Domingo, 05 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Walter Salles

Por lgarcia em 30/04/2003 na edição 222

REALITY SHOW

"O pesadelo dos ?reality shows? chega às salas de cinema", copyright Folha de S. Paulo, 26/04/03

"?O Verdadeiro Cancun? estreou ontem em mais de 2.000 salas de cinema nos Estados Unidos. Até aí, nada de mais. À distância, o título e a foto de adolescentes no cartaz sugerem apenas mais uma daquelas comédias imbecilizantes feitas pelos estúdios norte-americanos, filmada em um lugar vagamente exótico.

Parece, mas não é. ?O Verdadeiro Cancun? não é um filme. Não tem atores nem roteiro. É um ?produto?, como se diz no jargão televisivo. A primeira transposição do conceito de ?reality show? para o cinema. A espetacularização do cotidiano chega à sala escura, depois de ter invadido quase todas as outras áreas do audiovisual, incluindo o jornalismo televisivo. Quem viu a transmissão do conflito entre os EUA e o Iraque feita pela TV norte-americana sabe o que isso significa.

O conceito de ?O Verdadeiro Cancun? é derivado do programa que inaugurou o gênero na TV dos EUA. Feito pela MTV em 1992 e intitulado ?O Mundo Real?, esse programa era, por sua vez, a adaptação de uma fórmula desenvolvida na Holanda no final dos anos 80. Produtores e diretores do filme são os mesmos de ?O Mundo Real?.

A idéia não é lá muito diferente da do ?Big Brother? tropicalizado e adaptado para o Brasil. Dezesseis adolescentes -ou pós-adolescentes- são confinados em um espaço previamente demarcado durante um espaço de tempo. A partir daí, começa o vale-tudo. Imagine o pesadelo: é como se o elenco do BBB fosse levado para uma praia de Fernando de Noronha e incentivado a agir ?naturalmente? diante das dezenas de câmeras que vão gravar cada gesto e cada ida ao banheiro. Logo depois, o resultado dessa armação chega ao Multiplex mais perto da sua casa. O círculo, ou o circo, se fecha.

A intenção dos produtores é ultrapassar os limites impostos pela TV no que diz respeito aos diálogos e às cenas de sexo. O intuito é parecer um documentário, a vida capturada ao vivo, mas ?O Verdadeiro Cancun? está longe de ser isso. As atividades às quais os participantes se entregam são predeterminadas pelos produtores. A locação é um hotel de luxo todo redecorado. Tudo é fartamente iluminado, como no ?Big Brother? tupiniquim ou nas fotografias da revista ?Caras?. A lógica é clara: o voyeurismo, o tudo-ver, é a base desse negócio.

?O Verdadeiro Cancun? foi produzido pelo mesmo estúdio que fez ?O Senhor dos Anéis?. Já tem competição à vista. A Universal, outro grande estúdio norte-americano, está finalizando nesse momento a segunda investida no gênero. Intitulado ?The Quest? e também gravado em uma praia do México, o filme terá uma campanha de lançamento digna de ?Matrix 2?.

O que acontecerá se produtos como ?O Verdadeiro Cancun? ou ?The Quest? virarem grandes sucessos de público? Provavelmente uma transformação importante na produção de filmes norte-americanos, como já acontece hoje na TV, infestada de filhotes do ?Big Brother?. Não é difícil entender por quê. Enquanto o custo médio de um filme de ficção hollywoodiano está por volta de US$ 60 milhões, ?O Verdadeiro Cancun? consumiu 15 vezes menos. Um filme demora em média um ano para ser filmado e pós-produzido. ?O Verdadeiro Cancun? foi gravado no final de março e chega ao cinema 30 dias depois. Um recorde.

Se os ?reality shows? tomarem de assalto as salas de cinema nos Estados Unidos, o culpado será o próprio… cinema norte-americano. Nos anos 70, a produção made in USA fez filmes urgentes, colados à realidade cotidiana. ?Taxi Driver?, ?Nashville?, ?Operação França?, ?Um Dia de Cão? eram filmes-espelho, em que era possível encontrar um reflexo imediato daquilo que se vivia na rua. A partir dos anos 80, a coisa foi ladeira abaixo. Passou-se do neo-realismo para o néon-realismo. O escapismo virou a norma.

Foi por essa brecha aberta pelo cinema industrial norte-americano, cada vez mais distanciado da realidade, que o documentário independente entrou para voltar a ganhar papel preponderante nesse início de século. Michael Moore, por exemplo, agradece. Os ?reality shows? adaptados para o cinema talvez sejam uma tentativa de reapropriação de uma forma de narração que os estúdios norte-americanos perderam e que eles tentam reconquistar a qualquer custo."

 


"Primeiro reality show do cinema é fracasso de público na estréia", copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 28/04/03

"O primeiro reality show do cinema foi um fracasso de público em sua estréia. O filme The Real Cancun, que conta a história de jovens seguidos durante uma semana em Cancun, ficou em 10? lugar nas bilheterias americanas neste fim de semana. Faturou somente US$ 2,3 milhões.

O longa mostra um grupo de 16 universitários que passa uma semana de férias no México, filmado pela mesma produção do Na Real, da MTV. O filme tem nudez, sexo e álcool, o que não pode ser mostrado com tanta facilidade na TV. As gravações foram em feitas março, com orçamento de US$ 8 milhões.

O primeiro lugar das bilheterias ficou com Identity. O thriller estrelado por John Cusack e Ray Liotta faturou US$ 17 milhões de sexta a domingo. A fita conta a história de um grupo de estranhos que fica preso em um motel de beira de estrada por uma noite. Um serial killer que ninguém sabe quem é começa a matar um a um, por nenhum motivo aparente.

A produção de James Mangold custou apenas US$ 28 milhões para ser rodada. O segundo lugar ficou com Anger Management, com Adam Sandler e Jack Nicholson, que fez US$ 16 milhões. A fita tinha ficado no primeiro lugar em arrecadação nos últimos dois fins de semana."

 

AGÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO

"Primeiro ano da Abracom foi positivo", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 24/04/03

"A Associação Brasileira das Agências de Comunicação, que o mercado já conhece como Abracom, completou no dia 17/04 um ano de existência, com muito ainda por fazer, mas com um saldo que pode ser considerado bom, sobretudo para uma entidade que nasceu do zero e da abnegação de um grupo de colegas que sentia claramente a necessidade de organizar um setor já razoavelmente conhecido, mas caótico em suas relações institucionais.

Pouco mais de 50 agências assinaram a ata de fundação da entidade e hoje esse número cresceu impressionantes 60%. Já são 80 as agências associadas, de todos os portes, incluindo as maiores do setor, inúmeras médias e também algumas pequenas. E o mais interessante é que esse crescimento se deu com a chegada também de agências de fora do eixo Rio-São Paulo, incluindo organizações do Nordeste, do Centro Oeste e do Sul do País.

Há, ainda, um grupo de agências recalcitrantes, desconfiadas dos benefícios que tal entidade pode trazer no plano individual – e também dos eventuais interesses de quem a dirige – e por isso a preferência por continuar fora da Associação. É natural que isso aconteça, como aliás acontece em todos os setores. Pouco a pouco, no entanto, com os resultados surgindo, essas agências deverão rever seu posicionamento, agregando-se ao grupo.

Nesse um ano de existência, a Abracom vem atuando muito forte na construção de um código de ética para o segmento, projeto que conta com a adesão de inúmeros colegas e agências e que tem sido conduzido com muito empenho e abrangência. O grupo que o discute tem analisado os principais códigos de ética do País, promovido inúmeros encontros com especialistas na área, realizado discussões internas etc. E o resultado deverá já ser conhecido durante a assembléia que marcará o primeiro ano de gestão, desta diretoria que tem João Rodarte, da CDN, como presidente, Rosâna Monteiro, da Ketchum Estratégia, como 1? vice, e Ivandel Godinho, como 2? vice.

Outra área estratégica, que vem sendo trabalhada de forma permanente é a de mercado e preços, uma das mais complexas para a atividade. Esse grupo tem discutido padronização de nomenclatura, equivalência de serviços, formas de cobrança, fees, impostos etc., sendo seu principal objetivo definir parâmetros que sirvam para todos e que permitam ao mercado comparar orçamentos e escolher seus fornecedores, com base em critérios aceitos e praticados por todos. Quando isso estiver concluído, o setor dará um passo ainda mais decisivo na sua consolidação e fortalecimento.

Na área pública, outra das bandeiras da Abracom, a entidade vem mantendo com regularidade contatos em diversas esferas, tendo já mantido reuniões formais com a Prefeitura de São Paulo e o Governo Federal. O que as agências pleiteam – aliás, com muita justiça -, é que as áreas públicas dividam seus orçamentos de comunicação (separando a publicidade da comunicação institucional e corporativa) e façam licitação também nessa área, de modo a permitir que elas participem de concorrências de uma forma legítima, evitando, desse modo, a contratação como quarteirizada, como hoje ocorre, elevando as despesas para o contribuinte.

Também no plano institucional as conversas caminham de forma intensa e proveitosa, com organizações como Aberje, Conferp, Universidade de São Paulo, jornais Valor Econômico e Meio&Mensagem, Sinco, entre outras. Nesse particular, todas as iniciativas têm como premissa fortalecer o setor da comunicação e criar condições para que a área, como um todo, consolide-se e seja cada dia mais valorizada e estratégica no mercado. Alguns contatos, inclusive, já foram entabulados com as congêneres internacionais, o que deverá em breve resultar em intercâmbios de interesse mútuo.

A Abracom tem também promovido alguns eventos e cursos de aperfeiçoamento profissional e empresarial, estratégicos para quem veio do jornalismo, por exemplo, sem nenhuma noção de administração. E os resultados desse intenso intercâmbio já começam a ser fazer representar, no modo de administrar as agências e de buscar uma remuneração compatível com os ganhos desejados e com os investimentos necessários.

Há, é certo, várias outras iniciativas já realizadas e em andamento, e a percepção hoje é de que, atualmente, o setor tem efetivamente uma representação, vencendo o descrédito que até então existente.

É cedo para dizer que a entidade será um sucesso e que o segmento conquistará dias ainda melhores no futuro, por força desse trabalho. Mas já dá para afirmar, sem medo de errar, que o avanço é real, notório e reconhecido.

Bom para as empresas e bom para o mercado, sobretudo para os profissionais que hoje têm nessa área uma das principais fontes de contratações, tanto para o jornalismo quanto para a área de relações públicas."

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