Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>Confusão na Corte
>>Cai o traficante

Por Luciano Martins Costa em 08/08/2007 | comentários

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Confusão na corte


Uma juiza de Guarulhos autorizou ontem o Ministério Público Federal a apreender registros sobre o acidente em Congonhas. Logo depois, porém, a liminar foi cassada pelo tribunal federal regional de São Paulo.


A imprensa até que foi ágil ao acompanhar as trapalhadas, mas nem sempre essa tem sido sua atitude.


Investigação não convence

Luiz Egypto:


– Se na sua lida diária a imprensa se ocupasse em cobrir mais as causas dos que os efeitos, o distinto público seria mais bem servido pelos produtos jornalísticos que consome. Acidentes como o do Airbus da TAM, catástrofes ambientais ou ferozes contendas políticas são, no fundo, apenas isso: fatos que se transformam em notícias, nada mais que notícias. Assuntos, aliás, que sempre terão lugar na pauta, mas que não passam de fatos – aos quais a imprensa reage esbaforida em busca de ângulos novos e enfoques diferenciados da concorrência.
O problema, porém, reside no antes, não no depois. Os fatos não existem isoladamente, e contar as histórias que os contêm exige apuração, discernimento e tirocínio. Acidentes aéreos, desastres ambientais e disputas políticas não nascem do nada. Em geral são processos que amadurecem bem à vista de quem tem olhos para ver. Se mais além da cobertura meramente factual as redações se preocupassem com investigação metódica e articulação de nexos – vale dizer, com a produção de informação contextualizada –, a mídia impressa brasileira produziria uma prova cabal de que está preparada para o futuro. Há esforços visíveis aqui e acolá, mas o conjunto da obra ainda não convenceu.


Luciano:


Ordens e contra-ordens


Um bom exemplo de como certas informações, em vez de ajudar a esclarecer, acabam criando mais confusão, aconteceu ontem no âmbito da Justiça.


Os jornais acompanharam tão bem os acontecimenos, que não dá para ignorar que foram devidamente alertados pelos protagonistas.


Depois que as autoridades da Aeronáutica anunciaram que não entregariam documentos sobre a tragédia à Polícia Federal, a juíza federal Maria Isabel do Prado, de Guarulhos, atendeu a um pedido do procurador Matheus Baraldi Magnani e autorizou a operação de busca e apreensão.


Mas, poucas horas depois, a liminar foi cassada pelo Tribunal Regional Federal da 3a. Região, sediado em São Paulo, e os documentos tiveram que ser devolvidos.


O fato, destacado em todos os grandes jornais do País, revela o que pode acontecer quando regras e protocolos são quebrados.


Toda essa confusão, e muito mais que ainda pode vir, começou quando as autoridades permitiram que dados da caixa-preta do Airbus fossem entregues a parlamentares.


Daí para as mãos dos jornalistas, e para os julgamentos apressados, foi meio passo.


Bate-boca


A melhor imagem da confusão jurídica é a fotografia do procurador tentando forçar a entrada na sala de controle do aeroporto de Congonhas, contra a oposição dos militares.


Os oficiais da Aeronáutica que trabalham no Cindacta-1, em Congonhas, negaram-se a lhe entregar os dados sobre o acidente.


Foram duas horas de tensas negociações, que envolveram até o comandante da FAB, brigadeiro Juniti Saito, até que veio a contra-ordem judicial.


Matheus Baraldi Magnani alegou que pretendia investigar as falhas no sistema de controle aéreo brasileiro para, depois, entrar com uma ação e exigir investimentos do governo.


Teve seus quinze minutos de celebridade.


Enquanto isso, o coronel Fernando Camargo, responsável pela investigação das causas da tragédia com o Airbus da TAM, acusa a Agência Nacional de Aviação Civil, a Infraero e as empresas aéreas de demora na entrega de documentos.


O coronel Camargo precisa desses documentos para cruzamento de informações com os dados das caixas-pretas do Airbus.


O chefe oficial das investigações afirmou, segundo a Folha de S.Paulo, que até os parlamentares da CPI já receberam alguns documentos que ainda não lhe foram entregues.


Longe da festa


Executivos da TAM acharam melhor não comparecer, ontem à noite, à festa de entrega do prêmio Maiores e Melhores da revista Exame.


A TAM foi eleita a melhor empresa do setor em 2006.


O Globo noticia que a TAM recusou o prêmio. Não foi bem assim. Os executivos apenas decidiram não ir à celebração, em respeito às vítimas da tragédia com o Airbus.


Longe da festa, o vice-presidente da companhia, Paulo Castelo Branco, informou ontem, diante da Comissão Parlamentar de Estudos sobre o Aeroporto de Congonhas, da Câmara Municipal de São Paulo, que o Airbus que se acidentou no mês passado estava na programação de manutenção para a noite de 17 de julho.


A mesma noite da tragédia.


Cai o traficante


Destaque, em todos os jornais, para a prisão, num condomínio de luxo perto de São Paulo, de um dos mais procurados traficantes de drogas do mundo.


O colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, de 44 anos, era considerado o maior fornecedor de cocaína para os Estados Unidos. É apontado como mandante de pelo menos 300 assasinatos na Colômbia e quinze nos Estados Unidos.


Ramirez Abadia era procurado no Brasil desde 2005. Era de sua mansão no condomínio Aldeia da Serra que ele comandava seus negócios, que lhe renderam um patrimônio de quase dois bilhões de dólares.


Os jornais cobriram com muitos detalhes a operação relatada pela Polícia Federal e oferecem aspectos interessantes sobre a boa vida que o criminoso levava no Brasil.


O senador escorrega


As manchetes de todos os jornais de circulação nacional registram hoje mais uma derrota do senador Renan Calheiros.


O presidente do Senado teve quebrados ontem, pelo Supremo Tribunal Federal, os sigilos de contas bancárias e declarações à Receita Federal nos últimos sete anos.


Quando presidia a sessão de ontem do Senado, Renan reagiu com ameaças e chantagens aos parlamentares que sugeriram que deixe o cargo.


Talvez seja uma boa hora para a imprensa convidar o presidente da casa maior do Legislativo para, afinal, contar o que sabe sobre certos colegas.

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