Sábado, 04 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Sobre fontes remuneradas

Por lgarcia em 10/06/2003 na edição 228

TABLÓIDES BRITÂNICOS

O caso do suposto plano de seqüestro da ex-Spice Girl Victoria, mulher do jogador de futebol David Beckham, reacende a discussão sobre a proibição de pagamento por entrevistas exclusivas, prática comum nos tablóides da Grã-Bretanha. Florim Gashi, informante que teria recebido cerca de US$ 16 mil do jornal News of the World para relatar a história com exclusividade, teria ele mesmo sugerido Victoria como alvo ao bando que estaria arquitetando o seqüestro.

Segundo o Guardian [2/6/03], o juiz que cuida do processo contra os cinco acusados suspendeu o julgamento por considerar que Gashi não seria testemunha confiável. O responsável pelo furo do News of the World é Mazher Mahmoud que, junto com sua equipe de jornalismo investigativo, se orgulha de ser responsável por mais de cem condenações criminais.

No ano passado, a Justiça britânica ameaçou proibir a remuneração de fontes depois que se descobriu que garotos haviam recebido dinheiro por entrevistas sobre o caso da professora Amy Gehring, acusada de ter relações sexuais com alunos menores de idade.

Como aponta a BBC [3/6], críticos das entrevistas pagas alegam que há risco de as pessoas inventarem coisas para fazerem jus ao pagamento ou omitirem informações para poder vendê-las depois. Jornalistas favoráveis ao pagamento de fontes que podem vir a participar de julgamentos como testemunhas retrucam que informações importantes muitas vezes só são conseguidas mediante pagamento.

 

CORPORAÇÕES

Nas grandes empresas de mídia americanas, a gerência corporativa parece ser palavra de ordem somente quando os negócios vão mal, como aponta The Economist [29/5/03]. Rupert Murdoch, por exemplo, detém o controle da News Corporation apesar de ter apenas 15% das ações. Seus dois filhos fazem parte do quadro de diretores da empresa, o que não se pode considerar exemplo de boa gestão de uma companhia. Coisa semelhante acontece na Viacom, controlada por Summer Redstone, onde sua filha é diretora.

Contudo, ambas empresas conseguiram se sair bem da profunda crise que atinge a mídia nos últimos tempos. Murdoch, por exemplo, acaba de comprar por um bom preço a DirecTV, maior operadora de TV por satélite dos EUA. Redstone, por sua vez, comprou o controle acionário do canal Comedy Central, antes dominado pela AOL Time Warner.

Empresários que não têm manejado tão bem os negócios, por sua vez, estão sentindo a pressão dos outros acionistas. Lord Black, que controlava a Hollinger International ? dona do americano Chicago Sun-Times, do britânico Daily Telegraph e do israelense Jerusalem Post ? foi obrigado a mudar a estrutura acionária da companhia, que perdeu US$ 239 milhões em 2002. O empresário controlava 73% da Hollinger com apenas 30% das ações, graças a uma estrutura que dava maior peso aos seus papéis “classe b”. Agora isso acabou. Em uma negociação, Black e seus parceiros foram acusados de se apropriarem de US$ 74 milhões que deveriam na verdade ser repartidos por todos os sócios da empresa. Também surgiram queixas de que ele estaria usando em demasia o avião da companhia.

Antes de as ações da Disney entrarem em declínio, ninguém reclamava do incomum quadro de diretores que Michael Eisner havia composto. Contudo, ele acabou cedendo às pressões, tirando da diretoria o ator Sidney Poitier, o arquiteto Robert Stern, e a chefe do jardim de infância de seus filhos Reveta Bowers.

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