Terça-feira, 22 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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UniverCidade ou Univer$idade

Por lgarcia em 05/03/2000 na edição 85

Todas as escolas de Jornalismo de Curitiba tiveram conceitos péssimos. Mas o jornal mais lido do Paraná, Gazeta do Povo, só malhou uma faculdade, a Fesp. E pior: A Fesp nem tem curso de Jornalismo.

Pode parecer ridículo e simplório: será que não deveria existir uma avaliação para os professores, já que eles são funcionários dos alunos? E uma avaliação para os técnicos dos laboratórios, não seria uma boa? O que é prioridade? Fazer uma prova mais elaborada para os alunos? Ou fazer uma prova no mesmo nível de dificuldade para os professores? Realmente, não sei o que aconteceria…

Rodrigo Antonio Belle

Quanta lucidez de Alberto Dines ao abordar as deficiências dos cursos de Jornalismo no Brasil. Por acaso, sou estudante do sexto semestre de um desses cursos reprovados pelo MEC – o do Uniceub, em Brasília. “Uma escola de Jornalismo deve coexistir com um projeto jornalístico regular e permanente. Não se ensina medicina sem hospital, clínica ou ambulatório.” Fora disso, não há salvação.

Sinto-me atualmente como um cidadão que contratou os serviços de um restaurante cinco estrelas, de padrão internacional (como sempre anunciou) e eis que quando chega a fiscalização da saúde pública sou informado de que a cozinha é deficiente, os instrumentos utilizados são inadequados, os garçons não são especializados em culinária internacional e a comida tem coliformes fecais.

O ponto de vista de Dines será divulgado entre os alunos, por representar a mais pura realidade da escola de Jornalismo no Brasil.

Xavier Neto

Sou estudante do 1º ano de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo. Tenho um professor, não vou citar o nome por questão de respeito, que comete erros freqüentes de português do tipo “a situação tá meia difícil”, “espero que o presidente seje menos egoísta”, entre outras pérolas. Outro dia, ao chegar à faculdade, fui conversar com uma colega que disse adorar o tal professor. Expliquei que o acho “meio” ruim, e ela, sem titubear, emendou: “Ah, eu gosto dele porque ele quer que a gente seje como ele.”

Os alunos e, pior, os professores, estão assim. Noutra aula, grande parte da classe se espantou quando a professora de Comunicação e Linguagem proferiu a palavra “cognição”. Muitos não conheciam.

Os alunos e, pior, os professores estão assim.

Márcio Alexandre Silva

As matérias sobre a reprovação de cursos em alguns jornais e revistas (inclusive a Veja), para meu espanto, não citaram as faculdades. De que interessa então a informação? Não pode citar por quê? As faculdades que oferecem cursos sofríveis (especialmente Jornalismo) são protegidos por algum código do consumidor?

Nildo Teixeira, jornalista, Balneário Camboriú, SC

O resultado da avaliação dos cursos de Jornalismo pelo MEC evidenciou a grande quantidade de faculdades de “fim de semana”, incapazes de oferecer condições para a formação de bons profissionais. Esses estabelecimentos acabam conquistando novos alunos mais pela forma – computadores de última geração e salas com ar condicionado – e menos pelo conteúdo de seus cursos e acabam, dessa maneira, por inchar a já grande massa de jornalistas incompetentes que pecam na vírgula e na ética.

Um bom corpo docente é capaz de estabelecer a consciência de ética e cidadania em seus alunos e impede, de certa forma, que os recém-formados acabem caindo nas garras do “toma lá, dá cá”, citado exaustivamente no tendencioso Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti. Portanto, cria-se assim uma cadeia cíclica de empreguismo e crime contra a democracia, começando na má formação de jornalistas e acabando na incoerência da profissão: em vez de beneficiar a sociedade em que se insere, se aproveita desta, enchendo-a de sujeira e posteriormente secando-a de esperanças. Isso é abordado nas 719 páginas do livro de Conti sobre a imprensa e Fernando Collor.

Não quero insinuar que a formação profissional esteja ligada à formação do caráter, mas afirmo sim que a experiência em uma má faculdade pode causar mais erros do que acertos futuramente em um jornalista.

A avaliação do MEC não pode apenas colher surpresas nas redações de jornais e revistas ao expor a qualidade de ensino dos futuros “focas”. Deve, além disso, mobilizar a grande quantidade de estudantes lesados pelas instituições em que estudam para que lutem por um ensino de melhor qualidade. A formação da nova imprensa é um assunto de abordagem muito delicada, já que ela exerce sua função de quarto poder. Caso este poder, assim como uma ferramenta, seja utilizado para fins escusos, toda a sociedade terá de arcar com as conseqüências.

Guilherme Macedo, estudante de Jornalismo da UnB

Esta semana pela primeira vez comprei um exemplar da revista Época, por sinal o último da banca. Com certeza a revista deve ter esgotado em Votuporanga. O motivo, a matéria Contradição na universidade – Alunos nota 10, escolas reprovadas.

A matéria também é contraditória. Sou aluno do 4º ano de Jornalismo do Ceuv e publicitário formado pela 1ª turma, de 1998. Estudo no Ceuv não por falta de opção, já que na região há outras faculdades, como Unirp, Unilago, Unorp e Unip, todas em São José do Rio Preto. Estudo aqui por comodidade mesmo, afinal na minha cidade háo curso do meu interesse e eu participei da 1ª turma deste curso: fui uma das cobaias.

Antes de entrar no mérito da questão, gostaria de acrescentar algumas informações à matéria: Votuporanga tem duas TVs, a TV Universitária Canal 55, afiliada da TVE/ RJ, e a sucursal da TV Progresso, retransmissora da Rede Globo, além de ampla cobertura jornalística das TVs regionais retransmissoras de SBT, Record e Bandeirantes. Tem também quatro rádios: Cidade AM, Líder Am, Clube FM e Universitária/Uni FM. Além de dois jornais diários, A Cidade e Diário de Votuporanga, há também o semanal O Imparcial, a revista Expressão e o informativo noturno Flash Night, além de uma série de publicações comunitárias e sindicais e assessorias de imprensa sólidas.

O mercado publicitário dispõe de duas produtoras de vídeo, Visão e DVP, além de agências como NorteEventos, Visual Art, New Computação, Studio Gráfico e DBG Propaganda e Marketing.

Com relação à matéria propriamente dita, contesto o box: Alunos de Votuporanga vivem o jornalismo nas emissoras universitárias criadas na cidade. Em Votuporanga não existe nenhuma emissora universitária, pelo menos do meu ponto de vista. Assim como a Fundação Educacional de Votuporanga, mantenedora do Centro Universitário, tem fins lucrativos e por isso cobra mensalidades nos cursos superiores, também a Frev – Fundação Rádio Educacional de Votuporanga, mantenedora da UniFm e da TV Universitária, vive da venda de anúncios publicitários e paga pelos serviços prestados por profissionais.

A boa estrutura citada pelo aluno Fabiano Ferreira Ângelo, meu companheiro de classe e de profissão, só veio para os alunos no 3º ano de curso e foi aprimorada para as novas turmas e continua em estado de aprimoramento. Acontece que os alunos do curso não têm acesso direto aos estúdios da rádio e da TV. Para isso temos os nossos próprios laboratórios na faculdade. As pessoas que trabalham ou estagiam em ambos os locais são contratados pela Frev como qualquer outro profissional do mercado, e o fato de ter ou não estudando do Ceuv às vezes pode ajudar nesta contratação, mas não é um dado fundamental, já que há profissionais de outros locais trabalhando na TV.

O engajamento da turma no Provão, citado pela pró-reitora Neide Romani Covre, foi na realidade uma imensa cobrança, quase que diária, por parte da direção da instituição, para conseguir o resultado positivo da avaliação, com o objetivo de favorecer o reconhecimento do curso pelo MEC.

Edson Gatto

Sou universitária, curso o terceiro período regular de Jornalismo em faculdade particular, tenho 18 anos, mas não me causa surpresa o fato de 51% das faculdades terem tido tenebrosos resultados na avaliação do MEC.

Raquel Lima de Souza

No seu artigo de 20/2 o jornalista V.G., em seu excelente texto, cometeu uma pequena falha com relação ao uso do verbo “viger”, isto é, estar em vigor. Ao colocar o verbo na forma de gerúndio o correto é “vigendo”. Espero ter colaborado!

João Evangelista Domingues, professor de Língua Portuguesa

V.G. responde: Agradeço a correção. V. G.

 

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51% das escolas de jornalismo reprovadas – Alberto Dines

Os resultados da avaliação do MEC

 

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