indignation at the false statements, allegations, and insinuations cntained in the articles and editorial commentary appearing in Le Monde on August 6, 8, and 9 on the content of the PricewaterhouseCoopers (PWC) audit report relating to the operations of the Central Bank of Russia and its subsidiary, FIMACO. (…) Michel Camdessus”

Enio Vieira

Nota do O.I.: Dois jornalões brasileiros, que publicaram a história do Monde sobre o suposto desvio de dinheiro do Fundo na Rússia, também tiveram que dar desmentidos depois da cartinha de Mr Camdessus.

Acabou de uma vez por todas o bom senso no jornalismo brasileiro. A edição desta semana de Veja SP é a prova disso: “Aprenda a não ser barrado em danceterias”????? Que absurdo!! Além de não criticar o fato de pessoas serem barradas em bares sem motivo aparente (uma matéria dessas devia ter é tom de denúncia), o texto ensina o leitor a “dar um jeitinho”: fantasiar-se de playboy para poder ter acesso aos “olimpos dançantes das elites”. Que Veja há muito já não tem mais a mesma qualidade é sabido, mas se tornar um boletim de futilidades preconceituosas é demais!

Leonardo Goy, estudante de Jornalismo da PUC-SP

O senhor Carlos Heitor Cony evita a culinária bahiana porque: a) sofre de problemas gustativos; b) tem estômago ferido; c) está ficando gagá; d) as três respostas estão corretas.

Eu voto em “d”.

Geraldo Maia Câmara

Minha pergunta é a respeito da afirmação de Alberto Dines de que espera que sua associação (ou seja lá o que for ) com a Vox Populi seja muito profícua. Pode vir a ser. Mas o Sr. Marcos Coimbra, por sua origens (tio, pai, mãe…) me é tão confiável quanto o Sr. Flávio Maluf. Ou o filho do Quércia, do Fleury, do Moisés Lupion etc. etc. Posso estar sendo preconceituoso, mas não creio que meu modo de ver seja só meu… É a imagem que nos deixa o Sr. Marcos Coimbra. Sem contar sua péssima dicção.

Dines, tem gente de genealogia bem mais recomendável que a do Sr. Marcos Coimbra para a pretensa colaboração profícua a que você aspira.

Gilberto Lopes da Silva

Cada vez mais indignado com a apavorante programação dominical das tevês abertas, normalmente, assisto somente aos jogos e programas esportivos aos domingos. Mas ontem, dia 15, resolvi “navegar” pelos canais para ver se alguma coisa diferente poderia ser assistida. Infelizmente, não só as moscas continuam as mesmas…

No SBT, o mórbido programa Domingo Legal já é uma aberração, a começar pelo nome, pois de legal não tem nada! Gastou-se mais de uma hora para mostrar a Gretchen em sua casa de praia com suas calcinhas, vestidinhos e cicatrizes de plásticas no seio; outros 60 minutos ou mais foram “torrados” com a exploração barata do romance de Alexandre Pires e Carla Perez, fora as Cacetadas do Gugu (cópia descarada do quadro do Faustão, também já saturado) e a história que já deve ter sido contada mais de cem vezes ? ET e Rodolfo (mais aberrações) em uma casa mal-assombrada. Além de todo este lixo, há semanalmente uma explícita exploração da desgraça alheia em quadros onde são mostrados personagens sofridos e massacrados também por um sensacionalismo dos mais revoltantes. O que salvou, pena que em apenas 7 minutos, foi a aparição do saxofonista Kenny G.

Infelizmente, este caos liderou a audiência durante toda a tarde. E um detalhe importante: aguardavam para se apresentar grupos e cantores que poderiam alegrar, pelo menos um pouquinho, a tarde fria e chuvosa de domingo na grande maioria das cidades brasileiras. O que foi dito por mim sobre a péssima qualidade do programa do Gugu pode ser aplicado ao Domingão do Faustão, ao Fantástico (ou seria Mister M News??) e tantos outros monstros da tevê brasileira. Até quando?

Paulo Ferro, jornalista

Estou enviando essa mensagem com atraso. Culpa da minha falta de tempo para escrever. No dia 10 de agosto, o Jornal do Almoço ? um pseudo-telejornal da RBS que vai ao ar ao meio-dia (é óbvio) ? apresentou o flagrante de um homem completamente bêbado dirigindo seu carro pelas ruas de Porto Alegre e fazendo manobras absurdas. Até aí, nada de extraordinário: era apenas mais um flagrante de motorista alcoolizado (como muitos que já foram mostrados).

O grande problema é que o flagrante não foi casual, desses que a equipe registra graças a um momento de sorte enquanto vaga na madrugada. Não, nada disso. A equipe acompanhou a história desde o início, quando, no balcão do bar, o tal homem já tomava tudo que via pela frente, desenhando claramente o que iria acontecer em seguida. Uma história contada com detalhes, com direito até a imagens do sujeito obtidas com a câmera escondida (ou disfarçada, não sei). A equipe participou de todo o acontecimento, sem ? aparentemente ? tentar impedir o fato. Tudo em nome do grande furo do dia (ou da noite, no caso).

Minha pergunta aos jornalistas: por que a equipe, sabendo o que aconteceria, não tentou impedir o homem de pegar seu carro? É ético deixar um homem guiar completamente bêbado apenas para conseguir uma boa matéria?

Pietro Noah

Nota do O.I.: A espantosa matéria foi reproduzida no Jornal da Globo.

A Folha de S. Paulo, em sua edição de 20 de agosto, na página 1-6, dá uma efetiva contribuição para a seção Pérolas. Em matéria sobre o julgamento de Eldorado dos Carajás, o jornal destaca os personagens do caso. No box que trata da defesa dos acusados, está lá o título: “Advogado é defensor de fazendeiro.”

Ora, queriam que ele fosse o quê? Analista de sistemas? Torneiro-mecânico? No entanto, fiquei com uma dúvida. Será que o redator é jornalista?

Guilherme Meirelles

Concordo inteiramente com o que disse Victor Gentilli no artigo sobre o boxe. Fiquei chocado com a vitória do brasileiro, deprimido com o que vi. Não posso considerar esporte uma atividade que venera o nocaute, que venera a destruição de outrem. Se assim é a civilização, por que as regras de convício?

Nilo Dias Cabral, professor de Comunicação Social na Ulbra, Canoas, RS

 

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A inteligência de Caetano

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Continuação do Caderno do Leitor

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