Terça-feira, 22 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>Crime e democracia
>>Quem vê tanta novela?

Por Mauro Malin em 17/04/2007 | comentários

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Crime e democracia


 


O Globo aborda hoje em editorial o cerne dos problemas que a Operação Furacão, da Polícia Federal, pôs em evidência. O crime organizado, com a participação de funcionários públicos de diferentes poderes e escalões, se choca com a vigência do estado democrático de direito. Diz o Globo que existe um edifício da deterioração moral da vida pública brasileira cujas fundações são a impunidade. E liga crime a política: “Tudo está articulado: da boca-de-fumo que sustenta policiais corruptos a milícias e magistrados que vergonhosamente concedem liminares para liberar máquinas de jogos de azar comprovadamente contrabandeadas. Transita neste mesmo edifício o caixa dois da política, ou ´dinheiro não-contabilizado´, como querem alguns”.


 


O jornal só força a barra ao colocar no mesmo contexto a participação das Forças Armadas em ações de policiamento. O Globo, como O Dia, apóia o pedido do governador Sérgio Cabral Filho. É um reiterado equívoco. Se as Forças Armadas derem um passo além do policiamento ostensivo no Pan, policiamento que farão antes na visita do Papa, em São Paulo, nos próximos editoriais se deplorará o envolvimento de militares na teia da criminalidade. Já houve contaminações. O risco é que elas se tornem sistemáticas.


 


É preciso não esquecer que as Forças Armadas foram as promotoras da grande anarquia que tomou conta do país depois do golpe de 1964. Foi no regime da ditadura, com imprensa censurada, que a corrupção atingiu novos patamares no Brasil.


        


Carnaval, desengano


 


O Carnaval carioca foi privatizado para o jogo do bicho em 1987, quando o prefeito era Roberto Saturnino Braga, do PDT. Desde então, a mídia conviveu alegremente com esse estado de coisas. Ou melhor, tevês, rádio e jornais fazem a cada ano coberturas mais alentadas dos desfiles, no Rio e em São Paulo. Agora surgem denúncias de manipulação dos resultados, o que mexe com toda a simbologia do evento.


 


Limpeza em casa


 


O jornalista Dácio Malta fez no Informe do jornal O Dia, no sábado, uma pergunta que ninguém respondeu, nem retomou: “A Polícia Federal fez uma das mais espetaculares ações no Rio e, para isso, importou agentes de diversos estados. Mas se não confia nos policiais do Rio, a PF bem que poderia promover uma limpa”.


 


Tanto não confia que levou o dinheiro e os bens apreendidos, até os automóveis, para Brasília. Como se sabe, em setembro de 2005 sumiram 2 milhões de reais da sede da PF no Rio. Em outubro, sumiram 20 quilos de cocaína. Até hoje não apareceram. Como só apareceu uma pequena fração dos 165 milhões de reais roubados do Banco Central em Fortaleza.


 


Quem vê tanta novela?


 


Alberto Dines anuncia que o tema do programa de hoje do Observatório da Imprensa na TV será a onipresença das telenovelas.


 


Dines:


 


– A sociedade brasileira não mereceria uma distração ou gênero de espetáculo diferente dos melodramas televisivos que ocupam mais de dez horas nos dias de semana?  Telenovelas brasileiras são exportadas, rendem divisas, dão emprego a atores, atrizes, técnicos, roteiristas, faturam publicidade, empurram as vendas, porém… Este “porém” vai ser discutido hoje à noite, no “Observatório da Imprensa”. Às onze e meia na TV-Cultura e, ao vivo, às dez e quarenta na TV-E.


 


Reprises do MST


 


Nem o governo nem a mídia sabem o que fazer com o MST. Não se promove um verdadeiro debate nacional sobre a questão da terra, um dos fenômenos estruturais da formação social brasileira. Os movimentos agrários partem de problemas evidentes e reivindicações sérias, mas há muito se deixam conduzir tanto por conveniências quanto por convicções. O assunto é politizado de diferentes lados. E a mídia se limita a reproduzir, periodicamente, o noticiário sobre invasões. Na temporada 2007, já entrou em cena um campo de treinamento do Exército.


 


Violência americana


 


O Estadão ouviu, a respeito do massacre da Virgínia, um sociólogo americano que estudou o caso de Columbine, há oito anos, Ralph Larkin. São palavras sensatas: um, não adianta aumentar o sistema de segurança nas escolas; dois, se as escolas quiserem ir à raiz do problema, deverão incentivar mais a cooperação e menos a competição. Faltou dizer que sem a colaboração da mídia, onde é cada vez maior a confusão entre informação e entretenimento, não haverá melhoria.

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