Domingo, 20 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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>>Povo e Forças Armadas
>>Franklin no Observatório

Por Mauro Malin em 03/04/2007 | comentários

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Povo e Forças Armadas


Em várias passagens dos jornais de hoje se faz uma distinção indevida entre governo e Aeronáutica. Veja-se uma frase, escolhida apenas para exemplificar: “O Brasil parou por causa da inépcia deste governo, que, até na solução, voltou a errar, criando um problema com a Aeronáutica”.


Se o problema é da Aeronáutica, é do governo.


No tempo histórico imediato, a compartimentação é herança mental da ditadura militar. No plano da longa tradição brasileira, a distinção entre governo e Força Armada é manifestação de um forte corporativismo.


Os presidentes civis não foram eleitos para governar só parcialmente a nação. O assunto foi essencialmente resolvido por Fernando Collor, sim, ele próprio, antes mesmo da posse na presidência da República, quando anunciou os nomes de seus ministros militares e, perguntado por jornalistas se havia consultado os comandantes militares, respondeu que não, porque tinha sido eleito pelo povo inclusive para fazer essas escolhas. Crise militar no Brasil mudou de natureza desde que voltaram as eleições diretas. O que existe hoje é outra coisa: dificuldade para manter as Forças Armadas preparadas para sua missão. E crise em diferentes áreas de infra-estrutura do país.


Serviço de inteligência


Repita-se o que foi dito ontem aqui: o governo como um todo errou, mas em especial errou a Aeronáutica. Por exemplo, segundo o Globo o serviço da inteligência da Aeronáutica concluiu que o movimento dos controladores estava desarticulado e que não haveria problemas nos aeroportos no fim de semana.


Menos adjetivos


A politização forçada e panfletária da greve dos controladores, pela mídia, também é uma forma de desrespeito aos leitores e aos cidadãos, cujas histórias, dentro e fora dos aeroportos, a imprensa basicamente continua a ignorar. Contar essas história seria a crítica mais contundente à inépcia do governo. Não é preciso brandir tanto adjetivo.


Janela de oportunidade


Se o governo não perder mais uma vez o timing, um subproduto útil da crise aérea será a regulamentação da greve no serviço público. Mas que ninguém se iluda: o corporativismo vai gritar, espernear e até chantagear. E o Congresso corre pouco risco de, por milagre, colocar os interesses do país acima de interesses muito mesquinhos de tantos de seus integrantes.


Franklin no Observatório


Alberto Dines anuncia a presença, hoje, no programa de televisão do Observatório da Imprensa, do ministro Franklin Martins.


Dines:


– A indicação do jornalista Franklin Martins como ministro da Secretária de Comunicação Social criou uma expectativa única. Já tivemos outros secretários de imprensa, outros secretários de comunicação, mas nunca tivemos a mesma pessoa cuidando das duas áreas. O cargo foi ainda mais valorizado com a transferência da recém criada Rede Pública de TV para a sua esfera. E como se não bastasse, estamos saindo de uma refrega de alguns meses em que o governo e imprensa andaram se enfrentando. Como é que um dos mais hábeis comentaristas políticos conseguirá resolver tantos problemas? Franklin Martins estará hoje à noite no Observatório da Imprensa para explicar suas idéias e seus planos. Não perca. Às 23:30 na Rede Cultura. Na TV-E, mais cedo e ao vivo, às 22:40.


Propaganda do PAC


Começou ontem nova campanha de propaganda oficial do governo, centrada no Programa de Aceleração do Crescimento. Como tantas peças publicitárias de partidos políticos, apresenta imagens falsificadas de um Brasil tão lindinho que qualquer pessoa no mundo gostaria de morar nele. Está acima das forças e atribuições de Franklin Martins mudar essa linha de, digamos, discurso oficial, tão entranhada na sintaxe política brasileira e parecida no mundo inteiro. A atual campanha vai custar 8 milhões e cem mil reais. Segundo o Globo, duas vezes mais do que a contratação de 80 especialistas para melhorar a qualidade do ensino em municípios pobres.


Agora é o PAN


O Brasil vive uma síndrome de horizontes curtos. Eleições a cada dois anos, por exemplo, são balizas poderosas de planos e ações de governos de todos os níveis. Não necessariamente destinados a melhorar a vida do povo, mas sempre calculados para engordar a popularidade de candidatos.


O horizonte agora é o do PAN. Aeroportos, segurança, tudo será medido segundo a escala de tempo que separa o país da realização do evento. Se as coisas correrem bem, o PAN deixará algumas boas heranças, tanto físicas como organizacionais. Mas depois os governos voltarão a suas cadências eleitoreiras habituais. Com alto grau de complacência da mídia.

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