Terça-feira, 29 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>ANJ anuncia o “Comprensa”
>>Os jornais correm atrás

Por Luciano Martins Costa em 20/08/2010 | comentários

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ANJ anuncia o “Comprensa”


Finalmente aconteceu: a Associação Nacional de Jornais anuncia oficialmente a disposição de criar um conselho de autorregulação.


O anúncio foi feito pela presidente da ANJ, Judith Brito, na abertura do 8o. Congresso Brasileiro de Jornais, realizada no Rio de Janeiro nesta quinta-feira.


A presidente da ANJ afirmou que o conselho da imprensa não seguirá o modelo do Conar, o órgão que ajeita as coisas entre as agências de publicidade e o consumidor, quando a propaganda resvala para o gosto duvidoso ou cai na mentira deslavada.


Será uma entidade parecida com as que existem em outros países, voltada para o acompanhamento das relações dos órgãos de imprensa entre si, com o público, anunciantes e governos.


O 8o. Congresso Brasileiro de Jornais, que vai ficar registrado como aquele no qual a imprensa brasileira admitiu que precisa, sim, de alguma forma de controle, ainda que endógena, teve também debates sobre ameaças reais e imaginárias e a já velha polêmica sobre o futuro do jornal de papel diante da emergência das tecnologias digitais.


No painel principal, diretores de jornais, articulistas e um convidado estrangeiro, diretor de órgão de pesquisa da Universidade Harvard, discorreram sobre o futuro da imprensa.


Interessante observar como o Estado de S.Paulo e o Globo publicaram separadamente, na seção destinada à cobertura da campanha eleitoral, a participação dos dois candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas, Dilma Rousseff e José Serra, no evento da ANJ.


A Folha colocou lado a lado os textos referentes a declarações dos dois candidatos, no pé da mesma página onde é noticiado o encontro dos donos de jornais.


O Estadão e o Globo separaram a notícia sobre os presidenciáveis, dando muito mais destaque ao candidato da oposição, sendo que o jornal paulista concedeu ao ex-governador José Serra a manchete principal, na primeira página.


Nada mais revelador do viés de um jornal do que as escolhas de seus destaques no dia a dia.


Por essas e outras, vale a sugestão: para ser coerente com o estilo de atuação política da imprensa brasileira, o conselho de autorregulação dos jornais deveria se chamar Comprensa. 


Os jornais correm atrás


Alberto Dines:


– Além da disputa entre os presidenciáveis, há um outro confronto em curso. Dilma Roussef, José Serra e Marina Silva candidatam-se a sucessores do presidente Lula. Ao mesmo tempo será decidido o futuro da mídia brasileira. A hegemonia ficará com os jornais, com a TV ou a internet ?


A entrada da TV foi de grande efeito: o espetáculo político ganhou uma nova dimensão a partir das entrevistas na bancada do “Jornal Nacional” da Rede Globo. A internet ainda não encontrou uma maneira de mostrar o seu poderio. Mesmo o debate “Folha-UOL” da última 4ª feira – primeiro no gênero no Brasil –  não conseguiu eletrizar porque na realidade foi uma reinvenção da TV, sem os seus atributos  e com todas as precariedades da web brasileira. O fato de ter sido acessado em 127 países (como a “Folha” gabou-se na edição de ontem) não chega a impressionar porque não se conhecem a duração e a quantidade de acessos.


A edição do “Observatório da Imprensa” na TV-Brasil também é acompanhada ao vivo por internautas do exterior, o mesmo acontece com ouvintes de países vizinhos que captam nossos comentários radiofônicos retransmitidos por emissoras brasileiras nas regiões fronteiriças.


Quem ainda não deu o ar de sua graça foi o meio jornal. Sem a vantagem da instantaneidade e, em compensação, com a capacidade de pautar o debate, já que não está sujeito às limitações legais impostas às concessionárias de rádio e TV, o jornal vê-se obrigado a correr atrás do horário eleitoral e dos embates eletrônicos.


A aposta num grande elenco de opinionistas e celebridades em detrimento da reportagem investigativa escancara aqui os equívocos das empresas de jornalismo impresso que nos últimos anos trocaram seus atributos históricos por miragens tecnológicas com prazos de validade limitados.

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